Vinho e roupa nova
para a festa da aliança
1193 | Tempo Comum | Semana XXII | Sexta | Lucas 5,33-39
Depois da pesca frutuosa e do chamado de Pedro e
seus companheiros de trabalho, nas cenas que a sequência litúrgica trata noutras
oportunidades, Jesus cura um leproso (v. 12-16) e um paralítico (v. 17-26),
chama o publicano Mateus a segui-lo e vai à casa dele se confraternizar com
outros cobradores de impostos e pecadores (v. 27-32). Isso provoca desconforto nos fariseus, que começam a questionar as
práticas religiosas de Jesus e o comportamento dos seus discípulos.
Ao interpelar Jesus a respeito do comportamento dos
discípulos, os fariseus querem atingir o
próprio Jesus. O ponto de discordância é o jejum praticado pelos fariseus e
também por João Batista e seus seguidores. Jesus
e seus discípulos fazem pouco caso do jejum e priorizam a festa e a confraternização.
Levi se converte ao Evangelho de Jesus e, ao invés de fazer jejum, organiza uma
festa, para a qual convidou outros cobradores de impostos. É quase uma
provocação às tradições dos judeus.
Na sua resposta, Jesus não despreza o jejum, mas
justifica a alegria e a esperança que
nascem da chegada do Reino de Deus. E faz isso recorrendo a duas sentenças que
contrapõem uma realidade velha e uma novidade. A palavra “novo” aparece quatro
vezes nestes versículos, e se refere ao Reino de Deus, à nova Aliança assinada
por Jesus. Nesta aliança-casamento, Jesus
é o noivo da humanidade, e o vinho e o vestido apontam para a festa e a alegria.
Quem entra na lógica do Reino de Deus assume um estilo de vida alternativo
àquele vivido como fachada e de modo superficial: a
purificação que agrada a Deus e faz bem às pessoas é interior, e não exterior.
Para alguns judeus, mormente os mais piedosos, a abertura à novidade do Reino
de Deus anunciado e inaugurado por Jesus é difícil, e eles preferem remendos numa roupa velha ou o vinho velho.
Os discípulos de Jesus são convidados a perceber e viver essa novidade, deixando de lado
“velhas lições” e “velhos hábitos”, rigorosos e excludentes, que levam a
formar guetos fechados de pessoas que se consideram perfeitas e superioras às
demais, e tratam as outras com desprezo, chegando até a atitudes e palavras
violentas.
Sugestões para a meditação
Retome
pacientemente o episódio, começando pelo chamado de Levi e pela festa na casa
dele (v. 27-32)
Perceba
o escândalo e o desconcerto dos fariseus diante da troca da austeridade e do
jejum pela confraternização à mesa
Deixe-se
inspirar pelas imagens do Reino de Deus: o remendo novo em roupa velha, o vinho
novo em pipas antigas e a festa da Aliança
Você
percebe, em você e sua comunidade, sinais da tentação de usar o Evangelho para
remendar práticas que nada tem a ver com eles?
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