A pequenez não limita a força da semente
1154 | Tempo
Comum | Semana XVII | Segunda | Mateus 13,31-35
Já vimos que Jesus prefere anunciar o mistério do
Reino de Deus mais através de parábolas que de longas exposições e explicações.
As parábolas são um recurso sapiencial e
popular que usa imagens da experiência cotidiana e exige o engajamento do
ouvinte na interpretação. Aos discípulos, Jesus se comunica de modo mais
explicativo, mas às multidões ele prefere usar as parábolas.
Nas parábolas de hoje, explicitamente relacionadas
com o Reino de Deus, ou Reino dos Céus, na linguagem contida de Mateus, Jesus recorre às imagens da semente de
mostrada e do fermento e parte da experiência agrícola e doméstica.
Enquanto a parábola do semeador chama a atenção sobre a ação de semear e as
condições da terra, as da semente de mostarda e do fermento contrastam o pequeno e o pouco de hoje com
a grandeza e a força no futuro.
Jesus tem presente que o aparente fracasso do Reino que ele prega não se deve unicamente à
oposição que muitos grupos fazem a ele, mas também à própria natureza do reino
de Deus. Ele não cresce ao modo dos impérios, nem se impõe pela força e
pela grandeza, mas de modo discreto e escondido, lentamente, corroendo a lógica
do poder e do egoísmo como o fermento corrompe a farinha.
As parábolas do Reino de Deus nos chamam a manter os pés e mãos no tempo
presente, mas sem deixar de vislumbrar o futuro, com realismo e esperança. Como
o fermento escondido pela farinha, o
Reino de Deus é invisível aos olhos da elite, mas lentamente vai minando o status quo e, de pequeno e quase
invisível como a semente de mostarda, se torna hortaliça frondosa que acolhe as
aves vulneráveis.
Às vezes, aquilo que nós e nossas organizações fazemos
parece muito pequeno e praticamente sem futuro. Mas, como é difícil medir a
força de crescimento contida numa minúscula semente, embora seja real e
palpável, é-nos pedida a confiança de
que aquilo que é bom perdura e se multiplica. Somos peregrinos de
esperança.
O texto termina com frases que nos causam desconforto. Mas o sentido
delas pode ser expresso assim: alguns ouvem e entendem a mensagem do Reino de
Deus e outros não entendem e rejeitam. Mas
a salvação de Deus é oferecida a todos, e está aberta até àqueles que a
rejeitam. E isso é bom!
Sugestões para a meditação
De
que modo estas parábolas, assim como toda a vida e ensino de Jesus, podem nos
ensinar a unir realismo e esperança, paciência e urgência?
Você
nota alguma “fermentação” evangélica na sua vida desde que você começou a
praticar a Leitura Orante do Evangelho?
O
que podemos fazer para que o fermento do Evangelho ajude nossas famílias e a
Igreja a serem melhores?
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