A intolerância e a
ofensa são coisas sérias!
1196 | Tempo Comum | Semana XXIII | Domingo | Mateus 18,15-20
Mateus dedica os capítulos 16 a 18 do seu evangelho
para nos apresentar o empenho de Jesus na formação dos seus discípulos no modo
de vida inspirado no Reino de Deus. Temos aqui as orientações fundamentais para que a comunidade cristã viva um estilo de
vida liminar: alternativo, inovador, profético e crítico aos estilos então
culturalmente habituais e politicamente predominantes.
Embora seja chamada a ser alternativa, a comunidade dos discípulos não é perfeita.
As tensões e conflitos são inevitáveis. Às vezes, as lideranças são
intolerantes em relação aos erros dos seus irmãos. Para evitar que os membros
da comunidade fiquem à mercê do humor das autoridades, Jesus traça um caminho pedagógico. O objetivo é ajudá-los a tomar consciência
dos erros e mudar de atitude.
O ponto de partida é a convicção de que a ofensa recíproca é algo sério, algo que precisa
ser resolvido, e não ser posto “embaixo do tapete”. O primeiro passo é um
diálogo pessoal e fraterno, para que o
ofensor reconheça seu deslize. Se isso não resolve, volta-se a conversar
com ele na presença de testemunhas. Se também isso resultar em fracasso, a
questão é levada à comunidade dos discípulos.
Mas nem assim o
êxito está garantido! Se as três tentativas resultarem em nada, a ruptura pode ser declarada publicamente.
Mas a missão reconciliadora dos cristãos fiéis não termina com esta declaração.
Colocando os ofensores no grupo dos publicanos e pecadores, Jesus está dizendo
que eles são campo de missão, como
ele mesmo o demonstrou. Longe de Jesus
ratificar práticas de exclusão definitiva!
Jesus pede paciência e lucidez na relação com as pessoas que erram, ou seja, com todos os membros da comunidade. A comunidade cristã (e
não apenas Pedro!) tem a faculdade de
atar e desatar, ou seja: de discernir quem está dentro e quem se coloca
fora dela. Mas é sempre o próprio Jesus
que manifesta sua incondicional inesgotável misericórdia através da sua
presença e ação na comunidade dos discípulos e discípulas que se deixam reconciliar.
Sugestões para a meditação
Retome esta lição
de Jesus, passo a passo, frase por frase; se possível, leia também os
versículos anteriores (v. 1-14)
Como você, sua
família e sua comunidade enfrentam os conflitos e tensões de relacionamento e
convivência?
Por que é sempre
mais fácil queixar-se das pessoas que nos ofendem ou prejudicam a terceiros,
evitando falar com elas?
Reflita sobre o
que significa, na perspectiva de Jesus, tratar os ofensores como gentios ou
cobradores de impostos?
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