Maria, Mãe dos
aflitos que estão junto à cruz
1205 | Memória de Nossa Senhora das Dores | Lucas 2,33-35
Ao que parece, a devoção e a festa de Nossa Senhora das Dores remonta ao século XV,
e tem origem na cidade de Colônia (Alemanha). Segundo a tradição, as dores de Maria seriam infinitas, mas
podem ser ilustradas em sete: a profecia de Simeão a respeito dela e de
Jesus; o exílio no Egito, com José e Jesus; e perda de Jesus no templo; o
encontro com Jesus no caminho da cruz; a crucificação de Jesus; a morte de
Jesus; o sepultamento de Jesus.
No encontro do velho Simeão com o casal José e
Maria e o filho recém-nascido resplandece
uma convicção: a bondade e a misericórdia de Deus brilham no mundo para
todos os povos, sem nenhuma exclusão. Jesus e a salvação de Deus não pertencem
exclusivamente ao povo de Israel. E essa é uma boa notícia que permite que
Simeão, representante de um povo que esperou por este anúncio séculos e
séculos, conclua sua caminhada e parta em paz.
Mas, como luz
que brilha para as nações (e não só para Israel), Jesus acaba também
definindo a sorte de todas as pessoas que o encontram: ele provoca
discernimento, evidencia as ambiguidades, torna-se
fator de contradição, pedra de alicerce e, ao mesmo tempo, pedra de
tropeço. Diante dele e por ele, uns caem, outros se levantam; uns são
rebaixados, outros são elevados. A luz
sempre mostra tanto o que há de belo como o que há de feio em nós e ao nosso
redor.
Esta profecia de Simeão sobre Jesus
recém-nascido causa admiração em José e Maria, que são abençoados por ele.
Simeão bendiz a Deus e abençoa os pais de Jesus, para que eles possam
contribuir positivamente na realização dessa missão. Mas, dirigindo-se a Maria,
Simeão adverte que ela sofrerá com o
filho que trouxe no ventre, carrega nos braços e apresenta ao templo.
O sofrimento de Maria não tem nada de
particular e tudo de comunitário e eclesial, pois antecipa o sofrimento que
muitos discípulos e discípulas provarão no futuro. Suas dores não se resumem àquela que
sentiu ao ver o filho pregado na cruz. É também a dor de ver que o filho é um
profeta rejeitado; de ver um povo cansado, abatido e sem rumo; é também a dor
que compartilha com os discípulos missionários humilhados e perseguidos.
Sugestões para a meditação
Retome cada palavra,
imagem ou expressão usadas por Simeão na sua bela e exigente profecia sobre
Jesus, Maria e José
O que significa
celebrar Nossa Senhora das Dores no contexto de medo, polarização, desmandos,
taxações e desmantelamento dos organismos multilaterais que asseguravam um
certo equilíbrio internacional?
Quais são os pensamentos, sentimentos e projetos secretos ou disfarçados por nós que um Deus crucificado traz à luz?
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