A compaixão e a
misericórdia purificam tudo
1233 | Tempo Comum |
28ª Semana | Terça | Lucas 11,37-41
No contexto do
duro embate que trava em Jerusalém com as elites defensoras do judaísmo, Jesus
as acusa de ser uma “geração perversa”. E contrapõe a elas dois fatos relatados
pelo Antigo Testamente: o povo pagão de Nínive, que se converte ouvindo a
pregação de Jonas; a rainha pagã que busca Salomão e reconhece sua sabedoria. E
Jesus é mais que Jonas, e mais que
Salomão.
Eis que, neste contexto, um fariseu convida Jesus para um jantar em
sua casa, provavelmente não por amizade, mas por curiosidade e expectativa de poder confirmar seus preconceitos e
comprovar pessoalmente as “heresias” de Jesus. Não esqueçamos que, ao
apresentar estes fatos, Lucas tem presentes as polêmicas vividas pelas
comunidades cristãs do oriente médio, no final do século I da era cristã.
A
liberdade de Jesus espanta o fariseu, e, por sua vez, Jesus fica impressionado com a hipocrisia dele. Então, na própria
casa do anfitrião, Jesus percebe e denuncia que, por trás da aparência de piedade e de correção, os fariseus escondem
uma personalidade geralmente corrompida e um caráter dominado por relações
violentas. Eles defendem a pureza ritual mas esquecem todo o resto.
Jesus propõe ao fariseu e seus
comparsas, e especialmente aos seus discípulos de ontem e de hoje, uma nova interpretação da pureza: ela
não vem dos ritos e de coisas externas, mas da ação, da misericórdia; não depende do rito de lavar objetos ou de
evitar contatos. Jesus passa longe de uma religião e um estilo de vida
centrado nas aparências. Para ele, a ênfase nas aparências sociais não passa de
hipocrisia.
Nas sociedades
rurais antigas, a esmola era partilha
solidária, de justiça, sinal de misericórdia, uma importante prática de correção ou limitação dos efeitos nocivos da
desigualdade. Para Jesus, é nessa
prática generosa e solidária que se distingue o essencial do secundário.
Fazendo o contrário, fechando-se em si mesmas e apegando-se aos seus poucos ou
muitos bens, as pessoas acabam exercendo um poder que oprime, e vivendo uma religião
superficial, mesquinha e hipócrita. Jesus
é exemplo e modelo de uma vida vivida como compaixão e misericórdia.
Sugestões para a meditação
Reconstrua mentalmente a cena, participe dela,
entre na casa do fariseu, veja como ele observa Jesus e como Jesus observa ele
Acolha palavra por palavra as duras palavras que
Jesus dirige ao fariseu, e a todas as pessoas que vivem uma fé de fachada
Que aspectos da nossa prática cristã, como fiéis e
como comunidade, Jesus pede que sejam mudados?
Quais são os aspectos secundários do Evangelho que
nossas Igrejas estão colocando no lugar daquilo que é essencial?
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