sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Quase ninguém tem tempo

O CONVITE DE DEUS

Ao que parece, a parábola do banquete foi muito popular entre as primeiras gerações cristãs, e ficou registada em Lucas, Mateus e até no evangelho apócrifo de Tomás. As versões são tão diferentes e as interpretações tão diversas que só podemos aproximar-nos dos elementos essenciais do relato original.

Deus está preparando uma festa para todos os seus filhos, pois quer ver todos sentados, junto a Ele, à volta da mesma mesa, desfrutando para sempre de uma vida plena. Esta foi certamente uma das imagens mais queridas por Jesus para sugerir o fim último da história humana. Não se contentava só com dizê-lo com palavras. Sentava-se à mesa com todos, e comia até com pecadores e indesejáveis, pois queria que todos pudessem ver, de forma concreta, algo do que Deus desejava realizar.

Por isso, Jesus entendeu a sua vida como um grande convite em nome de Deus. Não impunha nada, não pressionava ninguém. Anunciava a boa notícia de Deus, despertava a confiança no Pai, tirava os medos, acendia a alegria e o desejo de Deus. A todos devia chegar o seu convite, sobretudo aos mais necessitados de esperança.

Jesus era realista. Sabia que o convite podia ser rejeitado. Na versão de Mateus, descrevem-se várias reações. Uns rejeitam conscientemente: «Não quiseram ir». Outros respondem com indiferença: «Não fizeram caso». Importavam-se mais com os seus campos e negócios. Houve quem reagisse de forma hostil contra os servos.

São muitos os que já não escutam qualquer apelo de Deus. Basta-lhes responder por si mesmos diante de si mesmos. Sem talvez se darem conta, vivem uma existência solitária, encerrados num monólogo perpétuo consigo próprios. O risco é sempre o mesmo: viver cada dia mais surdos a qualquer apelo que possa transformar radicalmente a sua vida.

Talvez uma das tarefas mais importantes da Igreja hoje seja criar espaços e facilitar experiências onde as pessoas possam escutar de forma simples, transparente e jubilosa o convite de Deus proclamado no evangelho de Jesus.

José Antônio Pagola

Tradução de Antônio Manuel Álvarez Perez

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