quinta-feira, 30 de julho de 2026

O poder do preconceito

O preconceito impede as ações libertadoras

1158 | Tempo Comum | Semana XVII | Sexta | Mateus 13,54-58

Depois de uma longa seção dedicada ao anúncio do Reino de Deus às multidões em forma de parábolas, e depois de algumas catequeses especiais dirigidas aos discípulos, Jesus volta à sua terra e vai à sinagoga de Nazaré, onde seus amigos e familiares costumavam se reunir. A notícia da sua ação emancipadora, assim como a clareza e a pertinência do seu ensino, impressionara a todos.

Mas também nessa ocasião e nesse episódio emerge a dificuldade que os diversos grupos de interlocutores têm de reconhecer na ação e no ensino libertário de Jesus a ação libertadora de Deus. Essa dificuldade para discernir a identidade de Jesus é abordada por Mateus do capítulo 11 ao capítulo 16 da sua versão do Evangelho, mas o que surpreende é que ela se estende também aos seus conterrâneos e familiares.

O povo da cidade de Nazaré, mesmo se encantando e admirando com ensino e com o poder transformador das ações de Jesus, acaba tropeçando nos preconceitos próprios das pequenas cidades e das pessoas que o conhecem de perto. Seus conterrâneos começam a se perguntar onde ele teria encontrado tal sabedoria e tal poder, já que tem uma origem humilde e não pertence a uma elite cultural ou religiosa. Eles não conseguem defini-lo fora do seu contexto familiar. Para eles, o enviado de Deus deveria vir de cima, e não de baixo; do centro, e não da periferia.

Para o senso comum, no qual se moviam o povo de Nazaré e a família de Jesus, a origem humilde e o fato de ser filho de carpinteiro impede que Jesus possa ser o ungido e enviado por Deus. A sinagoga acaba sendo o joio no meio do trigo, e a querida Nazaré acaba se comportando como Corazim, Betsaida e Cafarnaum, povoados que se fecharam à novidade escandalosa e provocativa do Reino de Deus.

Jesus interpreta a rejeição dos seus familiares e conterrâneos no horizonte da histórica resistência e perseguição que se voltam contra todos os profetas. E esta notória falta de fé do povo de Nazaré acaba impedindo a ação libertadora de Jesus na sua própria cidade. Como sabemos, a fé não é uma reação de convencimento diante de um fato miraculoso, mas uma atitude de abertura que precede o milagre.

 

Sugestões para a meditação

Em que medida, e em que ocasiões, você também foi vítima do preconceito das pessoas mais próximas e conhecidas?

Não aconteceu de você se escandalizar diante da Palavra ou da ação de Jesus? Nestas circunstâncias, o que você faz?

Como Jesus Cristo e seu Evangelho podem nos ajudar a não reduzir as pessoas aos seus erros, à profissão que exerce ou à origem familiar?

Será que a mentalidade fechada e o preconceito às vezes também não nos impedem de crer em processos de mudança?

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