terça-feira, 14 de julho de 2026

Doutores X Pequenos

Jesus se alegra por ser acolhido pelos pequenos

1142 | Tempo Comum | Semana XV | Quarta-feira | Mateus 11,25-27

Ontem, ouvimos a advertência de Jesus às cidades que se fecham aos sinais que pedem uma mudança profunda, rejeitam a oportunidade que lhes abre com seu anúncio e suas ações. No breve texto de hoje, Jesus muda radicalmente seu tom, e se dirige carinhosamente a um novo interlocutor: aos discípulos e discípulas, como que para consolar e fortalecer quem se sente ameaçado e inseguro.

Jesus não ignora a divisão e a rejeição que seu Evangelho provoca. Mas, a partir da sua intimidade com o Pai, percebe que há gente generosa que o acolhe, adere a ele, muda o rumo da própria vida. Ele sabe que essa é a vontade do Pai: que o Reino de Deus, que pertence aos pequenos, humildes e pobres, seja por eles levado adiante, não obstante a extrema limitação dos meios ao alcance deles. Nisso, os sábios das academias e os poderosos entronados contam pouco.

Os sábios e entendidos que se fecham à Boa Notícia do Reino de Deus são as elites culturais, políticas e religiosas, todos os grupos que se sentem superiores, sabidos e seguros, e não conseguem admitir nada além dos próprios interesses de classe. Mas, entre eles, há também outros menos elitizados, que se deixam influenciar por essa mentalidade, e se fecham à novidade libertadora de Deus: algumas cidades, gente do povo e até parentes de Jesus. Tanto ontem como hoje!

Os “pequeninos” dos quais Jesus fala são as pessoas humildes, sem segurança, receptivas ao Evangelho e à pessoa de Jesus, aquelas que o seguem como discípulas, dispostas e aprender sempre. São as pessoas mais vulneráveis, às vezes iludidas pelos doutores da lei, e até vistas como tolas. São as pessoas que entram para a comunidade dos discípulos, convictas de que mestre não é quem sabe tudo, mas quem aprende sempre, que vive como eterno aprendiz.

Mas, atenção! Não é pelo fato de sermos contados entre os batizados ou frequentadores dos sacramentos que somos automaticamente discípulos e estamos livres da arrogância de quem pensa saber tudo. A experiência demonstra o contrário! Na relação no interior das nossas comunidades, e na postura diante das demais confissões cristãs e outras religiões, é frequente sentirmo-nos melhores, superiores e entendidos. Quando agimos assim, acabamos nos afastando da compreensão dos mistérios do Reino de Deus e nos portamos como guias cegos.

 

Sugestões para a meditação

Em quais circunstâncias você se percebe agindo como sábio e entendido, que tem tudo a ensinar e nada a aprender?

Como poderíamos traduzir, com palavras e para as situações de hoje, essa belíssima alocução de Jesus?

O que fazer para deixar-se surpreender pelas delicadezas de um Deus que tem prazer em ser acolhido pelas pessoas humildes e afirmar a dignidade das vítimas?

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