25ª Romaria
Diocesana de Santa Cruz do Sul
(Palavras de Dom
Itacir msf)
Chegando
Queridas irmãs
e irmãos, vindos dos mais diversos lugares da Diocese para esta romaria
jubilar: Bem-vindos, bem-vindas! A graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do
Senhor Jesus Cristo (Rm 1,3).
Jesus, o
Príncipe da Paz; Jesus, aquele que, na cruz, derrubou os muros que separam e
opõem pessoas, igrejas, povos e nações e estabelece a paz duradoura e sem
fronteiras; esse Jesus está de verdade aqui, no meio de nós!
O que ele quer
nos dizer nessa 25ª Romaria Diocesana da Santa Cruz? Vendo em nossos rostos a
tensão e o medo de novas enchentes; entrando em nossos lares e enxugando as
lágrimas das mulheres e crianças que sofrem violências daqueles que deveriam
ser seus protetores; contemplando as manifestações de intolerância e de
violência que se espalham, do Planalto Central aos compôs e fronteiras; voltando
seus olhos severos aos arrogantes que impõem taxas e promovem guerras de
extermínio pelo mundo afora; e fixando seu olhar misericordioso sobre esta
numerosa assembleia aqui reunida e sobre cada um de vocês ministros, catequistas,
diáconos, padres e demais lideranças sociais e comunitárias, incansáveis e
generosas no seu serviço cotidiano, Jesus proclama, com voz forte como um sino: “A paz esteja com vocês!” (Jo 20,21) “Felizes e bem-aventurados os que promovem
a paz!” (Mt 5,9)
Aqui estamos em busca de paz, de relações de confiança,
acolhida, colaboração e solidariedade que assegurem a cada pessoa e à sociedade
como um todo, o pleno bem-estar, aquele “tudo de bom” ou “paz e bem” que
gostamos de desejar uns aos outros.
Buscamos nesta
romaria a paz verdadeira, que nos vem de Jesus Cristo crucificado por amor, e é
vacina contra o ódio e a vingança, contra a dominação e a violência, contra a
indiferença e a intolerância.
Essa paz é dom
gratuito de Jesus Cristo, e precisa ser acolhido com gratidão. Mas ela é também
uma tarefa da qual ninguém pode se dispensar. “Em qualquer lugar que vocês
chegarem, digam primeiro: ‘Paz a esta casa!’ (Lc 10,6). “Assim como o Pai me
enviou, eu também envio vocês!’ (Jo 20,21).
Caminhemos
juntos, lado a lado e ao lado de Jesus, atentos às lições que ele nos dará
sobre a urgente missão de promover a paz. A via-sacra de Jesus é um caminho
concreto no qual aprendemos a construir uma paz profunda, duradoura e sem
fronteiras.
Ouvindo (João 20,19-23)
Naquela noite
de domingo, depois da crucificação, morte e ressurreição de Jesus, os
discípulos estavam assustados diante do poder e da violência dos inimigos. O
medo demonstra a insegurança. Pensavam que haviam perdido para sempre aquele
que tinha palavras de vida eterna.
Mas a noite já
é o início do Dia esperado, como na libertação do Egito. Jesus se manifesta
presente no meio deles. Ele vem para os libertar do medo de perder a vida. Ele
vem para ficar no meio deles, e continuar sendo fonte de vida, ponto de referência,
videira da qual os ramos recebem força e vitalidade, caminho seguro para a paz.
“A paz esteja convosco!” Esta é a saudação daquele que venceu o mundo, que derrotou as forças da
morte e a própria morte. É uma paz que abre portas, abre caminhos, abre as
mentes, abre os corações. É a paz daquele que está vivo no meio de nós e nos
envia para promover a fraternidade e a paz com todas as criaturas, a justiça
social para os pobres e o desenvolvimento integral da pessoa humana, a política
como dedicação corajosa ao bem comum.
A mensagem da
Santa Cruz é a paz verdadeira, a paz vivida como missão corajosa, duradoura,
sem fronteiras. São Paulo nos diz que, “de fato, Cristo é nossa paz” (Ef
2,11-22). Pois a cruz de Jesus reúne povos diferentes e adversários em uma família
de irmãos. A cruz de Jesus derruba os muros que separam e a inimizade que fere.
Do corpo de Jesus crucificado por amor nascem homens e mulheres novos, irmãos e
irmãs de verdade, diferentes, mas iguais em dignidade.
A cruz de Jesus
reestabelece a igual dignidade e a paz entre o corpo e o espírito, entre homens
e mulheres, entre cidadãos e estrangeiros, entre heterossexuais e homossexuais,
entre adultos e jovens, entre católicos e protestantes, entre crentes e ateus,
entre desenvolvimento e meio ambiente, entre partidos e projetos políticos
diferentes.
Não se trata de
uma paz superficial, interior ou psicológica. É uma paz assumida como tarefa,
como empenho árduo e perseverante, que dispensa o recurso aos poderes que se
impõem pela força. É uma paz desarmada e desarmante, que construímos de mãos
abertas e estendidas, como ovelhas indefesas em meio a lobos famintos e
violentos. Uma paz que ninguém poderá nos roubar.
Voltando
“Bem-aventurados
os que promovem a paz! Assim como o Pai me enviou, eu envio vocês! Por onde
vocês passarem, nas casas em que vocês entrarem, nas comunidades às quais vocês
se reunirem, nas celebrações que vocês realizarem, nas ruas que vocês
percorrerem, nos trabalhos que vocês realizarem, nas redes sociais que vocês
usarem, sejam fazedores da paz! Como são belos os pés dos mensageiros que
anunciam, semeiam e cultivam a paz!” (cf. Mt 5; Jo 20,21; Lc 10,5-6; Is 52,7).
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