Como você reage à
proposta libertária de Jesus?
1206 | Tempo Comum | Semana XXIV | Quarta | Lucas 7,31-35
A cena que estamos meditando hoje está
literariamente situada depois do elogio de Jesus ao soldado romano que pediu
sua intervenção em favor de um empregado seu (7,1-10) e da devolução da vida ao
filho da viúva de Naim (7,11-17), e em seguida às perguntas de João Batista
sobre Jesus e do seu comentário elogioso a ele (7,18-30), episódio omitido pela
sequência da liturgia diária.
Para desmascarar as resistências e contradições
daqueles que resistem à sua proposta (principalmente os fariseus e mestres da
lei), Jesus apresenta uma cena pitoresca
e muito popular em pequenas cidades interioranas: um grupo de crianças que
brincam na praça, umas tocando música e outras indiferentes ao que as primeiras
fazem e transmitem. As crianças-artistas tocam músicas alegres e as outras não
dançam; tocam músicas tristes, e ninguém chora ou entoa lamentações.
Os dois estilos de música são uma alusão aos
diferentes caminhos de salvação oferecidos por João Batista e por Jesus. As
crianças indiferentes que brincam na praça são os judeus, que nunca estão
satisfeitos ou de acordo com aquilo que ouvem. A referência é clara: a mensagem de João Batista não foi aceita
porque era muito dura e exigente (jejum e penitência); e Jesus é criticado por parecer-lhes muito permissivo (come e bebe,
partilhando a mesa com pecadores e gente suspeita). São duas perspectivas
diversas que enfrentam a mesma resistência à mudança.
Mas essa resistência não é exclusividade dos
fariseus e doutores da lei, nem eventualmente dos cristãos das primeiras
gerações. Os discípulos resistem à
novidade anunciada e inaugurada por Jesus, e até se atrevem a propor reparos.
Pensam que o amor aos inimigos seria uma proposta inocente e inadequada, e que
há gente que não merece o perdão, ao menos um perdão sem limites, como nos
lembrava a pergunta de Pedro a Jesus no evangelho do último domingo.
Jesus arremata
seu questionamento em linguagem parabólica com uma afirmação um pouco obscura:
“Mas a sabedoria foi justificada por todos os seus filhos”. O sentido pode ser
que os filhos da sabedoria, as pessoas
que ouvem e compreendem Jesus, são os pobres e pecadores, e não os
fariseus, os doutores da lei ou a casta sacerdotal. E nós, como reagimos hoje
ao ensino libertário de Jesus? Podemos dizer que reconhecemos e aceitamos de
fato à sua proposta do Reino de Deus?
Sugestões para a meditação
Retome a cena
pitoresca proposta por Jesus e procure relacioná-la com os diferentes grupos de
cristãos que você conhece
Você não se vê,
às vezes, desejando propor reparos em aspectos essenciais da proposta de Jesus?
Quais?
Leia algo sobre a
vida dos santos Cornélio e Cipriano, cuja memória celebramos hoje, e procure
relacioná-la com o evangelho de hoje
Nenhum comentário:
Postar um comentário