domingo, 7 de setembro de 2014

Paulo Henrique

Amor "Fati"

Conservei em mim o índio, o primata,
Aquele que toca os pés no chão e 
leva na bagagem o necessário,
Aquele que caminha entre a bondade e a crueldade
sem temeridade.

A civilização é uma cólera que asfalta a alma humana
tornando-a impermeável, inexprimível, escassa,
Emudece as colisões e embates com utopias.

Conservei em mim o índio, 
Não conheço o pecado. 
Pecado é coisa de branco.
Apenas desejo andar pela vida, 
como os pássaros voam no céu, 
e dar boas gargalhadas da 
embriaguez dos infelizes.

Quão enrijecidos são os rostos dos civilizados...
Suas faces são apenas areia e fungos, 
que apodrecem seus sepulcros chamados vida.

E eu, dançando entre a bondade e a crueldade, 
conservei o índio que há em mim.

Paulo Henrique

(Postulante MSF – Recife)

sábado, 6 de setembro de 2014

A dança de Deus

Um Deus dançarino

Vi Deus dançando.
Me assustei com tamanha visão,
pois haviam me falado que Deus era triste,
pálido e imóvel.

Ao ver a própria imensidão
mergulhada nos embalos dançantes,
conclui que Deus não é triste,
aliás, fizeram-no triste.
Sua boca era toda sorriso, gargalhadas, anedotas.

Como Deus é engraçado,
Como ri do que dizem Dele.
Como era bonito vê-lo consumido
em tamanha alegria, sem tantas regalias,
Apenas música e passos ousados.

De repente, houve um motim no salão,
Um barulho aterrador de pura maldade e hipocrisia,
Não entendia o porquê de tamanho alvoroço.
Logo percebi que haviam pegado Deus,
amarram os seus pés , amordaçaram o seu sorriso e torturaram-no até a morte.

As vozes dos torturadores da vida gritavam:
“Como pode um Deus dançar?
Queremos a volta do Deus triste,
Ele não pode ser alegre!”

Fiquei atônito com tamanhas navalhas
em forma de frases que cortavam o elo entre o divino e a vida.

Após a morte do Deus alegre,
Esconderam seu corpo e apagaram os seus escritos.
Agora, dizem que Ele é triste e não sorri.
Desde então, as palavras acerca Dele encarceram-no.
E eu, não posso acreditar em um Deus que não sorri.


Paulo Henrique

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

A moral sexual na campanha politica

A obsessão pela sexualidade
Assim como no tempo de Jesus, a marginalização moral continua estreitamente vinculada à sexualidade. A diversidade de atitudes, explicações e práticas em torno deste tema não admite neutralidade nem pode ser ocultada. Existem inumeráveis formas de abordagem.
De fato, a sexualidade é uma das dimensões que mais se presta à instrumentalização para fins políticos, ideológicos, econômicos e religiosos. Na moral católica, o campo da sexualidade foi invadido por uma série de tabus, intolerâncias e interditos pautados por um rigorismo exacerbado. Durante séculos, o catolicismo foi caldo de antissexualismo moralizante, motivado por pretensas razões teológicas.
Atualmente, a sexualidade continua sendo o calcanhar de Aquiles da moral vatólica. Existe uma certa obsessão por tudo o que se refere à sexualidade e ao sexto mandamento. Como comprova a história do cristianismo, os pecados sexuais geralmente são definidos com termos ameaçadores (abomináveis, inomináveis). Já os pecados sociais (reter o salário do trabalhador, desviar a verba da saúde, por exemplo) costumam ser tratados com certa tolerância. Ora, os pecados sociais seriam menos graves que os pecados sexuais? Não estaríamos engolindo camelos e filtrando mosquitos?
A religião tem uma força considerável na formação das idéias e na moldagem dos comportamentos, sobretudo no campo da sexualidade. Precisamos nos convencer da urgência de desdramatizar e corrigir a visão distorcida com tudo o que se relaciona com o sexo. Jesus trata a condição humana, da qual a sexualidade faz parte, com liberdade.
Pe. Elio Gasda SJ

(CRB, A paixão e o reino em tempos complexos, 2011, p. 99-100)

A Palavra na vida

Estamos no mês dedicado mais intensamente à Palavra de Deus. O testemunho de Paulo na liturgia da Palavra proposta para hoje me comove. Sendo apóstolo e doutor das nações, ele não se conforma com as divisões que ameaçam o cristianismo nascente, deixa-se iluminar pela Boa Noticia de Jesus Cristo e proclama a sabedoria de Deus, que escolhe o que é fraco e desprezível para destruir a prepotência dos fortes. Para ele, a sabedoria e a força transformadora e libertadora de de Deus se mostra na cruz, na fragilidade e na compaixão solidária de Jesus de Nazaré. “Pois a savedoria deste mundo é insensatez diante de Deus”. Para si mesmo, Paulo não reivindica nada mais que a paridade com os demais apóstolos, poisnada pertence a ele, ninguém pode reivindicar mérito algum, e tudo pertence aos que crêem: Paulo, Apolo, Cefas, o mundo, a vida, a moprte, o presente, o futuro... “Tudo é vosso, mas vós sois de Cristo e Cristo é de Deus...” Diante de Jesus, a multidão se aperta ao seu redor “para ouvir a Palavra de Deus”. Jesus pede licença a Pedro, entra na sua barca cheia de vazio e, desde dentro da sua frustração e da sua impotência, apoiado no seu instrumento cotidiano de trabalho, “ensina as multidões”. E Pedro, por sua vez, relativiza a própria experiência de pescador, esquece o cansaço e a frustração de uma noite inteira mal-sucedida e, “em atenção à tua Palavra” lança as redes de novo, toma distância da superficialidade e “avança para águas mais profundas”. O espanto que o envolve depois da pesca abundante, feita “por causa da Palavra”, cede logo lugar à confiança que Jesus mostra nele: “Não tenhas medo! Tu serás pescador de homens...” Ou seja: Pedro é chamado a deixar seus barcos e redes e, partindo da sua experiência e da confiança na Palavra, reunir homens e mulheres para a liberdade e para a vida, congregando-os no novo Povo de Deus. Louvado seja Deus pelo seu constante diálogo criativo e emancipador conosco. Bendito seja Deus pela sua Palavra, conversa amistosa que nos convida e acolhe na sua intimidade.

Itacir Brassiani msf

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

23° DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO A - 07.09.2014)

Faze-nos discípulos missionários que vivam tua Palavra!

Não se diz com todas as letras, mas o sentimento generalizado é que o ‘outro’ é o nosso inferno. Hoje, o ideal parece ser viver, sofrer e vencer sozinho, sem ninguém por perto para perturbar, ou dividir o prêmio. A experiência do inferno parece não estar ligada à consciência de ter errado mas ao terror de ser corrigido. É proibido importar-se com a vida do ‘outro’, pois isso pode trazer incômodos. Cada um decide e age com absoluta autonomia, e ninguém pode contestar sua decisão e sua ação. O inferno parace abrir suas portas somente quando alguém questiona nosso comportamento, atitude ou ação.
Depois de ter dito que o caminho que nos leva ao Reino de Deus é a acolhida aos pequenos e a atitude de criança; que é preciso evitar comportar-se como pedras no caminho dos pequenos; que Deus age como um pastor que, movido pelo amor pastoral, deixa em segundo lugar as noventa e nove ovelhas que estão protegidas e sai à procura daquela que está em siatuação de risco, no evangelho deste domingo Jesus oferece à comunidade dos discípulos uma proposta para enfrentar os erros e defecções internas. “Se o teu irmão pecar, vá e mostre o erro dele...”
Estamos lembrados do que Jesus disse a Pedro: “O que você ligar na terra será ligado no céu...” Sabemos que este ministério é extensivo a todos aqueles que o reconhecem como Messias e seguem seus passos. Trata-se de continuar sua missão de recriar os laços, de aproximar as pessoas entre si e de Deus, de criar e fortalecer alianças, de renovar a face da terra na força do seu Espírito. Por isso, o objetivo da correção não é punir quem erra ou construir a fama de quem denuncia, mas a conversão e a reconciliação das pessoas e dos grupos sociais que experimentam tensões e divisões.
O que Jesus nos propõe não é um procedimento jurídico mas uma pedagogia, um caminho. E o primeiro passo desse caminho é tomar a iniciativa de procurar discretamente aquele que nos atingiu ou prejudicou, fazendo isso com a atitude do pastor que vai ao encontro da ovelha que se perdeu e, quando a encontra, se alegra mais com ela que com as noventa e nove que não cometeram nenhum erro (cf. Mt 16,12-14). “Se ele lhe der ouvidos, você terá ganho seu irmão.” Mas quando essa iniciativa não é bem sucedida, não há razão para desistir. Jesus propõe um segundo passo...
O segundo passo é voltar ao irmão que pecou com uma ou duas pessoas que ajudarão a convencê-lo do erro e servirão de testemunhas. Se, mesmo assim, ele não aceitar este segundo passo da correção fraterna, há uma terceira possibilidade: comunicar à comunidade eclesial, pois ela recebeu a responsabilidade ligar e desligar (cf. Mt 16,13-20). Se a ruptura se mantiver, há um último recurso: “Se nem mesmo à Igreja ele der ouvidos, seja tratado como se fosse um pagão ou um cobrador de impostos.” E isso não quer dizer lavar as mãos e, muito menos ainda, discriminar ou condenar!
Para os discípulos de Jesus Cristo, pagãos e pecadores são terreno de missão, e tanto a conversão como o perdão supõem um dinamismo ou uma base de sustentação. E este dinamismo se chama oração. A conversão – a nossa e a dos outros! – deve ser cultivada no coração e buscada na oração. Acima de qualquer poder de ligar e desligar, ou de qualquer vontade de punir aqueles que erram, deve estar sempre o desejo concórdia, o amor fraterno. Nada está acima disso: nem a doutrina das Igrejas, nem seus interesses. “Quem ama o próximo cumpriu plenamente a lei”, diz São Paulo.
Sabemos por experiência que algumas mudanças, aquelas que tocam a vida mais profundamente, são muito exigentes e demoradas. Mas não são impossíveis. Por isso, Jesus conclui sua proposta pedagógica de correção fraterna sublinhando a importância da convergência de interesses e projetos na oração. “Se dois de vocês na terra estiverem de acordo sobre qualquer coisa que queiram pedir, isso lhes será concedido por meu Pai que está no céu.” Daí a necessidade de percorrer todos os passos indicados. Uma comunidade baseada na concórdia descobre sua força de reconciliação.
Deus pai e mãe, tu inclinas o ouvido para ouvir nossos clamores e orientar nossos passos. Somos membros do teu povo, ovelhas do teu rebanho. Tua Palavra é luz que dá cor às nossas buscas e lâmpada no nosso caminhar. Por ela tu nos confias o dinamismo da reconciliação e nos ensinas que o amor à nossa ‘pátria amada’ não pode ser colocado acima da sede de justiça e da concórdia, que estão acima das fronteiras nacionais e políticas. Abre nossos ouvidos a esta Palavra e faz da tua Igreja uma comunidade completamente empenhada na reconciliação da humanidade tão dividida. Assim seja! Amém!

Pe. Itacir Brassiani msf
(Profeta Ezequiel 33,7-9 * Salmo 94 (95) * Carta aos Romanos 13,8-10 * Mateus 18,15-20)

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Reflexões do Pe. Ceolin

Pilares para uma sólida espiritualidade cristã

Os fundamentos ou pilares para a construção de uma sólida espiritualidade cristã me parecem ser cinco: humildade, verdade, perdão, perseverança, liberdade, experiência de amor e missão. Vejamos brevemente cada uma delas.
Humildade (simplicidade, docilidade)
Os bem-aventurados são aqueles que têm um coração de pobre! “Se não se converterem e não se tornarem como as crianças, não entrarão no Reino dos céus” (Mt 18,3). “Aquele que entre todos vocês for o menor, será grande” (Lc 9,46). “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua Palavra” (Lc 1,38). “José, não temas receber Maria como esposa...” E José fez como o anjo mandara (cf. Mt 1,20).
E aqui poderíamos recordar ainda a humildade de Jesus, celebrada por Paulo no hino da carta aos Filipenses (2,1-11), assim como sua oração densa no Getsêmani: “Faça-se a tua vontade, e não a minha...” E também a verdadeira sabedoria, descrita por São Tiago (cf. Tg 3,13-18). “Escutem o Espírito Santo... Não endureçam o coração como no deserto...” (Hb 3,7-11).
Verdade (sabedoria, autenticidade)
João nos convida a viver na verdade (cf. 3Jo 3-8). “Eu sou a verdade! Quem me segue não anda nas trevas”, diz Jesus (Jo 8,12). “O Espírito da verdade... ensinará a vocês todas as coisas e lembrará a vocês tudo o que eu lhes tenho dito” (Jo 14,17.26). é nele que encontraremos respostas para as perguntas mais importantes: Quem sou eu? Quais são os valores essenciais e o sentido da vida? Qual o caminho que eu devo seguir?
“Ele nos gerou pela palavra da verdade” (Tg 1,18). “A verdade vos libertará!” (Jo 8,32). “Ninguém vos engane!...” (1Jo 3,7; 4,1-3). “Se dizemos que estamos em comunhão com Deus, e no entanto andamos nas trevas, somos mentirosos e não praticamos a verdade... Se dizemos que não temos pecado, nos enganamos a nós mesmos e a verdade não está em nós” (1Jo 1,6.8).
Liberdade (adesão pessoal, não coagida)
“Se queres ser perfeito..., venda tudo o que você tem, distribua aos pobres..., depois venha e me siga” (Lc 18,22). “Quem vem a mim e não deixa em segundo plano seu próprio pai e mãe, mulher, filhos, irmãos, irmãs e até a sua própria vida, não pode ser meu discípulo” (Lc 14,26). “É para a liberdade que Cristo nos libertou!.. Irmãos, vocês foram chamados para a liberdade!” (Gl 5,1.13), para a vida segundo o Espírito (cf. Gl 6,7-10; Rm 8,1-17; Rm 12,1-2).
Nós somos livres em Cristo (cf. Col 2,16-23; 3,1-4). Fomos libertados para uma vida nova (1Pe 1,13-2,20). E no amor não há temor. A aliança é de amor, nasce dele, mas é livre, sem coação nem ameaças; aderimos por livre e espontânea vontade.
O seguimento de Jesus, o discipulado, é sempre uma opção livre. Abraçamos a vida fraterna e comunitária, o amor fraterno, abraçamos a missão, o projeto de Jesus, sempre por opção pessoal e livre. Deus nos quer filhos, e não escravos! Jesus nos quer amigos, e não uma espécie de soldadinhos! “Vocês são meus amigos!... Eu escolhi vocês!...” (Jo 15,16).
Perdão (reconciliação, misericórdia)
Jesus nos lembra que o perdão é um dinamismo que gera amor (cf. Lc 7,36-49). “Não sejam daqueles que agem baseados no olho por olho e dente por dente; ao contrário...” (cf. Mt 5,38-48). “Portanto, rezem assim...: perdoa-nos as nossas dívidas, como nós perdoamos aos que nos devem... Se vocês perdoarem as faltas das pessoas, também seu Pai celeste perdoará vocês” (Mt 6,12). “Na cruz, Cristo matou o ódio...” (Ef 2,16). “Afastem de vocês toda amargura, ira, cólera, gritaria, difamações e todo tipo de maldade. Sejam bons e misericordiosos uns com os outros, como também Deus perdoou vocês em Cristo” (Ef 4,31-32).
Ressentimentos, ciúmes e invejas endurecem o coração, obnubilam a mente, obstaculizam a ação de Deus, dificultam tremendamente a abertura ao amor de Deus e ao amor dos irmãos.
Persistência (paciência, perseverança, esperança)
Estejam firmes, cingidos com o cinturão da verdade, a couraça da justiça, os pés calçados com o zêlo, mantendo na mão o escudo da fé, para propagar o Evangelho da paz! (cf. Ef 6,14-20). “Combati o bom combate!... Guardei (vivi) a fé...” (2Tm 4,6-8). “Tudo posso naquele que me fortalece” (Fil 4,13). “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados” (Mt 5,6).
“Confiem a Deus toda a sua preocupação, pois é ele quem cuida de vocês... Depois de vocês terem sofrido um pouco, o Deus de toda graça, que por Cristo os chamou à sua glória eterna, ele os reestabelecerá, firmará, fortalecerá e tornará vocês inabaláveis” (Tg 5,7-11).
“Corramos com perseverança a corrida que nos espera, com os olhos fixos em Jesus, que iniciou e realizou a fé. Jesus, em vez da alegria que lhe foi proposta, sofreu a cruz, desprezou a humilhação, e sentou-se à direita do trono de Deus” (Hb 12,1-2). “Quem põe a mão no arado e olha para trás, não serve para o Reino de Deus” (Lc 9,62).
Seguindo a orientação de Jesus, devemos pedir e pedir, sem cansar (cf. Lc 11,5-13). E temos também o exemplo da viúva frente ao juiz indiferente... (cf. Lc 18,1-8)
Experiência do amor de Deus em Jesus
Trata-se da experiência pessoal do amor preferencial, da misericórdia  ou do amor de Deus em Jesus Cristo, um amor primeiro e gratuito. “O que existia desde o princípio, o que temos ouvido, o que temos visto com nossos olhos, o que temos contemplado e nossas mãos têm apalpado: a Palavra da Vida (porque a Vida foi manifestada, nós a temos visto, e estamos dando testemunho e anunciando a vocês a vida eterna, que estava junto do Pai e foi manifestada a nós); isso que temos visto e ouvido, estamos anunciando a vocês, para que vocês estejam em comunhão conosco. E a nossa comunhão é com seu Pai e com seu Filho Jesus Cristo” (1Jo 1,1-3).
“Nisto se tornou visível o amor de Deus entre nós: Deus enviou seu filho único ao mundo, para podermos viver por meio dele. É nisto que está o amor: não é que nós tenhamos amado a Deus, mas foi ele que nos amou e enviou seu Filho para expiação de nossos pecados” (1Jo 4,10).
Missão, fruto do amor e da amizade
“Simão, filho de João, você me ama mais do que estes outros?... Sim, Senhor, tu sabes que sou teu amigo!... Alimente os meus cordeiros..., minhas ovelhas...” (Jo 21,15). Jesus não perguntou a Pedro se ele sabia falar grego ou latim, se sabia onde ficava Roma, se entendia de filosofia... Jesus perguntou se Pedro sabia amar como ele o amava! E, a partir disso, pediu: “Alimente os meus (não os teus) cordeiros...”
O amor de Deus é fundamentalmente misericórdia. É um amor que nos precede, a iniciativa é dele, ele é o Emmanuel. É um amor gratuito, pois nos ama sem considerar se merecemos ou não, sem impor condições, sem exigir retorno. É um amor que a tudo e a todos perdoa. É este amor que pede, fundamenta e dinamiza a nossa missão.
Pe. Rodolpho Ceolin msf

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

"Invadiu? Tem que desinvadir..."

Não vamos falar aqui de Pedro Álvares Cabral, muito embora a origem das escrituras de imóveis privados sobre áreas públicas esteja nas capitanias hereditárias dos portugueses. Já faz muito tempo e ninguém mais se interessa pelo assunto.
O que gera furor é quando os sem-teto descamisados ocupam áreas ou edifícios ociosos para poderem ali morar. É um ataque ao direito e à lei. Onde já se viu, invadir o que é dos outros? Forma-se então uma “Santa Aliança” entre promotores, o Judiciário e políticos de plantão em defesa do Direito à Propriedade.
“Invadiu, tem que ‘desinvadir’!”, disse certa vez o governador de São Paulo para delírio da elite paulista.
Pois bem, é preciso ser coerente. Invadiu, tem que “desinvadir”? Vamos lá. Apenas na cidade de São Paulo, as áreas públicas invadidas ou com concessão de uso irregular para a iniciativa privada representam mais de R$600 milhões de prejuízo anual para o poder público. A CPI das áreas públicas de 2001 mostrou que as 40 maiores invasões privadas representavam na época 731 mil m² de área.
E quem são os invasores?
Comecemos pelo setor de divertimentos. Os clubes Pinheiros, Ipê, Espéria, Paineiras do Morumby e Alto de Pinheiros estão total ou parcialmente em áreas públicas e com cessão de uso irregular. Invadiu, tem que “desinvadir”! Cadê a bomba de gás na piscina do Morumbi?
Ah sim, isso sem falar no Clube Círculo Militar de São Paulo e no Clube dos Oficiais da Polícia Militar. E aí, quem topa despejar?
E os shoppings então… Os shoppings Continental, Eldorado e Center Norte invadiram expressamente áreas públicas, especialmente em suas zonas de estacionamento. No caso do Center Norte, o abuso é gritante. A invasão foi legitimada pelo Judiciário, o que segundo o Relatório da CPI configurou uma “decisão inusitada, inédita e revestida de ilegalidades que prejudicam o Município”.
Ué, o Judiciário legitimou invasão?! Cadê o direito à propriedade? No caso, ainda mais grave, trata-se de propriedade pública.
Compreensível, na medida em que a Associação Paulista dos Magistrados (Apamagis) está sediada numa área pública, com irregularidades na cessão de uso, no bairro nobre do Ibirapuera. E aí, não vai ter bala de borracha nos ilustríssimos juízes?
Querem mais? As agências do Bradesco na praça Panamericana e no Butantã invadiram áreas públicas em seus empreendimentos. O mercado Pão de Açucar, na mesma praça Panamericana, e o Extra da Avenida Jucelino Kubitschek fizeram o mesmo. Assim como as faculdades privadas Unisa e Unip Anchieta.
Por sua vez, o Itaú Seguros e a Colgate-Palmolive foram denunciados pela CPI de 2001 por concessão de uso irregular de áreas públicas.
Outro caso escandaloso é o da Casa de Cultura de Israel, ao lado do metrô Sumaré. Não satisfeitos em invadir o território palestino, os israelenses resolveram também tomar área pública em São Paulo. Tiveram concessão de uso de área pública e não cumpriram com termos e prazos.
E aí, Governador: Invadiu, tem que “desinvadir”! Cadê a tropa de choque para despejar essa turma toda?
E ao Judiciário paulista – tão rápido em conceder liminar de reintegração de posse contra as ocupações de sem-teto – pergunta-se: onde está o mandado contra os clubes, os shoppings e os bancos?
Neste momento, há mais de 25 ordens de despejo contra ocupações de sem-teto só no centro de São Paulo. Nas periferias são outras tantas. Várias foram cumpridas nas últimas semanas, normalmente com truculência policial, como a da Rua Aurora, quando o advogado Benedito Barbosa da Central de Movimentos Populares foi agredido e preso abusivamente.
Também neste momento mais de 8 mil famílias sem-teto, de ocupações da região do Isidoro, em Belo Horizonte, estão à beira de serem jogadas violentamente na rua. A PM mineira está preparando uma operação de guerra, que poder vir a ter consequências trágicas nos próximos dias.
E então? Querem defender o direito à propriedade acima do direito à vida? Defendam, mas sejam ao menos coerentes. Despejem primeiro os bancos, mercados, shoppings e clubes em áreas públicas para depois virem falar da legitimidade de despejar trabalhadores sem-teto.
Guilherme Boulos
http://outraspalavras.net/destaques/quem-sao-mesmo-os-invasores/

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

22° DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO A - 31.08.2014)

O caminho da vida plena passa pela doação de si mesmo!

A atitude contraditória de Pedro, mesmo depois de ter professado sua fé em Jesus e ter sido elogiado por ele, nos previne contra qualquer triunfalismo papal. Como Pedro, muitos de nós desejamos desesperadamente impedir que Jesus realize sua missão pelo caminho do serviço e da cruz e acabamos sendo uma pedra de tropeço na sua missão.  No domingo em que concluímos o mês vocacional e refletimos sobre a vocação das catequistas, descobrimo-nos todos aprendizes na escola de Jesus e chamados a não entrar na lógica excludente do mundo (cf. Rm 12,2).
A resposta de Pedro à pergunta de Jesus havia sido formalmente correta, e até corajosa: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”. Mas a salvação, a relização plena da pessoa humana e da história, não depende unicamente da formalidade e da ortodoxia. Por isso, assim que Pedro termina sua declaração e recebe o elogio, Jesus aparentemente muda o tom da conversa e começa a falar do seu futuro próximo: ele havia tomado a firme decisão de ir a Jerusalém, apesar dos riscos que isso representava; lá sofreria muito nas mãos das autoridades religiosas; acabaria sendo morto, mas depois ressuscitaria.
Com este anúncio, Jesus quer corrigir os resquícios de um certo messianismo triunfalista, do qual os próprios discípulos estavam imbuidos, e mostrar outra imagem de Messias: ele é o Servo que sofre solidariamente e o Profeta perseguido. É aqui que Pedro tropeça e faz tropeçar. Com uma ousadia sem precedentes, “levou Jesus para um lado e o repreendeu. Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isso nunca te aconteça!” A tradução ameniza um pouco as palavras duras de um Pedro atordoado que intima, adverte e ameaça Jesus, afirmando que não é essa a vontade de Deus.
O que Pedro não consegue admitir é um Messias sem poder e crucificado, um Messias pobre e rejeitado, humano e servidor. O que ele não consegue aceitar é uma Igreja sem glórias e sem sucesso, chamada a correr o risco da profecia; uma Igreja que ao invés de se aliar aos poderes sofre nas mãos deles. Também aqui Pedro é porta-voz dos discípulos de todos os tempos. Como é difícil pensar as coisas de Deus e como é fácil, cômodo e atraente pensar as coisas dos homens!... Coisas de Deus são a compaixão, a solidariedade e o serviço; coisas dos homens são a indiferença, o sucesso e o poder.
Há um discernimento que sempre desafia os discípulos e discípulas de Jesus. A cruz não é simplesmente uma imposição à qual Jesus não pode escapar, mas a um caminho que todos devemos trilhar. “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga.” E tomar a cruz significa, em primeiro lugar, assumir a condição das pessoas desprezadas e colocadas à margem, assim como daquelas que resistem e enfrentam os poderes que as marginalizam e oprimem; e em segundo lugar, a possibilidade e a disposição de dar a vida, de sofrer a morte por amor.
A expressão “renuncie a si mesmo” não agrada a muita gente. Seria possível entender esse mandamento de modo positivo e emancipador, não como desprezo por tudo o que é original, pessoal e individual? Não se trata de negar o que há de mais pessoal em cada indivíduo, mas a ideologia de sucesso que nele se aninha. A questão é: negar os interesses mesquinhos, os sonhos infantis de sucesso e onipotência, ou negar o Messias, a compaixão? Pedro teve dificuldades de negar ou renunciar às suas próprias idéias de onipotência e de sucesso e acabou negando Jesus e sua proposta.
Isso não significa contrapor coisas materiais e coisas espirituais, vida terrena e vida eterna mas de de escolher o caminho do amor a si mesmo a ponto de excluir do nosso horizonte os outros e Deus, ou então trilhar o caminho do amor aos outros e a Deus a ponto de esquecer as vantagens pessoais. São dois amores, duas cidades, dois projetos de civilização, dois caminhos opostos de realização humana. É nesse horizonte que Paulo pede que evitemos a acomodação às estruturas deste mundo, que transformemos nossa maneira de pensar e prestemos culto a Deus mediante o dom da nossa vida.
Deus, pai e mãe, vida que se perde por amor. Salva-nos da ideologia religiosa, tão triunfalista quanto medrosa e subserviente frente aos esquemas do mundo. Suscita comunidades de homens e mulheres humanamente maduros, com corações, mentes e mãos conformadas a Jesus de Nazaré. Ansiamos por um tal fogo aceso no coração das pessoas e no coração do mundo. Desejamos seguir os passos do teu filho no despojamento de si e no serviço alegre e solidário aos últimos. É esta graça que vale mais que a vida. É isso que procuramos desde a aurora, e é isso que nos basta. Assim seja! Amém!

Pe. Itacir Brassiani msf
(Profeta Jeremias 20,7-9 * Salmo 62 (63) * Carta aos Romanos 12,1-12 * Mateus 16,21-27)

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Reflexões do Pe. Ceolin

A oração e a escuta da Palavra formam Cristo em nós.

Formar Cristo em nós significa conhecê-lo, amá-lo e segui-lo. E para alcançar isso precisamos dizer “Sim” a ele, deixar que ele entre em nossa vida, deixar-se amar por ele, reconciliar-se por ele (e, por ele, com o nosso passado), ouvi-lo (pois a Palavra de Deus atinge a nossa medula dos nossos ossos e transforma nosso coração, nossos pensamentos e sentimentos).
“Como crianças recém-nascidas, desejem o leite puro da Palavra” (1Pe 2,2). “Ouçam bem e escutem minha voz, prestem atenção e dêem ouvidos às minhas palavras” (Is 28,23). “Recebam com docilidade a Palavra que lhes foi plantada no coração e que pode salvá-los. Sejam praticantes da Palavra, e não apenas ouvintes, iludindo a si mesmos” (Tg 1,21-22). “Quem é de Deus, ouve a Palavra de Deus...”
Mas não podemos esquecer que a oração é também um dos mais importantes meios para formar Cristo em nós, lembrando que orar não significa repetir formalismos, falar consigo mesmo e “com seus botões”. Santa Teresa descreve a oração como tratar de amizade, estando a sós, muitas vezes, com aquele que nos ama.
Eis algumas atitudes e práticas importantes para uma boa e frutífera oração.
“Fechar o quarto”, ou seja: desligar-se do mundo barulhento e dos ruídos internos; amar o silêncio e buscá-lo com perseverança, pois quem não tolera o silêncio demonstra ter perdido a profundidade.
Fixar o olhar e o coração em Jesus, que é o mestre na arte de rezar: pedir com a simplicidade dos discípulos “ensina-nos a rezar” (cf. Lc 11,1-13), e repetir muitas vezes este pedido; observar como Jesus rezava, e rezar com ele; falar-lhe das nossas dificuldades, necessidades e desejos pessoais; ele e o Pai, e não nós, são o centro da oração.
Ter coragem de ser como uma criança em oração: ser natural, espontâneo, franco, aberto, transparente, simples; à medida em que deixamos de ser crianças, desaprendemos como orar...
Orar com fé e confiança: “Crês que eu posso te ajudar?...” Jesus não realizou nenhum milagre em Nazaré, porque o povo não acreditava nele... Quem confia em Jesus e no Pai a eles se abandona e entrega. Se até das pedras Deus pode fazer surgir filhos de Abraão, também tem o poder de nos transformar...
Orar em nome de Jesus: acompanhar a oração de Jesus ao Pai, por mim, pelos outros, pelo mundo; pedir que ele interceda ao Pai por nós, e ele pedirá exatamente aquilo que mais precisamos (cf. Jo 14,12-14; 16,23-24).
Rezar a vida: as alegrias e os sofrimentos, a convivência comunitária, a ação apostólica, as necessidades da Igreja e do mundo, os sentimentos e pecados, o desejo de conhecer, amar e seguir Jesus Cristo sempre mais e melhor.
Perdoar: Temos tanta coisa a perdoar... Mágoas, ressentimentos e tensionamentos não só dificultam a oração, como também diminuem seu poder e eficácia, atrapalham a ação do Espírito em nós. Precisamos aprender a perdoar através da própria oração: orando muitas vezes pelas pessoas de quem não gostamos, que nos ofenderam, ou que não gostam de nós.
Perseverar na oração: Ser como a mulher cananéia e a viúva da parábola (cf. Lc 18,1-8; Tg 1,5-8); programar e cumprir um tempo diário de oração pessoal. Sem isso, nem sonhar em ser discípulo e apóstolo do Amigo! A oração é o caminho para chegar à amizade com Cristo, o início da caminhada da vida cristã.

Pe. Rodolpho Ceolin msf

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

21° DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO A - 24.08.2014)

A fé em Jesus Cristo é o alicerce que sustenta a Igreja.

Jesus deixou a região marginal da Galiléia, onde revelara sua compaixão pela multidão faminta e tomara a iniciativa de alimentá-la, e chegou à região de Cesaréia de Filipe. No passado, esta região era famosa pelo santuário dedicado a Pã, divindade protetora dos rebanhos e pastores. Mais recentemente, o rei Filipe rebatizara a cidade com o nome de Cesaréia de Filipe, em homenagem a César Augusto. Este nome mexia com a questão da soberania e da submissão política de um povo.
A primeira pergunta que Jesus dirige aos discípulos, justamente neste lugar carregado de significado político, soa como uma espécie de enquete: “Quem dizem os homens que é o filho do homem?” E um elemento que não pode ser menosprezado é o apelativo que Jesus usa para referir-se a si mesmo. ‘Filho do homem’ destaca os vínculos de Jesus com os homens e mulheres comuns, e é o nome que ele mesmo prefere e usa com mais frequência. Jesus evita referir-se a si mesmo como Filho de Deus ou Messias...
Podemos imaginar que a resposta não saiu assim muito rapidamente. Entre os discípulos fez-se silêncio, e eles se esforçaram para recordar aquilo que o povo dizia depois de ter escutado e conhecido Jesus. As respostas que eles resumem vinculam Jesus claramente ao movimento profético. O povo identifica a ação e a pregação de Jesus com a missão dos grandes profetas da sua tradição, aqueles homens que falavam e agiam em nome de Deus e defendiam o direito dos oprimidos.
Mas parece que o interesse de Jesus não é fazer uma espécie de pesquisa de opinião... Ele escuta atentamente a resposta dos discípulos, mas não comenta a síntese que eles apresentam. Faz-se novamente silêncio. Então Jesus, olhando os dicípulos nos olhos, pergunta-lhes enfaticamente: “E vocês, quem dizem que eu sou?” O que interessa a Jesus são as fantasias e expectativas que povoam a mente e o coração dos homens e mulheres que seguem seus passos e escutam suas palavras.
A pergunta é séria e as respostas não estavam escritas em nenhuma cartilha. A tradição na qual os discípulos haviam sido formados oferecia possibilidades diversas e contrastantes de resposta. O chão que eles pisavam lembrava deuses pastores e impérios dominadores. A pergunta tocava direto nas expectativas que eles alimentavam sobre Jesus e colocava em questão a relação que tinham com ele. No fundo, Jesus perguntava “que lugar eu ocupo na vida, no projeto e nas opções de vocês?”
Tanto para aqueles discípulos com para nós, as respostas que ouvimos dos nossos pais, catequistas, padres e professores podem ajudar, mas são radicalmente insuficientes. A resposta à pergunta de Jesus deve vir da vida pessoal e eclesial; está inscrita nas nossas práticas, relacionamentos, opções e utopias; está oculta no tipo de relação que cultivamos com Cristo, no lugar que ele ocupa em nossa existência. Portanto, não pode ser uma resposta à flor da pele, na ponta da língua, irrefletida.
Pedro rompe o silêncio. Com voz insegura, mas com serenidade e até uma certa ousadia, fala, como sempre, em nome dos demais discípulos. É claro que ele é o porta-voz do grupo: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo.” É uma afirmação de fé, porque nela Pedro reconhece que aquele ser humano concreto, aquele jovem galileu que se compadeceu da multidão faminta e elogiou a fé de uma mulher pagã, é o Ungido pelo Espírito Santo, o pastor de Israel, o enviado de Deus para realizar seu projeto. E Jesus rebatiza Simão como Pedro/Rocha, pois é sobre essa adesão de fé que ele confia a continuidade da sua missão. Esta adesão firme e fiel se torna chave que abre e fecha portas.
A resposta de Pedro não nasce dos medos ou desejos infantis de onipotência, nem é ensinada pelos doutores de plantão. O reconhecimento e a profissão de fé num Deus presente na carne humana é dom de Deus aos pequenos. Não precisamos de fé para aderir a um deus identificado com os poderosos e as grandes obras, mas ele é indispensável para reconhecer Deus na história e colaborar com sua missão libertadora. É nisso que se manifesta a profundidade da riqueza, da sabedoria e da ciência de Deus, como diz o apóstolo Paulo. Como são insondáveis as decisões e misteriosos os caminhos de Deus!... 
Deus pai e mãe! Teus caminhos são impenetráveis, tu andas pela contra-mão da história dos grandes. Oxalá nossa pregação não se apóie no poder do dinheiro, na força das armas e na persuasão da oratória. E que tua Igreja, inspirada na prática de Jesus de Nazaré, o missionário querido que enviaste ao mundo,  valorize e promova a vocação dos leigos e leigas, tanto na sociedade como na Igreja, reconhecendo sua fé como alicerce firme e evitando tratá-los como menores e dependentes. Assim seja! Amém!

Pe. Itacir Brassiani msf
(Profeta Isaías 22,19-23 * Salmo 137 (138) * Carta aos Romanos 11,33-36 * Mateus 16,13-20)