sábado, 5 de setembro de 2026

Abrir-se

SAIR DO ISOLAMENTO

A solidão tornou-se uma das pragas mais graves da nossa sociedade. Os homens constroem pontes e autoestradas para se comunicarem com mais rapidez. Lançam satélites para transmitir todo tipo de ondas entre os continentes. Desenvolve-se a telefonia móvel e a comunicação pela Internet. Mas muitas pessoas estão cada vez mais sozinhas.

O contato humano arrefeceu em muitos âmbitos da nossa sociedade. As pessoas já não se sentem responsáveis pelos outros. Cada um vive encerrado no seu mundo. Não é fácil o dom da verdadeira amizade

Há quem tenha perdido a capacidade de chegar a um encontro caloroso, cordial e sincero. Já não são capazes de acolher e amar ninguém com sinceridade, e não se sentem compreendidos nem amados por ninguém. Relacionam-se todos os dias com muitas pessoas, mas na realidade não se encontram com ninguém. Vivem com o coração bloqueado, fechado a Deus e fechado para os outros.

Segundo o relato evangélico, para libertar o surdo da sua doença, Jesus pede a sua colaboração: «Abre-te!» Não é este o convite que devemos escutar também hoje para resgatar o nosso coração do isolamento?

Sem dúvida, as causas desta falta de comunicação são muito diversas, mas com frequência têm sua raiz no nosso pecado. Quando agimos de forma egoísta afastamo-nos dos outros, separamo-nos da vida e encerramos em nós mesmos. Querendo defender a nossa própria liberdade e independência, corremos o risco de viver cada vez mais sozinhos.

Sem dúvida é bom aprender novas técnicas de comunicação, mas devemos aprender, antes de mais nada, a nos abrirmos à amizade e ao amor verdadeiro. O egoísmo, a desconfiança e a falta de solidariedade são também hoje o que mais nos separa e isola uns dos outros.

Por isso, a conversão ao amor é um caminho indispensável para escapar à solidão. Quem se abre ao amor ao Pai e aos irmãos não está sozinho. Vive de forma solidaria.

José Antônio Pagola

Tradução de Antônio Manuel Álvarez Perez

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