O Evangelho do Reino provoca divisões
1140 | Tempo Comum |
Semana XV | Segunda | Mateus 10,34-11,1
O final da catequese missionária de Jesus segundo o
evangelho de Mateus é surpreendente e, para alguns, pode inclusive soar como
estranho. Ele, cujo nascimento foi celebrado como paz na terra, que disse que
são felizes os fazedores de paz, que pediu que seus enviados saudassem a todos
desejando a paz, diz agora que não veio
trazer a paz, mas a espada e a divisão, inclusive a divisão no interior da
própria família. O que aconteceu com Jesus e como podemos interpretar esse
ensino de forma coerente com o restante do Evangelho?
De fato, o
que provoca divisão não é uma vontade deliberada nossa ou de Jesus, mas a
novidade e o dinamismo transformador do Reino de Deus. O que Jesus quer é
que o Reino de Deus ganhe espaço e força, revolucionando as relações humanas,
sociais, políticas, culturais e econômicas. E, diante disso, ninguém pode ficar indiferente. O
projeto do Reino de Deus e a lógica predominante na sociedade, segundo a qual
“quem pode mais chora menos”, se opõem radicalmente. O Reino de Deus é como uma espada que divide e pede uma lealdade sem
meias palavras.
A lealdade a Jesus e aos valores do Reino de Deus deve estar inclusive
acima dos valores da família patriarcal, por mais que
haja, também hoje, quem deseje mantê-la e promovê-la em nome da civilização
cristã. Amar mais a Jesus que aos
familiares significa colocar ele e o Reino de Deus, a fraternidade sem
fronteiras, acima de todos os outros valores e vínculos. Neste sentido,
Jesus é uma espada que divide!
É na adesão ao Reino de Deus que encontramos
felicidade e vida abundante. A acomodação e as alianças com o “cada um para si”
conduzem à frustração. Tomar a cruz e
seguir Jesus significa aceitar a humilhação e a rejeição, mas não
necessariamente o sofrimento. Implica em subverter a ordem, em permanecer leal
a Jesus, vivendo e testemunhando a vida nova do Reino, até ao martírio.
Se isso tudo nos parece estranho e nos assusta, como assustou aos
discípulos daquele tempo, Jesus nos
consola: ele e o Pai estarão presentes nos seus discípulos, e quem receber
um dos seus discípulos missionários estará acolhendo o próprio Jesus. Nenhum gesto de hospitalidade e
solidariedade, por menor que seja, cairá no vazio. Eis o modo de ganhar a
vida, de não perder o dom que recebemos. Tudo o mais que não queremos perder
pode levar nossa vida à ruína.
Sugestões para a meditação
Como
você tem escutado e acolhido a Boa Nova do Reino de Deus nestes tempos de
mudanças profundas, de transição e de crise?
A
Palavra de Deus ressoa mais vivamente em você, provoca eco, germina, produz
frutos? Quais?
O
que ainda impede que você seja terreno bom, no qual a semente da Palavra produz
cem, sessenta ou trinta por um?
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