sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Ler os sinais sem caçar castigos

Saibamos ler os sinais do tempo que vivemos

1244 | Tempo Comum | 29ª Semana | Sábado | Lucas 13,1-9

No evangelho que meditamos nos últimos dias Jesus nos disse que deseja que o fogo do Espírito se espalhe em toda a terra, mesmo que isso provoque algumas rupturas. Ele dá a entender que o tempo urge, e a última possibilidade para refazer as relações de fraternidade é aqui e agora. A reconciliação com os adversários ainda a caminho do tribunal é sinal de sabedoria, e não de fraqueza.

No texto de hoje, o ensino de Jesus é motivado por duas violentas tragédias, bem conhecidas dos seus contemporâneos. A primeira, ocorrida a pouco e comunicada a Jesus naquele momento por algumas pessoas, é a violenta repressão desencadeada por Pilatos sobre um grupo de galileus, no interior do próprio templo sagrado. A segunda, que o próprio Jesus acrescenta, reforçando a primeira e chamando a atenção dos seus ouvintes, havia acontecido há mais tempo: a queda acidental de uma torre de guarda sobre algumas pessoas.

Jesus parte destes dois acontecimentos para corrigir uma visão parcial e errônea dos seus discípulos e demais contemporâneos, e para chamar todos à conversão ao Reino de Deus. Muita gente via acontecimentos semelhantes como a punição de Deus reservada aos pecadores. Por isso, a pergunta incisiva de Jesus: “Vós pensais que esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros? Pensais que eram mais culpados do que todos os outros moradores de Jerusalém?”

Jesus quer desfazer a ideia corrente de que as vítimas são as culpadas, e lê estes acontecimentos numa perspectiva profética: eles são sinais, e precisamos perceber neles um chamado à mudança de vida e de mentalidade. “Se vós não vos converterdes, ireis morrer todos do mesmo modo”, repete Jesus, como um refrão. Trata-se de “fazer as pazes”, ou de viver de modo fraterno e solidário com as pessoas que consideramos culpáveis e condenáveis, enfim, com aqueles que ignoramos ou que tratamos, sem razões plausíveis, como nossos inimigos.

Mas isso deve ser feito sem nenhuma demora, com senso de urgência. Deus tem paciência com quem não produz frutos, mas ele tem seu calendário! À figueira estéril, que persistia sem frutos, ele dá só mais um ano! Ele cuida e trata com atenção e delicadeza, mas não é bobo. Aprendamos a contar nossos dias, não percamos a hora da graça, não deixemos para amanhã os passos que podemos dar hoje.

 

Sugestões para a meditação

Você percebe, em você, na sua família e na sua comunidade, a velha ideia de que as tragédias são castigos de Deus?

Quais são as consequências pessoais e eclesiais da afirmação de que ninguém é mais pecador que ninguém?

Será que, num certo sentido, alguns grupos religiosos atuais não estão presos à mesma mentalidade que Jesus reprova neste texto?

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