domingo, 11 de outubro de 2026

Dai-nos a bênção ó Mãe querida!

Aparecida é educadora e defensora dos pobres

1232 | Solenidade de Nossa Senhora Aparecida | João 2,1-11

O casamento narrado por João é um entre as tantas bodas que aconteciam no tempo de Jesus, e Caná é um lugar insignificante. Mas Jesus, seus discípulos, seus parentes e sua mãe estavam lá, e isso confere importância à cena e ao lugar. Tudo vai como o previsto até que a mãe de Jesus percebe o que ninguém percebia, e avisa o filho. Seu olhar é justo e adequado, e não manifesta crítica aos organizadores da festa.

Notar que o vinho acabou significa perceber a esterilidade da velha aliança e o esgotamento da força salvadora do templo. A crise entre o povo e o Deus do templo chegara ao seu ápice. Na observação de Maria ressoa a voz desolada de um povo inteiro que percebe que a alegria da aliança está se exaurindo e as lideranças religiosas do judaísmo não se dão conta. Respondendo à mãe com o substantivo “mulher”, Jesus parece não dar importância pública aos laços de parentesco.

Maria é uma mulher totalmente seduzida pelo mistério de Deus e pela novidade revolucionária do seu Reino de Deus. A ele e à sua vontade havia dado seu consentimento quando da anunciação do anjo Gabriel. Ela nos ensina que, para ser discípulo de Jesus, é necessário aderir a ele, aprender com ele, e fazer o que ele pede. É preciso passar da nossa vontade limitada e mesquinha à vontade de Deus, ampla e inclusiva, e permitir que nossa vida seja radicalmente transformada.

Atendendo à sugestão da mãe, Jesus aponta para seis jarras de pedra (imagem que nos remete à Lei), mas ele mesmo aparentemente não faz nada. Os serventes (ministros, servidores) que fazem sem demora e sem questionamentos o que Jesus pede, e a água acaba misteriosamente transformada em vinho. Aqui, Jesus age como o verdadeiro noivo (que pouco aparece na cena), e é a humanidade inteira que se beneficia das antigas promessas. Em Jesus, Deus faz uma aliança nova e indestrutível com a humanidade e comunica a ela a vida abundante.

O papel pedagógico e catequético de Maria que a cena sublinha é confirmado em todas as suas manifestações reconhecidas pela Igreja. Assumindo a pele negra dos africanos escravizados no Brasil de ontem, e dos excluídos do Brasil de hoje, Maria proclama de modo inequívoco a dignidade deles. Hoje ela convoca o povo brasileiro a se unir em torno da defesa da soberania e dos setores marginalizados ou ameaçados por uma proposta política que se esmera em caçar direitos e assegurar privilégios.

 

Sugestões para a meditação

O que Maria disse silenciosamente ao Brasil que escravizava os negros quando encontraram sua imagem de cor negra?

O que Maria está dizendo hoje, quando a indiferença, intolerância e a violência contra negros, indígenas, migrantes e pobres reaparecem ameaçadoras?

Daquilo que Jesus fez e pede que façamos, o que é indispensável para resgatar a dignidade dos oprimidos e não votar contra os pobres e contra nós mesmos?

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