Maria é modelo de serviço a Deus e aos irmãos
1227 | Memória de Nossa S. do Rosário | Lucas 1,26-38
A
festa de Nossa Senhora do Rosário fui instituída em 1571, pelo Papa Pio V, para
celebrar a vitória romana sobre o exército turco, ocorrida no dia 7 de outubro
daquele ano. Pio V foi também o responsável pela promoção do rosário, como forma
de piedade. Esse exercício devocional mariano, até então conhecido em apenas
alguns pequenos círculos religiosos, foi estendido e recomendado à Igreja
universal em 1716.
No texto de Lucas
escolhido para a celebração de hoje, o
papel central é do Anjo Gabriel, e o clima em toda a narração é de intenso
júbilo. O Mensageiro de Deus saúda Maria com uma expressão típica para
dizer “Esteja bem! Tudo de bom para
você!” O anjo Gabriel diz que o “charme” (graça) dela encantou o próprio
Deus. É claro que o mensageiro de Deus não está se referindo à formosura
física, nem à sua possível perfeição moral de Maria, mas à sua humanidade,
original e sem pecado, como a criação saída das mãos de Deus.
Maria se mostra acolhedora, disponível e confiante em Deus e à
sua vontade. E isso significa que o pecado (egoísmo, ostentação,
fechamento, indiferença) não tem lugar em suas decisões, ações e projetos. Ela é a imagem da humanidade como Deus a
quis, da pessoa humana madura na qual brilha a imagem de Deus, segundo a
qual foi criada. A virgindade de Maria, tão preciosa para a Igreja Católica,
não aponta para uma espécie de supremacia moral, nem para algo como a
meritocracia, mas para sua radical pobreza, impotência e abertura ao projeto de
Deus.
É verdade que Maria é
uma pessoa acolhedora, disponível e serviçal diante da Palavra de Deus, mas
isso não significa que ela seja uma mulher passiva, sem personalidade e sem
iniciativa. Antes, a cena narrada por Lucas nos mostra uma mulher atenta e
reflexiva. Ela pede explicações, interroga o Anjo, quer compreender. Corajosa,
Maria vai descobrindo lentamente a misteriosa ação que Deus realiza nela e
através dela dando beleza, prioridade e grandeza aos humildes e marginalizados.
Quem ama torna-se criativo, toma iniciativas, não pode ser indiferente.
Dizendo que “o poder do altíssimo a
cobrirá com sua sombra”, o Anjo se refere à nuvem/sombra que escondia e
manifestava a glória de Deus no êxodo do povo hebreu, e apresenta Maria como
tenda da presença de Deus no mundo. Maria
prefigura o novo povo de Deus, como o outro, vindo da periferia.
Sugestões para a meditação
Releia atentamente o texto, imaginando-se presente
e ativo na anunciação, num lugar perdido e obscuro da Galileia
Tome como dirigidas a você as palavras do Anjo:
“Alegra-te, cheia de graça! O Senhor está contigo! Não tenhas medo! Encontraste
graça diante de Deus!”
Acolha estas palavras como o horizonte e o
fundamento da sua vocação e missão na Igreja e no mundo
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