Saibamos ler os
sinais do tempo que vivemos
1244 | Tempo Comum |
29ª Semana | Sábado | Lucas 13,1-9
No evangelho que
meditamos nos últimos dias Jesus nos disse que deseja que o fogo do Espírito se
espalhe em toda a terra, mesmo que isso provoque algumas rupturas. Ele dá a
entender que o tempo urge, e a última
possibilidade para refazer as relações de fraternidade é aqui e agora. A
reconciliação com os adversários ainda a caminho do tribunal é sinal de
sabedoria, e não de fraqueza.
No texto de hoje, o ensino de Jesus é motivado por duas
violentas tragédias, bem conhecidas dos seus contemporâneos. A primeira,
ocorrida a pouco e comunicada a Jesus naquele momento por algumas pessoas, é a violenta repressão desencadeada por
Pilatos sobre um grupo de galileus, no interior do próprio templo sagrado.
A segunda, que o próprio Jesus acrescenta, reforçando a primeira e chamando a
atenção dos seus ouvintes, havia acontecido há mais tempo: a queda acidental de uma torre de guarda sobre algumas pessoas.
Jesus parte destes
dois acontecimentos para corrigir uma
visão parcial e errônea dos seus discípulos e demais contemporâneos, e para
chamar todos à conversão ao Reino de Deus. Muita gente via acontecimentos
semelhantes como a punição de Deus reservada aos pecadores. Por isso, a
pergunta incisiva de Jesus: “Vós pensais que esses galileus eram mais pecadores
do que todos os outros? Pensais que eram mais culpados do que todos os outros
moradores de Jerusalém?”
Jesus quer desfazer a ideia corrente de que as
vítimas são as culpadas, e lê estes acontecimentos numa perspectiva
profética: eles são sinais, e precisamos
perceber neles um chamado à mudança de vida e de mentalidade. “Se vós não
vos converterdes, ireis morrer todos do mesmo modo”, repete Jesus, como um
refrão. Trata-se de “fazer as pazes”, ou de viver de modo fraterno e solidário
com as pessoas que consideramos culpáveis e condenáveis, enfim, com aqueles que
ignoramos ou que tratamos, sem razões plausíveis, como nossos inimigos.
Mas isso deve ser feito sem nenhuma demora, com senso de
urgência. Deus tem paciência com quem
não produz frutos, mas ele tem seu calendário! À figueira estéril, que
persistia sem frutos, ele dá só mais um ano! Ele cuida e trata com atenção e
delicadeza, mas não é bobo. Aprendamos a
contar nossos dias, não percamos a hora da graça, não deixemos para amanhã os passos
que podemos dar hoje.
Sugestões para a meditação
Você percebe, em você, na sua família e na sua comunidade, a velha
ideia de que as tragédias são castigos de Deus?
Quais são as consequências pessoais e eclesiais da afirmação de que
ninguém é mais pecador que ninguém?
Será que, num certo sentido, alguns grupos religiosos atuais não estão
presos à mesma mentalidade que Jesus reprova neste texto?
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