A Esperança faz a
hora, não espera acontecer
1240 | Tempo Comum |
29ª Semana | Terça | Lucas 12,35-38
Depois
de falar sobre a relação com os bens materiais, subordinando-os à lógica do
Reino de Deus, Jesus fala sobre a beleza imerecida e gratuita dos lírios do
campo (texto omitido na sequência que estamos refletindo). E adverte os
ouvintes: ninguém pode acrescentar nada, por esforço ou preocupação, à própria
vida. Por fim, pede que os discípulos invistam
em “fundos seguros”, ou seja, no Reino de Deus. Este é o tesouro que os
ladrões não roubam e a ferrugem não come. E é essa a atitude esperada daqueles
a quem foi oportunizada uma grande colheita.
No texto de hoje, o assunto do ensino de Jesus é a espera
vigilante e ativa do Reino de Deus, especialmente quando ele parece demorar
ou ser uma simples ilusão. Jesus se dirige aos discípulos, e sua fala está
marcada pelo tempo pós-pascal, com a crise da espera e da confiança que os
discípulos enfrentavam com o adiamento do “retorno” de Jesus. A espera vigilante é sempre essencial para
quem segue os passos de Jesus. Ninguém pode, sob nenhum pretexto, “baixar a
guarda”. Viver esperando significa viver de espera, mas vigilantes; significa
esperançar as buscas e a espera.
Jesus ilustra esta espera ativa com duas imagens (o
cinto que cinge os quadris e as lâmpadas sempre acesas) e com três parábolas (das quais hoje meditamos apenas a primeira).
Para esperar adequadamente o retorno do patrão da festa de casamento, o pessoal
da casa deve estar preparado: acordado, com as lâmpadas da casa acesas e com o
cinto bem ajustado, para que as vestes não impeçam os movimentos necessários
para acolher e servir. E isso mesmo que a hora for adiantada e o sono começar a
pesar no corpo. Assim, podem abrir a porta, sem demora nem obstáculos. Isso é
viver de modo sábio e responsável.
Relendo
a parábola no horizonte do discipulado, entendemos que, se Jesus partiu, ele
não disse adeus, e voltará. Disso não podemos duvidar, nem esperar
“atirando-nos nas cordas”. Precisamos ser como o “pessoal da casa” da parábola.
Jesus foi celebrar a aliança, e crer
nele significa mover-se numa fé vigilante, ativa e perseverante no serviço.
É ela que acende luzes na escuridão e ajuda a caminhar com segurança, pois a
noite está no fim, mas a aurora ainda não raiou. A recompensa é a participação na mesa dos amados de Deus, do povo
que ele ama, escolhe, educa e envia. O próprio Jesus, Servo bom e fiel, os
servirá à mesa.
Sugestões para a meditação
Retome e reconstrua o fato, a parábola e a
conclusão de Jesus, acolha suas palavras e incisivas, deixe-se levar pelas
imagens do cinto e da luz
Imagine-se dentro da parábola do pessoal da casa
que espera a volta do patrão, ansiosos e atentos
Identifique as situações em que você cede à
tentação de “baixar a guarda”, de simplesmente “levar a vida”
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