Que o amor com
justiça seja a nossa medida
1201 | Tempo Comum | Semana XXIII | Sexta | Lucas 6,39-42
Um pouco antes desta cena, Jesus deixara claro que a misericórdia do Pai, expressa
concretamente na vida e ação de Jesus, é a referência e o dinamismo que
orienta e move a ação dos cristãos. Nossa condição no mundo é a de aprendizes, e não de juízes. Estamos na
estrada, e não sentados no tribunal. Somos
irmãos e irmãs, e não magistrados. Não pode haver crítica legítima sem
autocrítica. É nosso amor aos mais vulneráveis que nos julgará no entardecer da
vida.
No trecho de hoje, Jesus não se dirige aos fariseus ou doutores da lei, mas à
comunidade de discípulos e discípulas. Para preveni-los do risco da crítica
infundada e de assumirem a postura de superiores e juízes, Jesus recorre a dois provérbios ou sentenças:
aquele do cego que se oferece nesciamente como guia; aquele do cisco no olho
que impede de ver claramente a sujeira externa.
A advertência de Jesus é clara: todos nós podemos
ser cegos e levar os outros a tropeçar e a cair; ninguém está em condições de julgar ninguém; não podemos criticar
ninguém se não exercitarmos a autocrítica
diante de Jesus e do seu Evangelho; em relação aos outros, somos irmãos, e
não juízes. Quando esquecemos isso, acabamos sendo hipócritas, iguais aos
criticáveis fariseus e doutores da lei. Não
há lugar para a soberba e para tribunais penais no interior da comunidade
cristã!
E a regra também é meridianamente clara: nossas relações devem pautar-se pelas
relações de Jesus, único mestre e guia capaz de conduzir à vida e à
verdade. Como discípulos do profeta de Nazaré, não somos maiores nem podemos
ser diferentes do mestre. “Todo
discípulo bem formado será como o mestre”. E Jesus não pautou sua vida pelo
julgamento e pela condenação, mas pelo amor que liberta e edifica. É claro que
isso não elimina a profecia, que nasce da paixão pela verdade. Aliás, a
fraternidade, a acolhida e o respeito aos diferentes não é uma profecia
eloquente?
Somente as pessoas que têm
o olhar limpo e o coração puro (consciência
dos próprios limites) estão em condições
de ajudar e criticar os outros, e sempre como irmãos e irmãs. A
misericórdia do Pai, que é bondoso tanto para com os bons como para os ingratos
e maus, será sempre a nossa medida. Quem
somos nós para colocarmo-nos acima dele? Quem teria competência e
legitimidade para corrigir o próprio filho de Deus, ele que não foi enviado
para julgar e condenar, mas para salvar?
Sugestões para a meditação
Retome cada
palavra e cada comparação ou figura usada por Jesus e tente perceber o que
significam para você
Você percebe, em
você mesmo e na sua comunidade, sinais da tentação de ser como um cego que quer
guiar cegos, corrigir os outros sem fazer autocrítica?
Como podemos evitar
condenar os outros sem deixar de agir e falar com coragem profética diante das
injustiças e mentiras que ferem nossos irmãos e irmãs?
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