domingo, 4 de outubro de 2026

Quem é o próximo?

O amor nos faz livres, criativos e solidários

1225 | Tempo Comum | 27ª Semana | Segunda | Lucas 10,25-37

Por trás da pergunta que o mestre da lei dirige a Jesus sobre como ganhar a vida eterna está uma ideia muito particular sobre o significado da salvação e o caminho que conduz a ela. Não esqueçamos que a discussão que perpassa os evangelhos é sobre o caminho mais direto e seguro para salvação: seria a submissão à lei, como ensinavam os escribas e fariseus, ou haveria outro caminho?

Para Jesus, o caminho da salvação não passa pelo cumprimento escrupuloso da lei, mas pela compaixão com todas vítimas e sofredores, mediante ações concretas de solidariedade. Na vida de Jesus, e na vida de quem o segue, não há lugar para a indiferença diante do sofrimento humano. Para ele, o amor pleno a Deus se concretiza na ação impostergável e generosa, sem agenda, em benefício das vítimas e de todas as pessoas necessitadas. Esta é a reposta de Jesus ao doutor da lei.

Mas o debate segue e o doutor da lei questiona quem é o nosso próximo. Ressoam aqui as perguntas do primeiro livro das escrituras sobre “onde está o meu irmão?” e “o que eu tenho a ver com ele?” Quem repete estas perguntas e não toma uma atitude concreta perdeu o rumo e o ritmo da vida cristã. Como resposta, Jesus não acrescenta mais uma norma ao monte de leis que existem, mas estabelece uma perspectiva nova e exigente de toda lei que queira ter fundamento.

Para Jesus, a solidariedade concreta e desinteressada substituiu todas as leis, e vale mais que culto e as instituições. E o samaritano – considerado herético, bastardo e impuro pelos judeus de Jerusalém – está mais próximo de Deus que o sacerdote e o levita, porque se aproxima da pessoa ferida e se compadece dela, enquanto que o sacerdote e o levita, obcecados pelas leis e pelo templo, se afastam dela. Há uma oposição entre fazer-se próximo e afastar-se sem se importar.

Jesus inverte a questão e pergunta pelo sujeito e não pelo objeto do amor ao próximo. Com a parábola Jesus não quer apresentar apenas um belo exemplo, mas abrir uma nova perspectiva. O amor concreto é definido na resposta à pessoa necessitada, que pode ser até inimiga. O amor nos faz livres e criativos! O paradoxo é que o protótipo do amor que salva é a pessoa mais desprezada, e o doutor da lei deve imitá-lo...

 

Sugestões para a meditação

Releia atentamente o texto, observando a astúcia do escriba e a sabedoria espiritual e humana de Jesus

Visualize a cena da parábola e participe dela, lembrando que os samaritanos eram desprezados e os sacerdotes idealizados

Será que nós também não nos distraímos e dispensamos do amor ao próximo em discussões estéreis sobre quem são eles?

Em que medida nós e nossas comunidades não deixamos de lado a compaixão para priorizar as leis e o culto?

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