O cuidado da vida
não depende de agendas
1197 | Tempo Comum | Semana XXIII | Segunda | Lucas 6,6-11
Em plena semana da pátria, no dia em que recordamos
a transição da nossa condição de colônia para nação independente, a cena do
evangelho de hoje apresenta-nos Jesus
desafiando as leis e instituições e colocando a pessoa e suas necessidades
acima de tudo. Acima das prioridades desse ou daquele governo, acima do
teto ou do arcabouço fiscal, acima dos sacramentos e das diversas normas e
orientações morais e administrativas da Igreja está a pessoa humana concreta.
Jesus está na
sinagoga, em dia de sábado: lugar sagrado, dia sagrado, espaço do império
absoluto da lei e das tradições. Mas nada disso consegue reabilitar um homem anônimo impedido de agir, de fazer
algo bom. A sinagoga, os fariseus e as tradições o ignoram, não podem ou
não querem tomar conhecimento da sua marginalização, nem reabilitá-lo. O legalismo e o formalismo!
Embora necessitado de ajuda, o homem não pede nada. É Jesus que toma a iniciativa, chama
aquele homem vulnerável para o centro da roda e interpela os líderes religiosos
que o espreitam: “O que é permitido fazer no sábado: o bem ou o mal, salvar
uma vida ou deixar que se perca?” Eles sabiam que a lei permitia agir em caso
de necessidade, mas preferiam calar e permanecer indiferentes. Para Jesus, ser
omisso e indiferente já significa fazer o mal!
A ação de Jesus, assim como sua pergunta, é
claramente provocatória. Ele não espera
qualquer resposta, mas um exame de consciência daqueles que o criticam e
condenam. Curando o homem em dia de sábado, Jesus desmonta a sustentação
ideológica dos escribas e fariseus, acusa-os de fazer o mal no dia sagrado e
mostra a esterilidade das instituições que eles defendem. O que tem prioridade
é o cuidado, a defesa e a promoção da vida, e não as tradições, o cuidado de si
mesmo.
“A vida em primeiro lugar!”, e não a economia, o
teto fiscal, o equilíbrio das contas, a louca vontade de um misterioso mercado,
que é o nome usado para encobrir os especuladores. Ser discípulo de Jesus significa agir como ele, fazer a sua vontade,
ser responsável pelo seu Reino, fazer o bem sempre, o máximo bem possível.
Sugestões para a meditação
Retome a cena,
inserindo-se nela, e observe atentamente o que dizem e o que fazem Jesus, os
fariseus e o homem doente
Você é capaz de
perceber como algumas instituições defendem mais as leis e seus interesses que
a dignidade das pessoas?
Você percebe que,
colocando a pessoa no centro, Jesus desvela a esterilidade do tradicionalismo,
do legalismo e do patriotismo?
Em que medida
você ainda defende, ao menos na prática, a prioridade das leis e costumes sobre
as necessidades das pessoas?
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