segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Nascimento de Maria

Maria, filha de um povo de fé indomável

1198 | Festa da Natividade de Maria | Mateus 1,1-23

Recordamos o nascimento de Maria para destacar a longa preparação e o início da realização da promessa de Deus, da nova e eterna aliança selada na vida, morte e ressurreição de Jesus. As Sagradas Escrituras não estão interessadas na origem de Maria. O que sabemos é que sua história lança raízes na história de um povo marcado pela opressão e pela esperança inabalável. Maria é filha do seu povo e, através dela e do filho, o amor de Deus alcança toda a humanidade, sem nenhuma exclusão. Maria é a “arca da aliança”, e nela se unem a antiga e a nova aliança.

Os relatos de genealogia, como esse de Jesus, nos parecem hoje enfadonhos e inúteis. Mas, para a cultura do oriente antigo, as genealogias eram um modo de assegurar e demonstrar a pertença a um povo, de estabelecer heranças e promessas. No caso de Mateus, mesmo sem apresentar uma genealogia completa de Jesus (ele não cita Moisés nem os profetas), fica claro que Jesus pertence ao povo hebreu, que é um israelita legítimo, um descendente de Davi, encarnação do bom governante.

Normalmente as genealogias apresentam apenas figuras masculinas, pois são narrativas essencialmente patriarcais. Mas Mateus inclui na genealogia de Jesus cinco mulheres: Tamar (filha de uma prostituta), Raab (uma prostituta cananéia), Rute (mulher estrangeira, pertencente a um povo acusado pelos judeus de ter nascido de uma relação incestuosa), e a “mulher de Urias” (mulher sem nome, abusada pelo rei Davi, no auge do seu poder) e Maria de Nazaré.

Incluindo estas mulheres nas origens de Jesus, Mateus deslegitima o patriarcado e sublinha a providência misericordiosa de Deus e a inclusão de pessoas e povos marginalizados nos seus planos e intervenções. Silenciando sobre o pai biológico de Jesus (“José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus”), Mateus sublinha a independência de Deus na sua ação libertadora e nos agentes que escolhe.

Maria é incluída no grupo das outras quatro mulheres (ela é filha da humanidade marginalizada), mas, ao mesmo tempo, representa uma diferença, uma novidade: nela e por ela se manifesta a encarnação de um Deus que intervém na história mediado pelo ser humano, elevando os humilhados e relativizando os poderes e ideologias. Por isso, a aclamamos: “Maria de Deus, Maria da gente!”

 

Sugestões para a meditação

Retome a genealogia, prestando muita atenção nas figuras femininas e na mudança da lógica do texto quando fala da geração de Jesus em Maria

Contemple demoradamente o drama enfrentado por José diante da inaudita e inexplicável gravidez da sua noiva

Qual é a relevância, e o que significa, para você, lembrar que Maria também nasceu, pertence a um povo e faz parte do grupo de mulheres olhadas com desprezo pelos homens?

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