Deus ama o mundo e
tudo o que nele existe
1204 | Exaltação da Santa Cruz | Domingo | João 3,13-17
O texto que é proposto à nossa
meditação está relacionado com a festa litúrgica de hoje: a exaltação da Santa Cruz. Esta é uma celebração que vem desde o
ano 335, quando foi celebrada a dedicação de duas basílicas, na colina do
Gólgota, em Jerusalém: a basílica da Santa Cruz e basílica da Ressurreição.
Não deixa de ser estranho, ao menos do ponto
de vista histórico e sociológico, exaltar a cruz, recorrente instrumento de tortura e morte usado pelo império romano
contra seus “inimigos”. Seria como exaltar e expor no centro dos nossos
templos, ou carregar no peito ou estampadas em nossas camisas, imagens do “pau
de arara”, de um fuzil ou de um revólver. (Alguns até gostariam, como nos
revelam as imagens que marcaram as últimas campanhas eleitorais no Brasil.)
Para os cristãos, mesmo que pareça paradoxal, a cruz não é memória da violência, do
sofrimento ou da derrota, mas uma expressão clara e contundente do amor sem
limites de Deus pela humanidade. Pregado na cruz, Jesus é a imagem de um
Deus apaixonado pelas suas criaturas, o protótipo do ser humano maduro e livre
como Deus o quis, criado à sua imagem e semelhança, dinamizado pelo seu Sopro
Vital.
Na cruz é como que assinada a aliança de Deus com a humanidade: sua
vontade é totalmente positiva (que todos tenham vida em abundância), universal
(inclui todas as pessoas e todos os grupos humanos) e irreversível (ele não
volta atrás em sua paixão pela humanidade). Um Deus crucificado exclui todo resquício ou ameaça de indiferença ou
de punição, mesmo contra errantes e pecadores.
Na vida de Jesus, mesmo sendo uma imposição
dos poderes constituídos, a cruz é a
efusão da compaixão de Deus, e não um acontecimento inesperado ou passageiro.
Ela toma o lugar da lei, torna-se ponto
de partida e de convergência da vida cristã, e expressa a presença
permanente e libertadora de Deus no mundo, e não apenas no coração das pessoas.
“Nossa glória é a cruz”, exclama São Paulo.
A cruz traz a assinatura de Deus: ele continua amando o mundo e o que
nele existe, e exclui de seu horizonte punições e castigos. Aderir a um Deus crucificado por amor
significa afirmar o amor, e não o poder, o sucesso ou as armas, como princípio,
como meta e como caminho, custe o que custar. Fora disso, nossa fé
seria vazia, e nossos símbolos seriam falsos, ou então armas letais disfarçadas
de piedade.
Sugestões para a meditação
Retome cada
palavra e expressão, em forma negativa ou em forma positiva, e deixe que
ressoem em você
Você ainda só
consegue ver na cruz dor, abandono e sofrimento, ou consegue fixar nela seu
olhar e contemplar o amor de Deus?
O que significa a
expressão “Deus amou tano o mundo” (organização humana, humanidade), em vez de
“Deus amou tanto os indivíduos”?
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