sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Confiar no bom Deus

CONFIAR NA BONDADE DE DEUS

Cada vez estou mais convencido de que muitos dos que se dizem ateus são homens e mulheres que, ao rejeitarem Deus, estão na verdade rejeitando um ídolo mental que construíram quando eram crianças. A ideia de Deus que carregam dentro de si e com a qual viveram durante alguns anos tornou-se pequena. A certa altura, esse Deus tornou-se uma figura tão estranha, incômoda e desagradável que decidiram prescindir dele.

Não me custa nada compreender essas pessoas. Dialogando com algumas delas, recordei mais de uma vez aquelas palavras certeiras do patriarca Máximus IV durante o Concílio: «Eu também não acredito no deus em que os ateus não acreditam». Na verdade, o deus que alguns eliminaram das suas vidas é uma caricatura que formaram falsamente dele. Se esvaziaram a alma desse deus falso, não será para deixar espaço, um dia, ao Deus verdadeiro?

Mas como pode hoje uma pessoa encontrar-se com Deus? Se se aproxima dos que nos dizemos crentes, é fácil que nos encontre a rezar, não ao Deus verdadeiro, mas a um pequeno ídolo sobre o qual projetamos os nossos interesses, medos e obsessões. Um Deus de que pretendemos apropriar-nos e usar para nosso proveito, esquecendo a sua imensa e incompreensível bondade para com todos.

Jesus quebra todos os nossos esquemas quando nos apresenta, na parábola do senhor da vinha, esse Deus que dá a todos a diária de que necessitam, mereçam ou não, e diz aos que protestam: «Tens inveja porque eu sou bom?»

Deus é bom com todos, mereçam ou não, sejam crentes ou ateus. A sua bondade misteriosa está para além da fé dos crentes e da incredulidade dos ateus. O que devemos fazer é esquecer os nossos esquemas, fazer silêncio no nosso interior, escutar até ao fundo a vida que pulsa em nós… e esperar, confiar, deixar o nosso ser aberto. Deus não se oculta indefinidamente a quem o procura com coração sincero.

José Antônio Pagola

Tradução de Antônio Manuel Álvarez Perez

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