O mistério do Reino
é compreensível aos pobres
1223 | Tempo Comum |
27ª Semana | Sábado | Lucas 10,17-24
Ao
enviar os 72 discípulos para uma espécie de “estágio missionário”, Jesus insiste
sobre o despojamento e a confiança, e também fala claramente que a rejeição e a
perseguição estão na agenda dos seus enviados. Mas eles voltam e contam
entusiasmados o sucesso daquela pequena aventura missionária e mostram-se
deslumbrados com o poder que pensam ter sobre os espíritos maus.
Jesus joga “um balde
de água fria” no fogo desse entusiasmo e desloca o foco dos motivos de alegria
dos aprendizes de missionários. A derrota
dos espíritos maus é relevante, pois significa o bloqueio e a anulação da
resistência contra o Reino de Deus. A missão dos discípulos faz parte da
derrota do mal e do resgate da justiça. Quando Jesus diz que viu Satanás
caindo, assinala claramente o fim do poder que ele tem sobre as pessoas e
organizações e estruturas sociais.
Entretanto, para
Jesus, a alegria dos seus discípulos missionários não deve estar nos fatos grandiosos e empolgantes que realizam, nas
experiências de poder que fazem, mas no
serviço eficaz ao Reino de Deus, na experiência de serem servidores e
enviados dele, de serem mediadores da ação libertadora de Deus em favor dos
oprimidos. Esta alegria claramente não vem do prestígio nem dos privilégios,
mas da participação eficaz e generosa na missão de Jesus.
Depois de mais esta
lição na escola de formação dos seus discípulos missionários, Jesus irrompe
numa oração de júbilo e gratidão, na qual convida seus enviados a perceberem
que eles fazem parte do coração ou do
vértice da história da salvação: através
deles se realiza aquilo que tantos crentes esperaram. Na inacreditável
força da fraqueza está o coração da revelação cristã! Apesar da prepotência dos
grandes, e por causa da fraqueza dos pequenos, o Reino de Deus vai abrindo
caminho.
Jesus
louva o Pai por dois motivos: porque Deus se revela aos
pequenos e humildes, e mostra sua força exatamente na fraqueza deles; porque
ele se esconde daqueles que se consideram sábios e entendidos, e não conta com
eles como seus mediadores prioritários. Como Jesus está longe de tantos que
hoje se apresentam como seus enviados, e gostam de contabilizar moedas, poderes
e milagres...
Sugestões para a meditação
Releia atentamente os versículos deste trecho do
evangelho, perceba o entusiasmo infantil dos “estagiários na missão”
Acolha com atenção de um discípulo a lição de Jesus
sobre a verdadeira alegria, e procure vê-la estampada na vida e no rosto de São
Francisco de Assis
Você já sentiu entusiasmo diante do sucesso
pastoral, imaginando que isso era unicamente mérito seu?
Como ajudar os evangelizadores a superar a tentação
de valorizar apenas os grandes acontecimentos e os “evangelizadores” que fazem
sucesso e tem poder?
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