Nenhuma ameaça
consegue intimidar Jesus
1249 | Tempo Comum |
30ª Semana | Quinta | Lucas 13,31-35
Jesus acabava de
responder a quem perguntava se são muitas as pessoas que se salvam, e alertava
que as portas do Reino de Deus estão abertas a todos, mas tem suas exigências.
Eis que, inesperadamente, os fariseus
comunicam a Jesus que ele está em perigo, que Herodes está querendo matá-lo.
Será que viraram defensores e protetores de Jesus? Será que estavam preocupados
com os riscos que enfrentava?
A cena está situada literariamente
na segunda etapa da caminhada de Jesus a
Jerusalém, e ele acabara de acusar o
povo Israel de incredulidade e de elogiar ninguém menos que os pagãos.
Jesus não é ingênuo. Ele percebe a falsidade dos fariseus, pois são emissários
de Herodes e fazem o jogo dele, e pouco estão se “lixando” com o risco que
ameaça Jesus. Ele não se deixa intimidar pelo tirano.
Jesus fala de Herodes usando uma
metáfora bem conhecida da cultura brasileira. Jesus diz que o rei Herodes se parece a uma raposa, como no Brasil
são qualificados os políticos interesseiros. Herodes rosna forte, mas não é um leão: ele não passa de um animal pequeno, mas traiçoeiro, violento e
fedorento, cujo domínio não vai além da Galileia e da Peréia. Ele não passa
de um reizinho frágil e periférico,
por mais que busque o apoio da aristocracia de Israel e bajule o imperador
romano.
A imagem da raposa também ajuda a
compreender a metáfora da galinha e dos
pintinhos. A galinha e seus filhotes são objeto preferido da violência e da
voracidade da raposa. Embora Jesus tente defender e proteger o seu povo como
uma galinha protege seus pintinhos, usando do seu próprio corpo, a elite de Jerusalém refuta o caminho que
Jesus percorre e propõe. Mas ele continua sua missão como “bendito que vem
em nome do Senhor”, curando, libertando e anunciando o Reino.
Fiel
à herança profética, Jesus não muda o
rumo nem o ritmo da sua missão por causa da ameaça de um reizinho decadente.
Ele prossegue, intrépido e generoso, sua missão, sem se afastar da vontade do
Pai para buscar proteção. Ele se identifica com os profetas, mas não é uma
espécie de “kamikaze” que procura a morte como ato redentor do povo e
glorificador de si mesmo. É o Pai, e não
Herodes ou seus asseclas, quem vai dizer quando e como Jesus deve dar sua
missão por terminada. Também hoje, enquanto os cães raivosos e iludidos ladram,
a caravana do Reino avança...
Sugestões para a meditação
Embarque na sugestiva metáfora da raposa que ameaça
a galinha e seus pintinhos, com a qual Jesus fala de Herodes e de si mesmo
Deixe-se impressionar pela firmeza e coragem de
Jesus, que continua sua missão até e como o Pai quer
Perceba a hipocrisia e a falsidade dos fariseus de
todos os tempos, que defendem apenas “pátria, (sua) família e (sua)
propriedade”