domingo, 26 de julho de 2026

Como a semente e o fermento

A pequenez não limita a força da semente

1154 | Tempo Comum | Semana XVII | Segunda | Mateus 13,31-35

Já vimos que Jesus prefere anunciar o mistério do Reino de Deus mais através de parábolas que de longas exposições e explicações. As parábolas são um recurso sapiencial e popular que usa imagens da experiência cotidiana e exige o engajamento do ouvinte na interpretação. Aos discípulos, Jesus se comunica de modo mais explicativo, mas às multidões ele prefere usar as parábolas.

Nas parábolas de hoje, explicitamente relacionadas com o Reino de Deus, ou Reino dos Céus, na linguagem contida de Mateus, Jesus recorre às imagens da semente de mostrada e do fermento e parte da experiência agrícola e doméstica. Enquanto a parábola do semeador chama a atenção sobre a ação de semear e as condições da terra, as da semente de mostarda e do fermento contrastam o pequeno e o pouco de hoje com a grandeza e a força no futuro.

Jesus tem presente que o aparente fracasso do Reino que ele prega não se deve unicamente à oposição que muitos grupos fazem a ele, mas também à própria natureza do reino de Deus. Ele não cresce ao modo dos impérios, nem se impõe pela força e pela grandeza, mas de modo discreto e escondido, lentamente, corroendo a lógica do poder e do egoísmo como o fermento corrompe a farinha.

As parábolas do Reino de Deus nos chamam a manter os pés e mãos no tempo presente, mas sem deixar de vislumbrar o futuro, com realismo e esperança. Como o fermento escondido pela farinha, o Reino de Deus é invisível aos olhos da elite, mas lentamente vai minando o status quo e, de pequeno e quase invisível como a semente de mostarda, se torna hortaliça frondosa que acolhe as aves vulneráveis.

Às vezes, aquilo que nós e nossas organizações fazemos parece muito pequeno e praticamente sem futuro. Mas, como é difícil medir a força de crescimento contida numa minúscula semente, embora seja real e palpável, é-nos pedida a confiança de que aquilo que é bom perdura e se multiplica. Somos peregrinos de esperança.

O texto termina com frases que nos causam desconforto. Mas o sentido delas pode ser expresso assim: alguns ouvem e entendem a mensagem do Reino de Deus e outros não entendem e rejeitam. Mas a salvação de Deus é oferecida a todos, e está aberta até àqueles que a rejeitam. E isso é bom!

 

Sugestões para a meditação

De que modo estas parábolas, assim como toda a vida e ensino de Jesus, podem nos ensinar a unir realismo e esperança, paciência e urgência?

Você nota alguma “fermentação” evangélica na sua vida desde que você começou a praticar a Leitura Orante do Evangelho?

O que podemos fazer para que o fermento do Evangelho ajude nossas famílias e a Igreja a serem melhores?

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