Aparecida é
educadora e defensora dos pobres
1232 | Solenidade de
Nossa Senhora Aparecida | João 2,1-11
O casamento narrado por João é
um entre as tantas bodas que aconteciam no tempo de Jesus, e Caná é um lugar
insignificante. Mas Jesus, seus discípulos, seus parentes e sua mãe estavam lá,
e isso confere importância à cena e ao lugar. Tudo vai como o previsto até que a mãe de Jesus percebe o que ninguém
percebia, e avisa o filho. Seu olhar é justo e adequado, e não manifesta
crítica aos organizadores da festa.
Notar que o vinho acabou
significa perceber a esterilidade da velha aliança e o esgotamento da força
salvadora do templo. A crise entre o povo e o Deus do templo chegara ao seu
ápice. Na observação de Maria ressoa a
voz desolada de um povo inteiro que percebe que a alegria da aliança está se
exaurindo e as lideranças religiosas do judaísmo não se dão conta.
Respondendo à mãe com o substantivo “mulher”, Jesus parece não dar importância
pública aos laços de parentesco.
Maria
é uma mulher totalmente seduzida pelo mistério de Deus e pela novidade
revolucionária do seu Reino de Deus. A ele e à sua vontade havia
dado seu consentimento quando da anunciação do anjo Gabriel. Ela nos ensina
que, para ser discípulo de Jesus, é necessário aderir a ele, aprender com ele,
e fazer o que ele pede. É preciso passar
da nossa vontade limitada e mesquinha à vontade de Deus, ampla e inclusiva, e
permitir que nossa vida seja radicalmente transformada.
Atendendo à sugestão da mãe,
Jesus aponta para seis jarras de pedra (imagem que nos remete à Lei), mas ele mesmo aparentemente não faz nada. Os
serventes (ministros, servidores) que fazem
sem demora e sem questionamentos o que Jesus pede, e a água acaba
misteriosamente transformada em vinho. Aqui, Jesus age como o verdadeiro
noivo (que pouco aparece na cena), e é a
humanidade inteira que se beneficia das antigas promessas. Em Jesus, Deus
faz uma aliança nova e indestrutível com a humanidade e comunica a ela a vida
abundante.
O papel pedagógico e catequético de Maria que a
cena sublinha é confirmado em todas as suas manifestações reconhecidas pela
Igreja. Assumindo a pele negra dos africanos escravizados no Brasil de ontem, e
dos excluídos do Brasil de hoje, Maria proclama de modo inequívoco a dignidade
deles. Hoje ela convoca o povo
brasileiro a se unir em torno da defesa da soberania e dos setores
marginalizados ou ameaçados por uma proposta política que se esmera em caçar
direitos e assegurar privilégios.
Sugestões para a meditação
O que Maria disse silenciosamente ao Brasil que escravizava os negros
quando encontraram sua imagem de cor negra?
O que Maria está dizendo hoje, quando a indiferença, intolerância e a
violência contra negros, indígenas, migrantes e pobres reaparecem ameaçadoras?
Daquilo que Jesus fez e pede que façamos, o que é indispensável para
resgatar a dignidade dos oprimidos e não votar contra os pobres e contra nós
mesmos?
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