O preconceito impede as ações libertadoras
1158 | Tempo
Comum | Semana XVII | Sexta | Mateus 13,54-58
Depois de uma longa seção dedicada ao anúncio do
Reino de Deus às multidões em forma de parábolas, e depois de algumas
catequeses especiais dirigidas aos discípulos, Jesus volta à sua terra e vai à sinagoga de Nazaré, onde seus amigos e
familiares costumavam se reunir. A notícia da sua ação emancipadora, assim
como a clareza e a pertinência do seu ensino, impressionara a todos.
Mas também nessa ocasião e nesse episódio emerge a dificuldade que os diversos grupos
de interlocutores têm de reconhecer na ação e no ensino libertário de Jesus a
ação libertadora de Deus. Essa dificuldade para discernir a identidade de
Jesus é abordada por Mateus do capítulo 11 ao capítulo 16 da sua versão do
Evangelho, mas o que surpreende é que ela se
estende também aos seus conterrâneos e familiares.
O povo da cidade de Nazaré, mesmo se encantando e
admirando com ensino e com o poder transformador das ações de Jesus, acaba
tropeçando nos preconceitos próprios das pequenas cidades e das pessoas que o
conhecem de perto. Seus conterrâneos
começam a se perguntar onde ele teria encontrado tal sabedoria e tal poder, já
que tem uma origem humilde e não pertence a uma elite cultural ou religiosa.
Eles não conseguem defini-lo fora do seu contexto familiar. Para eles, o enviado de Deus deveria vir de
cima, e não de baixo; do centro, e não da periferia.
Para o senso comum, no qual se moviam o povo de
Nazaré e a família de Jesus, a origem
humilde e o fato de ser filho de carpinteiro impede que Jesus possa ser o ungido
e enviado por Deus. A sinagoga acaba sendo o joio no meio do trigo, e a
querida Nazaré acaba se comportando como Corazim, Betsaida e Cafarnaum,
povoados que se fecharam à novidade escandalosa e provocativa do Reino de Deus.
Jesus interpreta a rejeição dos seus familiares e conterrâneos no
horizonte da histórica resistência e perseguição que se voltam contra todos os
profetas. E esta notória falta de fé do
povo de Nazaré acaba impedindo a ação libertadora de Jesus na sua própria
cidade. Como sabemos, a fé não é uma reação de convencimento diante de um
fato miraculoso, mas uma atitude de abertura que precede o milagre.
Sugestões para a meditação
Em
que medida, e em que ocasiões, você também foi vítima do preconceito das
pessoas mais próximas e conhecidas?
Não
aconteceu de você se escandalizar diante da Palavra ou da ação de Jesus? Nestas
circunstâncias, o que você faz?
Como
Jesus Cristo e seu Evangelho podem nos ajudar a não reduzir as pessoas aos seus
erros, à profissão que exerce ou à origem familiar?
Será
que a mentalidade fechada e o preconceito às vezes também não nos impedem de
crer em processos de mudança?
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