Nada pode abalar uma
vida coerente
1202 | Tempo Comum | Semana XXIII | Sábado | Lucas 6,43-49
Somente quem tem um olhar limpo e um coração puro está em condições de
ajudar e criticar o próprio irmão. A
misericórdia do Pai, que é bondoso tanto para com os bons como para os ingratos
é o horizonte que nos inspira e a regra primeira. Nessa perspectiva, Jesus hoje nos oferece critérios para reconhecer
o autêntico discípulo do Reino. Não basta reconhecer Jesus como Senhor!
Como a razão de ser da árvore é produzir sombra,
flores ou frutos, espera-se que o
discípulo demonstre o que é naquilo que faz, nas relações que estabelece
com pessoas e com as coisas. E este fruto não é apenas uma canção, uma oração,
uma invocação ou um determinado ato de piedade. Como vimos ontem, revelamos que somos discípulos de Jesus
sendo misericordiosos como Deus o é conosco.
É pelos frutos que produzimos em nossas relações
que revelamos em quem acreditamos e demonstramos a qualidade da árvore que
somos. Não podemos esperar coisa boa de
gente que se orienta pelo ódio ou pela indiferença, que se manifesta pela
eliminação daqueles que julga errado ou incômodo, mas gosta de publicar frases
e imagens de piedade e de pessoa devota em suas redes sociais.
As relações são exteriores, mas revelam os princípios e as decisões
interiores, os valores que nos orientam e consideramos
preciosos. Se nossa consciência é bem formada, se assumimos a escala de valores
do Evangelho, se pautamos nossas ações pela prática e pelo ensino de Jesus,
sempre tiraremos desse tesouro decisões boas e construtivas. Não há como tirar dele
o ódio e a defesa do porte de armas.
O que se espera de nós é coerência entre a fé que professamos e aquilo
que praticamos: seguir Jesus implica em levar a sério sua palavra
e colocá-la em prática em todas as dimensões da vida. Caso contrário, seremos
como as belas mansões construídas sem alicerce, sobre a areia: não resistem
diante da menor prova ou força contrária; ou como as belas sepulturas que
escondem carne em decomposição.
Que a incoerência e a
superficialidade não façam de nós videiras estéreis ou que produzem frutos
venenosos. Que Deus nos livre de sermos como aquelas casas
que, de bonito e bom, só têm a fachada. Dentro delas vigora intolerância,
violência, indiferença e a lei do “cada um para si e deus para todos”.
Sugestões para a meditação
Em que medida a
fé que você demonstra em nossa família e comunidade carecem de coerência?
Quais são os
frutos bons que a escuta e meditação da Palavra e o cultivo da fé em Jesus tem
produzido em você, sua família e sua comunidade?
Você não acha que
corremos o risco de inflacionar novenas, adorações e ritos, mas deixamos
anêmica nossa ação e nossos compromissos?
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