Nenhum pequeno ou
vulnerável é esquecido
1222 | Memória dos
Santos Anjos da Guarda | Mateus 18,1-10
No capítulo 18 a 20 do seu evangelho, Mateus nos
oferece diversas catequeses dedicadas por Jesus aos seus discípulos, no caminho
para Jerusalém. São orientações
fundamentais para que a comunidade cristã viva um estilo de vida alternativo e
profético, testemunhando assim a força transformadora do Evangelho. E isso
é importante, pois não basta anunciar o Reino de Deus; é preciso antecipá-lo.
A tentação do elitismo e do autoritarismo rondam a comunidade dos
discípulos de Jesus desde sempre. A pergunta
sobre quem é o maior no Reino de Deus o demonstra, e a resposta de Jesus quer
cortá-la pela raiz. Para ilustrar a
virada radical do Reino, Jesus ilustra seu ensino tomando a figura da criança
como símbolo. Na festa de hoje, é importante prestar atenção na relação dos
anjos com as crianças. Eles aparecem como cuidadores, protetores e defensores
das criaturas mais frágeis.
Aqui, a
criança não aponta para a inocência, tão ao gosto da modernidade burguesa,
mas para sua condição social de
fragilidade, insignificância e marginalidade. Para Jesus, elas são o retrato perfeito da comunidade cristã,
que nasce para viver nas margens e ensaiar uma vida alternativa ao judaísmo e
ao império romano. E a ideia do anjo da guarda vem, de alguma forma, confirmar
o cuidado de Deus por ela. Ele nos envia
como anjos para ir à frente e guardar as pessoas vulneráveis.
Esse estilo de vida é contracorrente, precisa ser aprendido
e exercitado, pois é exigente. Como as crianças, os discípulos de Jesus são preciosos aos seus olhos, são importantes
por serem pequenos, e os cristãos têm o dever de protege-los. O próprio Deus
toma conta dos seus pequenos, como nos atesta a figura do Anjo da Guarda. E essa atitude misericordiosa de Deus
compromete os discípulos de Jesus, e a própria Igreja que nasce do seu lado
aberto, a fazer o mesmo, em nome dele.
O Pai não quer que nenhum
deles se perca, e a comunidade deve assumir esse cuidado em nome de Deus. Por sua vez, os discípulos devem confiar totalmente na acolhida que o
Pai suscita nas pessoas e povos aos quais forem enviados. Não somos grandes ou importantes pela origem, pela riqueza, pela
educação, pela profissão, função ou pelo poder que exercemos, mas porque somos
filhos amados do Pai e portadores do tesouro do Reino.
Sugestões para a
meditação
Que papel você atribui aos anjos no seguimento de
Jesus Cristo e na construção do seu Reino, e o que você pede ou espera deles?
O que significa crer que Jesus é o “anjo” de Deus,
o espaço e o lugar humano no qual Deus habita e se comunica de modo pleno e
permanente com a Humanidade?
Como viver o encontro com Jesus e seu Evangelho
como um caminho para superar nossas visões limitadas de Deus?
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