A História é a arena da esperança e da luta
1155 | Tempo
Comum | Semana XVII | Terça | Mateus 13,36-43
Sabemos
que as parábolas têm as características da sabedoria popular, usa imagens da
experiência cotidiana, e exige o engajamento do ouvinte na interpretação.
Nisso, são diferentes das alegorias, que buscam uma certa equivalência ou
correspondência e sentido específico para cada um dos termos. Conforme Mateus,
na explicação, pedida pelos discípulos, Jesus
faz uma leitura alegórica da parábola do trigo e do joio, considerando as
demandas e conflitos da sua comunidade.
Notemos que esta é apenas uma entre as diversas interpretações
possíveis da parábola, e o interesse está na oposição que o Reino de Deus
enfrenta. É uma explicação dada em casa, no espaço das relações pessoais e de
aprofundamento do seu ensino. A
explicação se detém em oito aspectos, que não são os únicos. Há um fio condutor: o mal e sua oposição à
novidade do Reino de Deus faz parte da condição humana mas tem seus dias
contados, não se estenderá para sempre.
Jesus, o Filho do Homem, espalha a semente do
Reino de Deus, que é boa e se concretiza nos discípulos que o seguem. O
campo não se restringe ao coração das pessoas, mas é o mundo (a vida e as
estruturas econômicas, políticas, sociais e religiosas cotidianas). O joio representa simbolicamente as elites
políticas e religiosas, que Jesus qualifica como filhas do diabo, e são por
ele semeadas no mundo (cf. 4,8; 12,33-37). Mas elas não são perpétuas, nem os
frutos do mal que provocam.
Portanto, o tempo histórico, medido pelo nosso
percurso existencial e pela construção e mudança das sociedades, é o tempo da adversidade e do conflito.
Não faz sentido imaginar que um dia as coisas serão isentas de ambiguidades,
puras e imaculadas neste mundo. Nem mesmo a Igreja pode imaginar-se assim. Mas,
no final, no mundo que há de vir e que
inspira o mundo que estamos a construir, o mal e suas causas serão eliminados.
Essa é nossa esperança.
Por isso, os discípulos do Reino somos estimulados a manter a esperança, mesmo sendo trigo no meio do joio,
e tendo o joio dentro de nós, em nossas ações e instituições. Quando o
Mundo Novo florescer plenamente, os filhos do Reino brilharão como o sol, e a
noite ficará iluminada como quando o Filho de Deus se fez carne. O tempo atual, entretanto, é de esperança e
luta. O que nos anima é saber que tem boa semente que está florescendo e
amadurecendo.
Sugestões para a meditação
Entre com Jesus e os discípulos em sua casa e peça que ele lhe dê
inteligência para compreender sua palavra
Leia atentamente a explicação que Jesus nos oferece sobre a parábola do
trigo bom e do joio semeado pelo inimigo
Seria possível atualizar essa interpretação para a situação que vivemos
hoje na Igreja e na sociedade do Brasil?
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