quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Por uma paz sustentável

O Evangelho revela e ilumina as divisões

1242 | Tempo Comum | 29ª Semana | Quinta | Lucas 12,49-53

No trecho do evangelho de ontem, fomos advertidos por Jesus para que não aconteça que, mesmo conhecendo a vontade de Deus, vivamos “na sombra e água fresca”, não preparemos nada e nos comportemos como chefes violentos e sem compromisso, prontos a beber, dominar com violência e discriminar. O foco do trecho de hoje é outro, mas a tensão para a construção do Reino de Deus e o tom de urgência continuam. Esperamos o Reino de Deus articulando a paz com a justiça.

A imagem à qual Jesus recorre, assim como sua primeira afirmação, assustam, especialmente a quem quer reduzir a proposta de Jesus a um inocente “paz e amor”. Ele diz claramente que não vem trazer paz, e sim divisão; que não vem apagar os incêndios da ira, mas espalhar o fogo. E mais ainda: ele espera que seus discípulos e discípulas façam o mesmo! Como entender corretamente estas palavras de Jesus? Elas fazem sentido? Os anjos não cantaram “paz na terra” quando ele nasceu? Ele não é o príncipe da paz, sonhado pelo profeta Isaías?

Na perspectiva de Jesus, a paz é fruto do abraço com a justiça, resultado de uma escolha difícil e exigente que precisamos refazer todos os dias. Não há paz fora do âmbito da justiça do reino de Deus. E essa justiça se mostra na compaixão solidária com as vítimas, com todas as categorias de pessoas excluídas e marginalizadas. A paz não pode ser fruto da contemporização com o mal e com a injustiça.

Jesus diz que veio lançar fogo na terra, porque o fogo do Espírito, experimentado por ele no batismo e manifestado na fidelidade até à cruz, revela, distingue e purifica nossas intenções e projetos pessoais e sociais. Este Espírito é o dom de si mesmo, feito de uma vez por todas no alto do Calvário, dom que inunda o mundo como uma enxurrada, que espalha um fogo que acende mil outros focos de incêndio, como as manifestações das juventudes nos últimos dias.

As várias manifestações da divisão das quais fala Jesus no evangelho de hoje não são frutos de um desejo doentio ou violento, de uma mentalidade sectária e litigiosa, mas consequências de um posicionamento lúcido e firme contra a ordem e os hábitos dominantes. Nossa lealdade com a novidade e a justiça do Reino de Deus está acima dos laços familiares e pode até provocar cisão e distanciamento. E isso pode se mostrar até quando escolhemos uma opção política evangélica e mais à esquerda.

 

Sugestões para a meditação

Acolha as palavras incisivas de Jesus, sem deixar-se assustar por elas, mas também sem esvaziá-las de sua natural urgência

Como você vem tentando proporcionar o encontro entre a justiça e a paz, entre o amor e a fidelidade ao Evangelho?

Recorde situações em que, por fidelidade a Jesus e seu Evangelho, você provocou tensões nos círculos mais próximos

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