sábado, 11 de julho de 2026

Vitória de um a três

Importa semear sempre, e ser terra boa e fértil

1139 | Tempo Comum | Semana XV | Domingo | Mateus 13,1-23

Como sabemos, a compreensão das parábolas engaja os ouvintes, provoca uma tomada de posição. Jesus apresentou à multidão a parábola do semeador, ao que parece, originalmente focalizada no personagem que faz a semeadura. Era uma ilustração da própria missão de Jesus. Jesus é quem espalha a semente do Reino de Deus, de mão aberta, e sem excluir nenhum tipo de terreno. Posteriormente, a interpretação da parábola passa a depender tanto do contexto literário original como do contexto existencial, social e eclesial do leitor.

No texto de hoje, o evangelho de Mateus nos apresenta, na sequência da parábola, também uma das suas possíveis interpretações. Essa releitura é feita no contexto da rejeição do Evangelho do Reino de Deus experimentada pela Igreja nascente. Por isso, o foco se desloca do semeador para o destino das sementes, para a qualidade do terreno que recebe a semeadura, vale dizer, do evangelizador para a atitude dos ouvintes do Evangelho do Reino.

Um primeiro grupo de ouvintes é aquele dos que ouvem o anúncio do Reino sem se envolver e entender, e a novidade desaparece sem sequer ter germinado. Um segundo grupo de interlocutores recebe o anúncio do Reino com alegria, intuiu seu valor, mas não o aprofunda, não reflete, fica na superficialidade, e, diante da perseguição, tropeça, definha e abandona o seguimento de Jesus. Há um terceiro grupo que acolhe e compreende o Reino de Deus, mas é a ambição e não Deus quem comanda suas decisões, de modo que o reino de Deus acaba asfixiado.

Na explicação que oferece sobre o dinamismo do Reino expresso na parábola, Jesus é muito realista, e constata que três quartos (ou 75%!) dos seus interlocutores não compreendem adequadamente e, consequentemente, não aderem à novidade do reino de Deus. Mas ele não deixa de se alegrar com a adesão dos 25%, os pequenos e humildes que compreendem, se comprometem, e se fazem discípulos.

Estes últimos são os discípulos missionários que dão uma resposta generosa e fecunda de 100, 60 e 30 por 1! É verdade que três sobre quatro ouvintes desistem e fracassam no caminho, mas, por causa de apenas um, a semeadura do Reino não fracassará! Por isso, importa tanto semear sempre como ser terreno bom, que acolhe a semente e dá o melhor para que os frutos sejam abundantes e bons.

 

Sugestões para a meditação

Como você tem escutado e acolhido a Boa Nova do Reino de Deus nestes tempos de mudanças profundas, de transição e de crise?

A Palavra de Deus ressoa mais vivamente em você, provoca eco, germina, produz frutos? Quais?

O que ainda impede que você seja terreno bom, no qual a semente da Palavra produz cem, sessenta ou trinta por um?

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