domingo, 13 de setembro de 2026

Romaria da Santa Cruz

25ª Romaria Diocesana de Santa Cruz do Sul

(Palavras de Dom Itacir msf)

Chegando

Queridas irmãs e irmãos, vindos dos mais diversos lugares da Diocese para esta romaria jubilar: Bem-vindos, bem-vindas! A graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo (Rm 1,3).

Jesus, o Príncipe da Paz; Jesus, aquele que, na cruz, derrubou os muros que separam e opõem pessoas, igrejas, povos e nações e estabelece a paz duradoura e sem fronteiras; esse Jesus está de verdade aqui, no meio de nós!

O que ele quer nos dizer nessa 25ª Romaria Diocesana da Santa Cruz? Vendo em nossos rostos a tensão e o medo de novas enchentes; entrando em nossos lares e enxugando as lágrimas das mulheres e crianças que sofrem violências daqueles que deveriam ser seus protetores; contemplando as manifestações de intolerância e de violência que se espalham, do Planalto Central aos compôs e fronteiras; voltando seus olhos severos aos arrogantes que impõem taxas e promovem guerras de extermínio pelo mundo afora; e fixando seu olhar misericordioso sobre esta numerosa assembleia aqui reunida e sobre cada um de vocês ministros, catequistas, diáconos, padres e demais lideranças sociais e comunitárias, incansáveis e generosas no seu serviço cotidiano, Jesus proclama, com voz forte como um sino: “A paz esteja com vocês!” (Jo 20,21) “Felizes e bem-aventurados os que promovem a paz!” (Mt 5,9)

Aqui estamos em busca de paz, de relações de confiança, acolhida, colaboração e solidariedade que assegurem a cada pessoa e à sociedade como um todo, o pleno bem-estar, aquele “tudo de bom” ou “paz e bem” que gostamos de desejar uns aos outros.

Buscamos nesta romaria a paz verdadeira, que nos vem de Jesus Cristo crucificado por amor, e é vacina contra o ódio e a vingança, contra a dominação e a violência, contra a indiferença e a intolerância.

Essa paz é dom gratuito de Jesus Cristo, e precisa ser acolhido com gratidão. Mas ela é também uma tarefa da qual ninguém pode se dispensar. “Em qualquer lugar que vocês chegarem, digam primeiro: ‘Paz a esta casa!’ (Lc 10,6). “Assim como o Pai me enviou, eu também envio vocês!’ (Jo 20,21).

Caminhemos juntos, lado a lado e ao lado de Jesus, atentos às lições que ele nos dará sobre a urgente missão de promover a paz. A via-sacra de Jesus é um caminho concreto no qual aprendemos a construir uma paz profunda, duradoura e sem fronteiras.

Ouvindo (João 20,19-23)

Naquela noite de domingo, depois da crucificação, morte e ressurreição de Jesus, os discípulos estavam assustados diante do poder e da violência dos inimigos. O medo demonstra a insegurança. Pensavam que haviam perdido para sempre aquele que tinha palavras de vida eterna.

Mas a noite já é o início do Dia esperado, como na libertação do Egito. Jesus se manifesta presente no meio deles. Ele vem para os libertar do medo de perder a vida. Ele vem para ficar no meio deles, e continuar sendo fonte de vida, ponto de referência, videira da qual os ramos recebem força e vitalidade, caminho seguro para a paz.

“A paz esteja convosco!” Esta é a saudação daquele que venceu o mundo, que derrotou as forças da morte e a própria morte. É uma paz que abre portas, abre caminhos, abre as mentes, abre os corações. É a paz daquele que está vivo no meio de nós e nos envia para promover a fraternidade e a paz com todas as criaturas, a justiça social para os pobres e o desenvolvimento integral da pessoa humana, a política como dedicação corajosa ao bem comum.

A mensagem da Santa Cruz é a paz verdadeira, a paz vivida como missão corajosa, duradoura, sem fronteiras. São Paulo nos diz que, “de fato, Cristo é nossa paz” (Ef 2,11-22). Pois a cruz de Jesus reúne povos diferentes e adversários em uma família de irmãos. A cruz de Jesus derruba os muros que separam e a inimizade que fere. Do corpo de Jesus crucificado por amor nascem homens e mulheres novos, irmãos e irmãs de verdade, diferentes, mas iguais em dignidade.

A cruz de Jesus reestabelece a igual dignidade e a paz entre o corpo e o espírito, entre homens e mulheres, entre cidadãos e estrangeiros, entre heterossexuais e homossexuais, entre adultos e jovens, entre católicos e protestantes, entre crentes e ateus, entre desenvolvimento e meio ambiente, entre partidos e projetos políticos diferentes.

Não se trata de uma paz superficial, interior ou psicológica. É uma paz assumida como tarefa, como empenho árduo e perseverante, que dispensa o recurso aos poderes que se impõem pela força. É uma paz desarmada e desarmante, que construímos de mãos abertas e estendidas, como ovelhas indefesas em meio a lobos famintos e violentos. Uma paz que ninguém poderá nos roubar.

Voltando

“Bem-aventurados os que promovem a paz! Assim como o Pai me enviou, eu envio vocês! Por onde vocês passarem, nas casas em que vocês entrarem, nas comunidades às quais vocês se reunirem, nas celebrações que vocês realizarem, nas ruas que vocês percorrerem, nos trabalhos que vocês realizarem, nas redes sociais que vocês usarem, sejam fazedores da paz! Como são belos os pés dos mensageiros que anunciam, semeiam e cultivam a paz!” (cf. Mt 5; Jo 20,21; Lc 10,5-6; Is 52,7).

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