O medo não paralisa
o discípulo de Jesus
1236 | Tempo Comum |
28ª Semana | Sexta | Lucas 12,1-7
Depois
das cinco denúncias dirigidas aos fariseus e mestres ou doutores da lei, Jesus
prossegue no seu esforço de delimitar a diferença entre eles e os discípulos
que chama, forma e envia. Mas agora fala diretamente àqueles que o seguem, e em
tom de exortação, não de crítica ou de denúncia.
No meio de uma multidão
que se aproxima atraída por seu ensino e sua ação libertadora, Jesus se dirige aos discípulos chamando-os
de amigos. E alerta para que estejam sempre atentos ao fermento da hipocrisia, característica dos fariseus que
pode contaminar a comunidade cristã. As comunidades, e a Igreja como um todo,
podem sofrer essa influência. E nós sabemos o quanto isso tem acontecido, em
todos os tempos, e alcança setores e personagens da Igreja até hoje.
Este fermento é a perversidade latente, escondida sob uma piedade
não mais que aparente. Todos os que seguimos Jesus precisamos levar uma vida
transparente, crer e viver de modo coerente, gratuito, solidário e
desinteressado. Não se trata de uma adesão meramente formal ou nominal a um
sistema religioso ou a uma instituição. Jesus ilustra isso com três conjuntos de sentenças, ligadas
entre si e em contraposição às críticas e advertências dirigidas aos fariseus e
doutores da lei (mas também aos discípulos e discípulas) que meditamos no
capítulo anterior.
Nos poucos versículos
do trecho do evangelho de hoje, Jesus fala
três vezes sobre o medo. Parece que os
discípulos se sentem acossados pelo medo de não estar à altura de cumprir todas
as minúcias da lei ensinada pelos mestres do judaísmo, e, ao mesmo tempo,
pelo medo de serem rejeitados pelo
judaísmo oficial. Mas o que eles devem temer é a perda do sentido da vida,
a perda do rumo, é trilhar um caminho que não seja o caminho de Jesus. E é isso
que deveríamos temer também nós;
Chamados a evitar uma fé formal e aparente e a anunciar o
Evangelho a todas as pessoas e povos, e não apenas às elites e aos judeus, os discípulos e amigos de Jesus devem estar
cientes de que podem ter o mesmo destino do Mestre. Por isso, devemos
confiar no amor e na assistência permanente do Pai.
Sugestões para a meditação
Reconstrua a cena, veja as multidões se
apertando em torno de Jesus, sedentos de palavras e gestos de compaixão
Acolha cada uma das sentenças que Jesus
pronuncia, procurando dar a elas um significado atual
Quais são os medos que atordoam e
desmobilizam nossas famílias, comunidades e a Igreja como um todo?
Entre na metáfora dos pardais e dos
cabelos, e deixe-se envolver pela confiança que nos faz livres e fiéis em
Cristo
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