As palavras de Jesus
não soam como insulto?
1235 | Tempo Comum |
28ª Semana | Quinta | Lucas 11,42-46
A
expressão “ai de vós” é própria dos profetas e profetizas de Israel, recorrente
nos apelos à conversão em situações de pecado e de injustiça social, já que são
essas situações que atraem a ruína da sociedade, especialmente dos mais pobres.
São mais lamentações que ameaças, e têm mais força moral e espiritual que
poder. Mas não esqueçamos que, segundo Lucas, Jesus pronuncia essa série de
advertências aos fariseus estando na casa de um deles!
Jesus começa
dirigindo-se aos fariseus. A primeira lamentação, crítica
ou denúncia de Jesus voltada aos fariseus põe em evidência a proverbial obsessão deles pelos detalhes
insignificantes das leis, ao mesmo tempo em que ignoram olimpicamente
aquilo que é transcendente e essencial, ou seja, a prática do amor e da justiça
em favor dos setores sociais em situação de vulnerabilidade social e das
pessoas desamparadas. Eles se apegam à
exterioridade e às coisas secundárias.
A segunda acusação é a
constante reivindicação de prioridade,
honra e privilégio, uma espécie de gosto pelo exibicionismo. No fundo, segundo
Lucas, os fariseus querem ser considerados e reconhecidos como as pessoas e os
fiéis mais perfeitos, mais honrados e mais importantes, mas não se preocupam
com a incoerência com aquilo que creem e ensinam. Assim, vivem o contrário daquilo que ensinam, e o que fazem é colocar
fardos pesados nas costas dos mais pobres.
A terceira crítica
dirigida aos fariseus é de falsidade ou hipocrisia,
o hábito de demonstrar uma piedade que não vivem, de esconder a podridão
interior e os interesses vorazes sob uma roupagem de piedade. É nisso que os
fariseus, como grupo religioso e social, se
parecem com sepulturas disfarçadas com pinturas e ornamentos, comportamento
que leva os fiéis a andar por caminhos errados e a se contaminarem com
imundícies sem darem-se conta.
Mais que uma ira santa contra alguns, Jesus expressa aqui seu amor solidário
pelas vítimas desses comportamentos contraditórios. Mas, para a elite do
judaísmo, essa fala de Jesus ressoa como acusação
e insulto, e este chapéu acaba servindo também à cabeça dos mestres da lei.
Como eles assumem as dores dos fariseus, Jesus contempla também eles em sua
crítica: o pecado deles consiste em impor pesados fardos aos ombros já
encurvados, em vez de estender a mão para erguê-los.
Sugestões para a meditação
Reconstrua mentalmente a cena na casa do fariseu,
participe dela, escute cada acusação que Jesus dirige ao seu grupo
Será que nós, que exercemos alguma liderança, não
somos parecidos com os fariseus? Onde nossas hipocrisias se mostram mais
claramente?
Em que situações somos como sepulturas que ninguém
vê e, por isso, levamos a pessoas a práticas desviantes do Evangelho?
Nenhum comentário:
Postar um comentário