Com que compararemos
o Reino de Deus?
1247 | Tempo Comum |
30ª Semana | Terça | Lucas 13,18-21
Para Jesus, o amor atento às necessidades e ao bem das
pessoas está acima da lei, e manifesta o querer de Deus. O sentido do
sábado é manter viva a memória e o sonho da criação e da libertação. É isso que
resume, e é disso que depende toda a Escritura. A religião deve partir daqui, e
os ritos, cultos e doutrinas devem conduzir a isso. O Evangelho de Jesus
estabelece a comunhão de corpo e alma, matéria e espírito, indivíduo e
comunidade, religião e sociedade, fé e política.
Depois da cura da mulher encurvada
na sinagoga em dia de sábado, Jesus conclui a primeira parte do seu ensino,
enquanto se dirige a Jerusalém, com duas
minúsculas parábolas sobre o Reino de Deus: a parábola da semente de
mostarda e a parábola do fermento na massa. Ambas sublinham a importância do início e a força daquilo que é pequeno.
Meditemos sobre elas com a devida atenção.
As ações de compaixão e libertação
que Jesus e seus discípulos espalham e misturam a uma imensa massa inerte
parecem, aos olhos de muitos, irrelevante e sem futuro. “Vale a pena ser bom e
justo?”, perguntam. “Isso não tem futuro!”, repetem outros. “Não passa de uma
gota de água frente ao fogo criminoso que devora o Pantanal e o Cerrado”,
diríamos nós. O mistério do Reino de Deus seria um sonho inútil, ou, na melhor
das hipóteses, apenas uma gota de água no oceano?
Para
Jesus, o “pequeno rebanho” de discípulos é uma minoria ativa, capaz de “fazer a
diferença”.
Eles não se perdem indiferentes e inócuos na massa, mas agem como fermento,
como minoria ativa e transformadora, ou “minorias abraâmicas”, como gostava de
dizer Dom Helder Camara. Como a pequena semente de mostarda, são relevantes e
terão um futuro exitoso, beneficiarão a muitos. O fermento do Reino de Deus,
como Jesus, se “esconde” na massa. Mas vai
fazendo seu trabalho transformador a partir de dentro, em silêncio.
Como
a mostarda, que é semeada na horta doméstica mas abriga nos seus ramos gente
que vem de todas as partes da terra (cf. Ez 17,23-24; Dn 4,20-21), o dinamismo do Reino de Deus progride na
inclusão de todas as pessoas, grupos e povos. E como a pequena medida de
fermento misturada na farinha, o Evangelho corrói as estruturas injustas e as
transforma de dentro para fora. Ninguém ousaria duvidar da força transformadora do fermento, nem da
força escondida na semente...
Sugestões para a meditação
Em que medida também nós, Igreja de hoje,
desconfiamos da força do testemunho e do êxito do Reino de Deus?
Recorde e visualize situações e acontecimentos que
demonstram o dinamismo do Reino de Deus atuando através de meios frágeis
Como você, sua família e sua comunidade cristã,
podem viver e agir como semente de mostarda e fermento na massa hoje?
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