sexta-feira, 2 de setembro de 2022

Roteiro de Leitura Orante do Evangelho Nº 864

Ano C Roteiro de Leitura Orante do Evangelho Nº 864

Dia 03/09/2022 | XXII Semana do tempo Comum | Sábado

Evangelho segundo Lucas (6,1-5)

(1) Coloque-se em atitude de oração  

·    Escolha um momento adequado e tranquilo/a para a meditação

·    Escolha o lugar no qual você não seja interrompido/a

·    Busque uma posição corporal que lhe ajude a concentrar-se

·    Acenda uma vela, e tome a bíblia em suas mãos

·    Tome consciência de si mesmo/a e do tempo que vivemos

·    Faça silêncio interior e ative o desejo de ouvir a Palavra de Deus

·    Prepare-se cantando: Tua Palavra é luz do meu caminho” (Aqui: https://www.youtube.com/watch?v=QSL3uxJr7bU)

 

(2) Leia o texto da Palavra de Deus

·    Leia com toda a atenção o texto de Lucas 6,1-5

·    Leia o texto em voz alta (se achar necessário e for possível)

·    Novamente, Jesus está mostrando uma novidade e uma liberdade que escandaliza os religiosos mais conservadores

·    Mesmo sem desprezar a lei e, principalmente, os profetas, Jesus insiste primazia das necessidades humanas sobre todas as leis

·    Neste episódio, Jesus e seus discípulos são questionados por não respeitarem o repouso sabático e a propriedade provada

·    Jesus pede que seus acusadores refresquem a memória, e não omitam aquilo que Deus ensina através da história do seu povo

·    O que a Palavra de Deus diz em si mesma, o que está escrito?

 

(3) Medite a Palavra de Deus

·    Procure perceber o que a Palavra de Deus lida e meditada diz a você hoje, qual é seu sentido nesse momento da vida?

·    Retome a cena, inserindo-se na caminhada de Jesus com seus discípulos, sob o olhar crítico dos fariseus

·    Procure entender com exatidão a crítica que as lideranças religiosas (fariseus) fazem aos discípulos e a Jesus

·    Como você se sente diante da afirmação de Jesus, de que ele é senhor das leis e instituições, e está acima delas?

·    Você ainda defende, ao menos na prática, a prioridade das leis e costumes sobre as necessidades e a dignidade das pessoas?

·    Se achar oportuno e for possível, leia as “pistas” (página 3)

 

(4) Reze com o texto lido e meditado

·    Tome consciência de que este texto é Palavra de Deus

·    Depois de escutar atentamente, agora é sua vez de falar

·    Não mude de assunto, pois sua palavra é sua resposta a Deus

·    Permita que o próprio Deus dirija a sua oração, a sua resposta

·    Não se preocupe com raciocínios e frases bem articuladas

·    Procure perceber o que a Palavra de Deus lhe faz dizer a Deus

·    Apresente-se a Jesus como parte de uma Igreja que ainda se comporta mais como “alfândega” que “hospital de campanha”

·    Peça para ela a liberdade e a alegria do Evangelho, mesmo que isso signifique perder a tranquilidade e “sujar as mãos”

 

(5) Contemple a vida à luz da Palavra

·    Procure contemplar a realidade do mundo com o olhar de Deus

·    Busque meios para colocar em prática o que Deus lhe fala

·    Perceba o que você precisa mudar a partir dessa meditação

·    Responda: O que Deus está pedindo que eu mude ou faça?

·    Faça um esforço para identificar sinais de apegos legalistas nas decisões e atitudes suas, da sua comunidade, da sua família

 

(6) Retorne à vida cotidiana

·    Recite o Pai Nosso e a Ave Maria

·    Recite a invocação: “Jesus, Mestre da compaixão, ajuda-nos a encarnar na vida todas as tuas belas lições”

·    Assuma um compromisso pessoal de conversão e mudança

·    Medite e reze com canção: “A partilha começa na mesa” (https://www.youtube.com/watch?v=iIfCZ8_mWDc)

·    Assuma um compromisso pessoal de conversão e mudança

·    Feche a bíblia, apague a vela e termine seu momento de oração

 

Breves notas sobre Lucas 6,1-5

Vimos ontem como Jesus afirma que seus discípulos/as devem viver a alegre e boa novidade do Reino de Deus, deixando de lado “velhas lições” e “velhos hábitos” rigorosos, que levam a formar guetos de pessoas que se consideram perfeitas e superioras às demais. Hoje, ele volta a essa questão: a pessoa e suas necessidades está acima de toda lei, inclusive do culto.

É sábado e, desta vez, Jesus não está na sinagoga mas se deslocando com seus discípulos pelos campos. Sentindo fome, eles colhem e comem espigas de trigo de uma plantação que não lhes pertence. Os fariseus observam que eles caminham e colhem num dia que não é permitido fazê-lo. E, além disso, não respeitam o “sagrado direito” da propriedade privada.

Segundo a mentalidade dos fariseus, os discípulos de Jesus cometem duas ilegalidades, ou pecados: não respeitam as proibições da lei que impõe repouso no sábado; roubam alimento da propriedade alheia. A segunda acusação é aludida no fato do Antigo testamento que Jesus cita para sua própria defesa: Davi e seus companheiros, estando famintos, se apossam e comem o pão reservado aos sacerdotes. A vida tem prioridade, inclusive, sobre a “sagrada” lei da propriedade privada!

Jesus responde à acusação dos fariseus com duas críticas à postura deles: embora se apresentem como defensores da lei de Deus, eles desconhecem o sentido mais profundo das escrituras (“acaso vós não lestes?”); eles resistem a reconhecer Jesus como o enviado autorizado e Filho de Deus, que é o legislador e, por isso, está acima das leis (“o Filho do Homem é Senhor também do sábado”).

Algumas leis e costumes, por mais importantes que pareçam aos olhos de alguns, não casam com o Evangelho, são como tecido velho irrecuperável ou como barril danificado. Neste momento da história do Brasil, com um povo acossado pela pandemia e pela crise devastadora, Bolsonaro, Guedes e seus acólitos insistem que a lei do teto fiscal é intocável. Se, por causa disso, o povo morre de fome ou e de atendimento médico, isso pouco importa a eles.

 (Itacir Brassiani msf)

Vocação: graça e missão

O chamado não transforma a pessoa como num ato mágico. Ela precisa se dispor a pautar sua vida conforme ele. Os/as seguidores/as não estão livres de momentos de dificuldade, crise e dúvida. O chamado e a eleição não garantem que o caminho seja fácil. Entretanto, podemos ter certeza de que é um caminho possível e de que Deus caminha conosco e nos precede em nossa Galileia, no nosso dia a dia, nas vicissitudes do nosso cotidiano(Texto-Base do 3º Ano Vocacional [2022-2023], § 97).

Leitura Orante do Evangelho

A Leitura Orante da Palavra de Deus é um exercício para iluminar e para fecundar nossa vida cotidiana com a Palavra de Deus. Pode ser feita individualmente ou em família, em grupo ou em comunidade.

O Papa Bento XVI diz que “ouvir juntos a Palavra de Deus, praticar a Lectio Divina, deixar-se surpreender pela novidade do Evangelho, superar a surdez àquilo que não está de acordo com nossas opiniões ou preconceitos, é um caminho para alcançar a unidade da fé, como resposta à escuta da Palavra”.

Em tempos nos quais o amor ao próximo e a precaução com a saúde impõem restrições à convivência e à movimentação social, a Leitura Orante é um modo de ir além da simples assistência de celebrações virtuais e uma forma evitar que este seja um tempo pesado e estéril.

Os textos propostos aqui são aqueles indicados pela Igreja para a liturgia diária. Pessoas e grupos que desejarem, podem escolher outros textos, desde que tenham uma sequência, seja preparado um roteiro e se evite escolher apenas os textos que agradam mais.

Que a Palavra de Deus encontre em cada um/a de nós um terreno fecundo, e, mesmo nesses tempos inesperadamente difíceis, produza bons e abundantes frutos para a vida do mundo.

Missionários da Sagrada Família

https://misafala.org/ | Passo Fundo/RS

(http://itacir-brassiani.blogspot.com/)

O Evangelho dominical (Pagola) - 04.09.2022

SEGUIDORES/AS LÚCIDOS/AS

 

É um erro pretender ser discípulos/as de Jesus sem parar para refletir sobre as exigências concretas de seguir seus passos e sobre a força que devemos ter para fazê-lo. Jesus nunca pensou em seguidores/as inconscientes, mas em pessoas lúcidas e responsáveis.

As duas imagens que Jesus usa são muito concretas. Ninguém começa a construir uma torre sem refletir sobre como deve agir para conseguir terminá-la. Seria um fracasso começar a construir e não conseguir terminar a obra iniciada.

O Evangelho que Jesus propõe é um modo de construir a vida. Um projeto ambicioso, capaz de transformar a nossa existência. Por isso não é possível viver de forma evangélica sem parar para refletir sobre as decisões que devem ser tomadas a cada momento.

O segundo exemplo também é claro. Ninguém enfrenta de forma inconsciente um adversário que vem atacar com um exército muito mais poderoso sem antes refletir previamente se esse combate terminará em vitória ou será uma derrota. Seguir Jesus é enfrentar os adversários do reino de Deus e sua justiça. Não é possível lutar a favor do reino de Deus de qualquer maneira. É necessário lucidez, responsabilidade e decisão.

Nos dois exemplos repete-se o mesmo: os dois personagens sentam-se para refletir sobre as exigências, os riscos e as forças com que contam para levar a cabo a tarefa. Segundo Jesus, entre os seus seguidores e seguidoras sempre será necessário a meditação, o debate, a reflexão. Caso contrário, o projeto cristão pode ficar inacabado, pela metade, ou menos.

É um erro sufocar o diálogo e impedir o debate na Igreja. Precisamos mais do que nunca deliberar juntos sobre a conversão que nós, seus seguidores, temos que viver hoje; sentar para pensar com que forças havemos de construir o reino de Deus na sociedade moderna. Caso contrário, a nossa evangelização será uma torre inacabada.

José Antonio Pagola

Tradução de Antonio Manuel Álvarez Perez

quinta-feira, 1 de setembro de 2022

Roteiro de Leitura Orante do Evangelho Nº 863

Ano C Roteiro de Leitura Orante do Evangelho Nº 863

Dia 02/09/2022 | XXII Semana do tempo Comum | Sexta-feira

Evangelho segundo Lucas (5,33-39)

(1) Coloque-se em atitude de oração  

·    Escolha um momento adequado e tranquilo/a para a meditação

·    Escolha o lugar no qual você não seja interrompido/a

·    Busque uma posição corporal que lhe ajude a concentrar-se

·    Acenda uma vela, e tome a bíblia em suas mãos

·    Tome consciência de si mesmo/a e do tempo que vivemos

·    Faça silêncio interior e ative o desejo de ouvir a Palavra de Deus

·    Prepare-se cantando: Tua Palavra é luz do meu caminho” (Aqui: https://www.youtube.com/watch?v=QSL3uxJr7bU)

 

(2) Leia o texto da Palavra de Deus

·    Leia com toda a atenção o texto de Lucas 5,33-39

·    Leia o texto em voz alta (se achar necessário e for possível)

·    Por causa da Palavra de Jesus, Pedro avançou para águas mais profundas e aceitou o desafio de “pescar diferente”

·    Jesus prosseguiu seu ministério da compaixão restauradora, curando leprosos e paralíticos, aproximando-se de pecadores

·    Jesus vai mostrando uma novidade e uma liberdade que escandaliza os setores religiosos mais conservadores

·    Mesmo sem desprezar a prática do jejum, Jesus insiste na alegria que a irrupção do Reino de Deus proporciona

·    Perceber essa novidade e aderir a ela às vezes se torna difícil, mas não é possível ficar remendando e ajeitando

·    O que a Palavra de Deus diz em si mesma, o que está escrito?

 

(3) Medite a Palavra de Deus

·    Procure perceber o que a Palavra de Deus lida e meditada diz a você hoje, qual é seu sentido nesse momento da vida?

·    Retome pacientemente o episódio, começando pelo chamado de Levi e pela festa na casa dele (v. 27-32)

·    Perceba o escândalo e o desconcerto dos fariseus diante da troca da austeridade e do jejum pela confraternização à mesa

·    Deixe-se inspirar pelas imagens do Reino de Deus: o remendo novo em roupa velha, o vinho novo em pipas antigas e a festa da Aliança

·    Você percebe, em você e sua comunidade, sinais da tentação de usar o Evangelho para remendar práticas que nada tem a ver com eles?

·    Se achar oportuno e for possível, leia as “pistas” (página 3)

 

(4) Reze com o texto lido e meditado

·    Tome consciência de que este texto é Palavra de Deus

·    Depois de escutar atentamente, agora é sua vez de falar

·    Não mude de assunto, pois sua palavra é sua resposta a Deus

·    Permita que o próprio Deus dirija a sua oração, a sua resposta

·    Não se preocupe com raciocínios e frases bem articuladas

·    Procure perceber o que a Palavra de Deus lhe faz dizer a Deus

·    Repita as palavras de Jesus: “Vinho novo deve ser colocado em odres novos!” e peça a graça de não estragar a novidade de Jesus

 

(5) Contemple a vida à luz da Palavra

·    Procure contemplar a realidade do mundo com o olhar de Deus

·    Busque meios para colocar em prática o que Deus lhe fala

·    Perceba o que você precisa mudar a partir dessa meditação

·    Responda: O que Deus está pedindo que eu mude ou faça?

·    O que podemos fazer ou mudar para que nossas comunidades não se sejam mais alfândega que hospital de campanha, e não substituam a alegria do Evangelho pelo vazio das fórmulas?

 

(6) Retorne à vida cotidiana

·    Recite o Pai Nosso e a Ave Maria

·    Recite a invocação: “Jesus, Mestre da compaixão, ajuda-nos a encarnar na vida todas as tuas belas lições”

·    Assuma um compromisso pessoal de conversão e mudança

·    Medite e reze com canção: “A partilha começa na mesa” (https://www.youtube.com/watch?v=iIfCZ8_mWDc)

·    Assuma um compromisso pessoal de conversão e mudança

 

Breves notas sobre Lucas 5,33-39

Depois da pesca frutuosa e do chamado dirigido a Pedro e seus companheiros de trabalho, Jesus cura um leproso (v. 12-16) e um paralítico (v. 17-26), chama o publicano Mateus a segui-lo e vai à casa dele se confraternizar com outros cobradores de impostos e pecadores (v. 27-32). Isso provoca desconforto nos fariseus, que começam questionar as práticas religiosas de Jesus e também o comportamento dos seus discípulos.

Ao interpelar Jesus a respeito do comportamento dos seus discípulos, os fariseus querem, na verdade, atingir o próprio Jesus. O ponto de discordância é o jejum, amplamente praticado pelos fariseus e também por João Batista e seus seguidores. Jesus e seus discípulos fazem pouco caso do jejum e da austeridade, e priorizam a festa e a confraternização. Levi se converteu ao Evangelho de Jesus e, ao invés de fazer jejum, organizou uma festa, para a qual convidou seus companheiros cobradores de impostos!

Na sua resposta, Jesus não despreza o jejum, mas justifica a alegria e a esperança festiva que nasce da chegada do Reino de Deus. E faz isso recorrendo a duas sentenças ou parábolas que contrapõem uma realidade velha e uma novidade. A palavra “novo” aparece quatro vezes, e se refere ao Reino de Deus, à nova Aliança assinada por Jesus. Nesta aliança-casamento Jesus é o noivo da humanidade, e o vinho e o vestido apontam para a festa e a alegria.

Quem entra na lógica do Reino de Deus assume um estilo de vida divergente a alternativo daquele vivido como fachada de um modo superficial: a purificação que agrada a Deus e faz bem às pessoas é interior, e não exterior. Para alguns judeus, mormente os mais piedosos, a abertura à novidade do Reino de Deus, anunciado e inaugurado por Jesus, é difícil, e eles preferem remendos numa roupa velha ou o vinho velho, ao qual já se habituaram.

Os/as discípulos/as de Jesus são convidados/as e perceber e viver essa novidade, deixando de lado “velhas lições” e “velhos hábitos”, rigorosos e excludentes, que levam a formar guetos de pessoas que se consideram perfeitas e superioras às demais.

 (Itacir Brassiani msf)

Vocação: graça e missão

Após a adesão a Jesus e o seguimento de seus passos, o cristão é convocado a anunciar o Evangelho, a Boa-Nova do Reino a todos/as. Além da adesão e da missão, que são elementos fundamentais para o seguimento de Jesus, formamos comunidade. Por isso, desde os primórdios do seu ministério, Jesus de Nazaré optou por formar um grupo de colaboradores como cumprimento da vontade de Deus(Texto-Base do 3º Ano Vocacional [2022-2023], § 90).

Leitura Orante do Evangelho

A Leitura Orante da Palavra de Deus é um exercício para iluminar e para fecundar nossa vida cotidiana com a Palavra de Deus. Pode ser feita individualmente ou em família, em grupo ou em comunidade.

O Papa Bento XVI diz que “ouvir juntos a Palavra de Deus, praticar a Lectio Divina, deixar-se surpreender pela novidade do Evangelho, superar a surdez àquilo que não está de acordo com nossas opiniões ou preconceitos, é um caminho para alcançar a unidade da fé, como resposta à escuta da Palavra”.

Em tempos nos quais o amor ao próximo e a precaução com a saúde impõem restrições à convivência e à movimentação social, a Leitura Orante é um modo de ir além da simples assistência de celebrações virtuais e uma forma evitar que este seja um tempo pesado e estéril.

Os textos propostos aqui são aqueles indicados pela Igreja para a liturgia diária. Pessoas e grupos que desejarem, podem escolher outros textos, desde que tenham uma sequência, seja preparado um roteiro e se evite escolher apenas os textos que agradam mais.

Que a Palavra de Deus encontre em cada um/a de nós um terreno fecundo, e, mesmo nesses tempos inesperadamente difíceis, produza bons e abundantes frutos para a vida do mundo.

Missionários da Sagrada Família

https://misafala.org/ | Passo Fundo/RS

(http://itacir-brassiani.blogspot.com/)

ANO C | TEMPO COMUM | VIGÉSIMO-TERCEIRO | 04.09.2022

O Evangelho nos ajuda a viver com lucidez e liberdade.

Estamos em plena ‘Semana da Pátria’, e sobram apelos vazios ao amor patriota e afirmações cínicas de defesa da soberania nacional. A figura de um presidente tosco e violento que quer continuar governando disfarça um programa de lesa-pátria. E Jesus Cristo, Palavra viva de Deus, chama a nossa atenção para as consequências da palavra dada e para os custos da realização das nossas decisões. Temos mesmo disposição de ir a fundo no seguimento dos seus passos?

Nosso momento cultural não valoriza a prudência e o planejamento. A caderneta de poupança, com seu apelo a economizar, é coisa do passado. Hoje, reina absoluto o cartão de crédito, com seu permanente convite a gastar sem planejamento, a seguir apenas os insaciáveis desejos de consumo. O que se impõe como regra é curtir e saborear a fundo o momento presente, sem preocupação com princípios formulados no passado, nem com aquilo que acontecerá no futuro.

Nesse ambiente, o seguimento responsável e maduro de Jesus Cristo está ameaçado. Precisamos nos perguntar se nossa decisão tem fundamento. É claro que, para a maioria dos fiéis, o início da caminhada na fé cristã não está ligado a uma decisão pessoal, consciente e madura. Recebemos a fé cristã e católica misturada ao leite da mãe, ligada aos hábitos da nossa vizinhança, conjugada com a cultura transmitida pela escola. Seguimos esta estrada porque nos parecia a única, e o fizemos como ovelhas indiferenciadas de um rebanho.

Mas, graças a Deus, crescemos, e os tempos mudaram. O pluralismo das opções que batem à nossa porta ou se oferecem aos nossos olhos todos os dias nos interpelam à aventura noutras estradas, ou a dar razões para permanecer naquela que sempre trilhamos. E hoje sabemos que o Evangelho nos pede prudência e avaliação crítica diante de atitudes e projetos que se travestem de sabedoria e se apresentam falsamente como religiosos. Jesus, com seu projeto de vida para todos, pede uma ruptura radical com a busca de vantagens individuais ou restritas.

Estar com Jesus e seguir seus passos supõe a decisão por uma específica escala de valores: a honra pessoal, a aceitação pública, a segurança dos bens e os próprios vínculos familiares são secundários em relação à prioridade absoluta da solidariedade com as vítimas, à abertura ao outro. A Palavra de Deus, feita carne em Jesus, nos mostra por onde andar. Tomar a cruz e caminhar com Jesus significa estar disposto/a a enfrentar a rejeição dos grandes e poderosos, libertar-se da busca infantil de cargos e honras e contar com a possibilidade do fracasso.

Preferir Jesus Cristo ao pai, à mãe, à mulher ou marido e aos filhos e filhas, à carreira e ao sucesso individual ou grupal significa viver as relações familiares fora dos moldes patriarcais, no horizonte da geração de um mundo de irmãos (como testemunha Paulo em relação a Onésimo e Filemon). É o próprio Jesus quem adverte: “Do mesmo modo, portanto, qualquer um de vós, se não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo”. Está claro que o problema não é possuir alguns bens, cultivar vínculos de amizade ou consumir de modo maduro e consciente, mas deixar-se dominar totalmente pelos bens e pelo consumo, como se o sentido da vida dependesse disso.

O seguimento de Jesus comporta renúncias e rupturas. A renúncia aos bens é um meio para percorrer com mais autenticidade um caminho que conduz à vida abundante, tanto para si mesmo/a como para os outros. Renunciar a tudo significa limpar a casa, abrir espaço, reordenar as prioridades e orientar-se pela compaixão misericordiosa proposta por Jesus, colocar Deus e o Outro acima de tudo. Jesus é a Palavra de Deus que nos desinstala e chama à conversão. Sua proposta está longe de ser um anestésico barato.

Jesus de Nazaré, irmão maior nos caminhos para uma humanidade irmanada e reconciliada, ensina-nos a avaliar bem as possibilidades e exigências do teu Evangelho. Alimenta-nos e ilumina-nos com a tua Palavra, para que nossa consciência não se anestesie diante dos imensos desafios que a situação do Brasil nos apresenta. Ajuda-nos a compreender as exigências do seguimento dos teus passos e a renunciar a tudo o que possa nos afastar de ti. E que Paulo nos estimule a lançar as sementes da igualdade nas terras de um mundo ainda desigual. Assim seja! Amém!

Itacir Brassiani msf

Livro da Sabedoria 9,13-18 | Salmo 89 (90) | Carta de Paulo  Filemon 4-17 |  Evangelho  de São  Lucas (14,25-33)