Os vulneráveis são o
primeiro sacramento
1246 | Tempo Comum |
30ª Semana | Segunda | Lucas 13,10-17
Jesus
ensina que, quando as leis ajudam a viver o amor a Deus e ao próximo, são
importantes e boas. Mas quando já não servem para gerar e proteger a vida, ou
quando se opõem à vida e à dignidade dos pobres, devem ser abandonadas, como
ele mesmo o fez. Nesse amor, que tem dois destinatários, mas uma mesma direção –
a saída de si para priorizar o outro – se resumem as Escrituras. O socorro das pessoas em suas necessidades
vem antes e está acima das leis.
Hoje, Lucas nos
apresenta Jesus na sinagoga. Enquanto mestre, Jesus de Nazaré ensina como “boca
de Deus” e vai ao lugar especialmente
destinado ao ensino da Palavra de Deus. E, mais uma vez, enfrenta a
esclerose do formalismo religioso e a violenta e cínica tirania religiosa
representada e exercida pelas lideranças que controlam o ensino da lei,
especialmente mediante a Sinagoga. Jesus
mostra sua inconformidade com isso, e não se cala nem se acomoda.
Na sinagoga, Jesus vê
uma mulher duplamente excluída: por
ser doente e por ser maneada por um espírito maligno. Ninguém dos mestres ali presentes dá a mínima atenção a ela, com
exceção de Jesus. Jesus toma a iniciativa: sem que ela peça qualquer coisa,
ele a chama, cura e liberta, estendendo a mão num solene e inequívoco gesto que
denota a ação e a proteção de Deus. Para
Jesus, é inaceitável prorrogar o sofrimento daquela mulher por causa de uma
interdição legal.
Jesus curou a mulher
num dia de sábado, e a lei que mandava guardá-lo fechava os olhos de todos a
tudo o mais que não fosse o estrito cumprimento daquilo que era proibido ou
mandado. Por isso, a iniciativa de Jesus
suscita a louvor intenso e agradecido da mulher e, ao mesmo tempo, a fúria do
chefe da sinagoga, que se volta contra ela, evitando atacar Jesus
diretamente. Para ele, os encurvados podem esperar, a lei não! E se instaura a
controvérsia e o debate. Como Jesus se atreve?
Jesus
desmascara a hipocrisia de quem usa a religião para se dispensar do compromisso
com o próximo ou para oprimi-lo. Para Jesus, a atenção às
necessidades e ao bem das pessoas concretas está acima da lei, e manifesta o
querer claro e inequívoco de Deus. O
sentido e a finalidade de todas as leis e instituições é manter viva a memória
e o sonho da criação e da libertação. É daqui que brota a alegria e o
louvor. Fora disso, só resta a vergonha.
Sugestões para a meditação
Retome a cena, os gestos, perguntas e
palavras de Jesus, as reações da mulher encurvada, dos chefes da sinagoga e do
povo
Por quê nos custa tanto colocar a
dignidade e a necessidade das pessoas à frente das leis e ritos?
Como educar e formar nossos fiéis e
comunidades da liberdade solidária do Evangelho de Jesus?
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