Eu creio na força das pequenas sementes!
1146 | Tempo Comum |
Semana XVI | Domingo | Mateus 13,24-43
O
zelo pelo projeto de Deus às vezes provoca em nós uma santa ira,
e nosso desejo é pegar foices e facões e extirpar da sociedade a injustiça e da
Igreja a ambiguidade, acusando pessoas e “cortando o mal pela raiz”. Esta seria
uma solução relativamente fácil se o joio estivesse apenas fora de nós, nas
estruturas, e se fôssemos pessoas incorruptíveis, sem ambivalências e sem
contradições. Mas o integrismo costuma
se mostrar burro, irracional e violento.
A propósito, Jesus
propõe duas outras parábolas, nas quais contrapõe
a notável pequenez da semente de mostarda e do fermento ao arbusto frondoso e à
massa levedada que produzem. Estas parábolas à perguntas que nos fazemos:
será que a bondade e a compaixão não são ações insignificantes, pequenas e
demasiadamente frágeis frente à injustiça e à opressão? Teremos que nos contentar em ser sempre uma minoria que age apenas para
reparar danos, sem nunca chegar à vitória plena?
Para os grandes
Roma, de Jerusalém e de todos os centros de poder, a semente ou o fermento do
Reino de Deus é insignificante e não tem futuro. Não faltam pessoas e grupos que, em nome da eficácia histórica, propõem
uma Igreja mais forte, centralizada e potente, capaz de medir forças ou
negociar com os impérios. Mas a proposta de Jesus é outra: crer e confiar na força dos fracos, na fecundidade do amor solidário,
no dinamismo revolucionário da profecia e do testemunho.
A pergunta, porém,
ressurge insistente: isso não é apenas
romantismo inconsequente, sonho de adolescente? Jesus responde chamando
nossa atenção para o mundo doméstico e feminino. Precisamos aprender da ação silenciosa, escondida e demorada do
fermento que a cozinheira mistura à farinha. Ninguém ousaria afirmar que a
ação do fermento é ineficaz! Mas, para ser eficaz, o fermento do Reino de Deus
precisa entrar em contato com a farinha, perder-se na massa, esperar.
Esta
parábola do Reino completa o que falta às anteriores. Cada parábola quer evidenciar um aspecto do dinamismo do Reino de Deus.
Aquela do trigo e do joio e a outra da rede nos chamam à paciência e ao discernimento. A história da semente de
mostarda nos ensina a confiança nos meios pequenos e frágeis. E a parábola do
fermento nos interpela ao engajamento
lúcido e transformador, a gastar-se na ação de solapar as bases dos
impérios que ameaçam, intimidam, excluem e matam.
Sugestões para a meditação
Qual
tem sido a força do testemunho de compaixão e solidariedade que vivemos em
nosso ambiente familiar e comunitário?
Por
onde começar para superar o pessimismo de quem pensa apenas no fracasso ou só acredita
no poder das grandes iniciativas e instituições?
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