É para sermos livres
que Jesus nos libertou
1229 | Tempo Comum |
27ª Semana | Sexta | Lucas 11,15-26
O
foco deste trecho do evangelho, que está inserido na caminhada decisiva de
Jesus a Jerusalém, não é a discussão sobre o exorcismo. O texto sequer descreve
a expulsão de demônios. Na verdade, o
debate gira em torno da identidade de Jesus e em nome de quem – ou com o dedo
de quem – ele combate elimina as forças do mal (simbolizadas no demônio) e
inaugura um tempo de justiça e paz.
Os adversários de
Jesus propriamente não contestam sua ação libertadora, mas dizem que aquilo que
ele faz não passa de “magia negra” ou de conluio com Satanás, e pedem-lhe um sinal espetacular que seja
capaz de convencê-los de que ele vem e age efetivamente em nome de Deus.
Para Jesus, as ações que libertam e reconstroem pessoas dominadas e oprimidas
são sua credencial, são eloquentes sinais do “dedo de Deus”, da irrupção do seu
Reino de Deus.
Diante de
interlocutores divididos em dois grupos – o povo, que fica maravilhado com o
que faz Jesus, e os líderes do judaísmo que o acusam de agir como mediador do
diabo – Jesus desenvolve sua autodefesa.
Ele afirma que são exatamente as suas
ações emancipadoras que o credenciam, e convoca os próprios exorcistas
judeus a julgar aqueles que questionam suas ações. Jesus não fez aliança com
Satanás, mas é mais forte que ele, e o derrotou definitivamente.
Para ilustrar ou
exemplificar o que afirma, Jesus recorre
a duas pequenas parábolas: um povo (um reino ou uma família) internamente
dividido, e um chefe doméstico dominado e expulso de sua casa por alguém mais
forte que ele. O homem mais forte, que vence o senhor da dominação, é Jesus. Ele libertou a família humana do domínio do
mal. Diante dele não há neutralidade: ou estamos com ele, ou agimos contra
ele. Jesus não é agente ou executivo de satanás, pois se assim fosse, Satanás
estaria agindo contra si mesmo e cavando sua própria ruína.
Por fim, Jesus adverte
tanto os judeus que se dizem libertos e salvos pela lei como as pessoas que
foram libertadas por ele mesmo do demônio. Ele sublinha que não basta ser
curado, é preciso ir além, entrar no dinamismo do Reino de Deus e perseverar
nele. Caso contrário, quem se considera uma pessoa de “consciência
limpa” ou totalmente libertada em Jesus Cristo, pode ser vítima dos próprios
caprichos e interesses, e ver-se dominada por desejos contraditórios.
Sugestões para a meditação
Releia atentamente o texto, observando os detalhes
e nuances da discussão sobre as credenciais messiânicas de Jesus
Você é capaz de ver nas ações de Jesus, mesmo
pequenas, os sinais do Reino de Deus, ou espera apenas grandes milagres?
O que você faz para evitar que sua vida, liberta e
limpa por Jesus e seu Evangelho, seja de novo ocupada pelo egoísmo?
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