O Reino de Deus é belo, precioso e exigente
1157 | Tempo
Comum | Semana XVII | Quinta | Mateus 13,47-53
Jesus termina a sessão das parábolas do Reino de
Deus demonstrando sua preocupação em ser entendido pela multidão e com uma boa
formação para os discípulos: “Compreendestes tudo isso?” “Tudo isso” se refere
às parábolas e ao dinamismo do Reino de Deus e ao seu ensino como um todo. Ele
sabe que entre a escuta e a compreensão
há um longo caminho de conversão a ser percorrido. E nós também sabemos que
a conversão é um dinamismo belo, mas exigente.
Compreender significa aderir à Boa Notícia do Reino
de Deus e colocá-la em prática, e Jesus tem plena consciência do risco de que
seus ouvintes não consigam ou não queiram mudar sua mentalidade e visão de Deus
e do mundo. E os fatos posteriores mostrarão as dificuldades reais dos
discípulos em compreender e mudar. O
caminho da conversão de mentalidade é longo e exigente!
Com a explicação da parábola da rede que pega uma
grande diversidade de peixes, peixes bons e peixes ruins, Jesus volta à questão das práticas de vida contrastantes, tanto na
sociedade como na comunidade dos discípulos e discípulas. Os peixes maus ou
inaproveitáveis são as pessoas, grupos e setores que resistem aos propósitos de
Deus manifestados por Jesus; os bons são os discípulos que perseveram no longo
e complexo caminho do amadurecimento.
A tentação do fundamentalismo e da separação dos
discípulos, que se julgam bons e puros, dos outros, considerados maus, é
permanente, assim como o risco de ficar nas velhas tradições herdadas, nas
“antigas lições de viver pela pátria e viver sem razões”. Cada nova geração precisa entender claramente a dinâmica do Reino de
Deus na história, que comporta tensões, ambivalências, imperfeições,
crescimento. Mas, no final, o mal e os malvados não terão a última palavra.
Tonar-se discípulo de Jesus implica em compromisso real e consequente
com ele e na disposição para aprender sempre, para
mudar e alargar a visão e os padrões de avaliação. Jesus é o próprio modelo do
especialista na Palavra, que sabe tirar coisas velhas e novas desse tesouro,
mais coisas novas que coisas velhas. Os
valores precisam manter a capacidade de iluminar os novos problemas e os novos
desafios. O que é velho, bom, permanente e não muda é somente a
misericórdia e a compaixão de Deus. Nisso, Deus continua sempre o mesmo, e não
muda!
Sugestões para a meditação
Como
o sentido dado por Jesus à parábola da rede ilumina nossas urgências e estimula
nossa paciência com quem se mostra lento ou resistente às mudanças?
Que
luzes a imagem da rede que recolhe peixes bons e ruins traz para nossa
convivência familiar, comunitária e social?
Como
conjugar paciência com urgência, evitando criminalizar ou excluir quem diverge
ou se opõe a nós?
Nenhum comentário:
Postar um comentário