Deus é Pai, e ninguém é mais do que ninguém!
1152 | Tempo
Comum | Festa de São Tiago | Mateus 20,20-28
Hoje a Igreja celebra a festa do Apóstolo São Tiago
e, por isso, o texto proposto foge um pouco da sequência que estávamos
seguindo. Parece que, propondo-nos este texto, a Igreja quer que façamos uma
autocrítica sobre o modo como exercemos a autoridade e desenvolvemos nossos
ministérios e serviços no seio da família e no âmbito da Igreja e da sociedade.
Jesus acabara de sublinhar que, na lógica do Reino
de Deus, os últimos da escala social, aqueles
que contam pouco ou nada, ocupam os lugares preferenciais, e que ele mesmo
seria rejeitado, perseguido e condenado, colocado entre os últimos, como pedra
descartada. Por isso, fica a impressão
de que os discípulos não quiseram entender e ficaram calados, resistindo
silenciosamente à proposta de Jesus.
A ideologia do império romano, que
idealizava a grandeza, a força, o poder e a violência, seduzia também os discípulos de Jesus. A expectativa que se
manifesta em Tiago e seu irmão não são exclusividade deles: de alguma forma,
todos os discípulos estavam mais preocupados com suas ambições que com a defesa
dos vulneráveis. Eles desejavam honras e
tronos, e estavam inquietos com a demora!
O ressentimento dos outros dez discípulos contra os
dois que se anteciparam na busca de privilégios quando Jesus fosse vencedor revela tanto inveja como concorrência.
Pela resposta de Jesus ao pedido da mãe dos dois, resposta que é dirigida a
todos (Jesus fala no plural!), parece
uma espécie de reação e ressentimento por terem visto demolidos seus sonhos de
poder e grandeza.
A novidade do Reino de Deus provoca uma inversão na escala de valores.
Jesus pede de seus discípulos opções diferentes em relação ao
judaísmo e à cultura do império romano. A
condição do servo, proposto como modelo, se aproxima da condição social da
criança, da impotência e da irrelevância. Nada a ver com grandeza e os
centros de decisão desejados pela dupla, e tudo a ver com a margem e as
periferias!
Jesus não poderia ser mais claro: “Entre vocês não deve haver dominação e
tirania!” Na Igreja de Jesus não há lugar para senhores ou para rígidas
hierarquias: as funções são diferentes, mas a dignidade é a mesma e vem do batismo, e não dos ministérios. Todos
são iguais! E nisso, Jesus é, em primeira pessoa, modelo e caminho.
Sugestões para a meditação
Retome
a cena e as palavras, dando atenção a cada gesto, a cada personagem e a cada
palavra
Em
que medida o desejo de grandeza, destaque e privilégio contamina hoje as
diversas lideranças da Igreja?
O
que significa concretamente para você hoje ser o último da fila e o servidor
dos outros?
Nenhum comentário:
Postar um comentário