segunda-feira, 18 de dezembro de 2023

O Evangelho na vida de cada dia (201)

201 | Ano B | 3ª Semana do Advento | Terça-feira | Lucas 1,5-25

19/12/2023

Este texto faz parte da “Boa Notícia da Infância” de Jesus. A moldura geral é a alegria que espanta todos os medos e convoca à esperança e à exultação. E isso tem um motivo: em Jesus de Nazaré, as promessas de Deus chegam ao seu pleno cumprimento, pois ele é o ponto de chegada, o ápice da história da salvação. Num contexto de humilhação e expectativa, a Esperança envia seus sinais, e João Batista é em pessoa um desses grandes sinais.

A cena acontece na Judéia, no tempo do sanguinário rei Herodes. Zacarias e Isabel pertencem a uma linhagem sacerdotal, são idosos e vivem a dor e o desamparo de quem não pode contar com uma descendência que os proteja e ampare na velhice. Mas eles pertencem a um pequeno resto piedoso e fiel à herança libertadora dos hebreus e à promessa dos seus profetas. Como Maria e José, eles fazem parte da fina flor das tradições libertárias.

Os nomes dos personagens são relevantes, e indicam o horizonte de sentido da cena: Zacarias significa “Deus se lembrou”; Isabel significa “Deus prometeu” ou “morada de Deus”; João significa “Deus mostra sua misericórdia”. Num contexto de humilhação e de falta de horizontes, como a terra seca e rachada, sedenta de água, Deus manda sinais de que sua misericórdia não se esgotou, de que ele está chegando para provocar uma reviravolta.

O foco da cena é a revelação da identidade e da missão de João Batista, cujo nascimento é anunciado a um pai incrédulo. Ele agirá movido pelo Espírito de Deus, reconduzirá o povo ao Deus libertador, caminhará à frente e converterá as velhas gerações à novidade que está para emergir em Jesus. Por isso, em que pese seu apelo contundente à mudança de perspectiva, a vida e pregação de João abrirá as portas à alegria e ao júbilo, porá fim ao tempo de espera.

A mudez de Zacarias e o escondimento de Isabel não significam punição ou medo, mas são o sinal de que algo de importante aconteceu com Zacarias, assim como da humilde reverência de Isabel, que se descobre “casa” ou “morada” de Deus. Sem palavras, ambos nos dizem que algo novo e promissor está nascendo. Isso porque eles aceitaram o convite do anjo a tentar de novo.

 

Meditação:

§  Releia atentamente este trecho do Evangelho, prestando atenção a cada um dos personagens, inclusive ao anjo mensageiro

§  Observe a surpresa de Zacarias, e a dificuldade de acreditar que algo bom e novo poderia surgir de um povo cansado e esgotado

§  Preste atenção aos repetidos apelos a não ter medo, a se alegrar e exultar com aquilo que está para acontecer

§  Você não acha que nossa caminhada de fé, nossa catequese e nossa pregação carecem de alegria, e são tristes e pesadas demais?

domingo, 17 de dezembro de 2023

O Evangelho na vida de cada dia (200)

200 | Ano B | 3ª Semana do Advento | Segunda-feira | Mateus 1,18-24

18/12/2023

O trecho do evangelho de ontem nos convocava a aprender com João Batista: ser testemunha, dar voz às palavras mais profundas afogadas na garganta da humanidade, a reconhecer quem somos, renunciando à postura de chefe ou doutor. Hoje, o evangelho de Mateus nos mostra José como ouvinte atento e fiel cumpridor da Palavra que Deus pronuncia nos acontecimentos.

No verso 16 do capítulo 1, Mateus diz que “Jacó gerou José, o esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado o Cristo”. Os versos de hoje parecem ter o objetivo de demonstrar como isso aconteceu. Mateus parte da figura de José, que ocupa um lugar importante na cena. Mas o evangelista toma distância dos estreitos limites do patriarcalismo. O homem José não tem nenhum papel relevante na concepção de Jesus no seio de Maria.

A figura de José que aparece aqui está distante do modelo de homem e pai do mundo judeu. Apresentando-o como homem “justo”, Mateus dá a José as características do discípulo do Reino de Deus, a quem se pede que cumpra a justiça por inteiro, que seja perfeito como o Pai do céu é perfeito. A justiça de José não consiste no cumprimento da lei, mas na escuta e obediência a Deus.

José é uma pessoa justa porque deixa de exercer o direito de denunciar Maria por sua gravidez misteriosa. Ele decide deixá-la em segredo, optando pela compaixão e pela misericórdia, sempre buscando entender o que Deus estava lhe dizendo pela gravidez da sua amada Maria. Deus lhe fala de modo sutil, durante o sono, através de seu mensageiro. E ele se deixa guiar pela Palavra.

A resposta de José “complicou maravilhosamente” sua vida. Obedecendo à Palavra de Deus, acolhendo Maria como esposa e assumindo a tutela do filho que não gerara, José decide por uma existência difícil, contra a corrente. Dando ao filho de Maria o nome de Jesus, José se compromete a educá-lo para acolher e perdoar os pecadores com terna compaixão e a confrontar-se com o imperador, que se apresentava como salvador.

 

Meditação:

§  Releia atentamente este trecho do Evangelho, prestando atenção ao modo como José procura entender os acontecimentos

§  Observe também a acolhida generosa e o cumprimento atento de uma Palavra que complicaria sua vida e a de Jesus

§  José entende que seu lugar na história da salvação da humanidade não é o de protagonista mas de coadjuvante, de auxiliar

§  José discerniu a Palavra e o Querer de Deus através dos sonhos: onde e de que modo Deus me fala e me chama hoje?

§  Como nos sentimos quando temos que reconhecer que algo muito importante foi feito dispensando a nossa participação especial?

sábado, 16 de dezembro de 2023

O Evangelho na vida de cada dia (199)

199 | Ano B | 3ª Semana do Advento | Domingo | João 1,6-8.19-28

17/12/2023

Interrogado sobre sua identidade e sua missão, João Batista se apresenta como testemunha Luz, como sinal de algo que está chegando para vencer as trevas e os obstáculos interpostos pelas elites religiosas e políticas, como arauto de novos caminhos. “Eu sou a voz de quem grita no deserto. Endireitai o caminho do Senhor!”

Ele é voz que vem do deserto, da periferia, da margem. Ele é Voz que precede e aponta para a Palavra. Com seu batismo, João inquieta as autoridades, pois o batismo na água era um rito cívico-religioso de passagem de estado, uma mudança de senhor. E isso relativizava os poderes religiosos e políticos. Por isso, o templo envia uma “embaixada” para recolher informações sobre João.

João Batista anuncia que no meio de nós já está presente Alguém que não conhecemos, que vem antes dele e o supera e ultrapassa. Esse Alguém é penhor e início daquela mudança anunciada pelos profetas antigos e simbolizada no batismo cristão. Diante do Messias esperado, sua pregação e seu batismo se mostram relativos e insuficientes.

Mesmo sendo o maior entre os profetas, diante de Jesus João não se atreve a desatar as correias das suas sandálias, gesto que simbolizava o protesto de uma viúva diante de um cunhado que se recusasse a desposá-la e dar-lhe descendência, como mandava a tradição.

Jesus não despreza a nossa pobre humanidade. Ele nos ama profundamente e sela conosco uma aliança duradoura “na justiça e no direito, no amor e na ternura” (cf. Os 2,16-25). Ninguém desamarra a correia das suas sandálias! O Messias que esperamos é o Esposo amado e esperado há séculos, que nos gera como família e como povo.

A celebração do Natal é uma espécie de bodas de Deus conosco, e todos sabemos que a preparação de uma festa de casamento, por mais trabalhosa que seja, é sempre marcada pela esperança e pela alegria, e não pela tristeza ou pela penitência. Eis a razão da alegria do Advento!

 

Meditação:

§  Releia estes versículos densos de espiritualidade, detendo-se nas palavras ou imagens centrais: testemunha, luz, voz, deserto, caminhos, sandálias

§  Temos a liberdade e a humildade de reconhecer que não somos o centro, que não libertamos ninguém, que o que importa é Jesus?

§  Conseguimos viver uma sincera alegria por sermos menores, dispensáveis, passageiros, sinais que preparam algo melhor?

§  O que dizemos de nós mesmos, de nossa condição no mundo, do nosso lugar na construção do Reino de Deus?

O Evangelho dominical (Pagola) - 17.12.2023

NO MEIO DO DESERTO

Os grandes movimentos religiosos nasceram quase sempre no deserto. São os homens e as mulheres do silêncio e da solidão que, ao verem a luz, podem tornar-se professores e guias da humanidade. No deserto não é possível dar atenção ao que é supérfluo. No silêncio só se ouvem as questões essenciais. Na solidão só sobrevive quem se alimenta do que tem dentro.

No quarto evangelho, o João Batista é reduzido ao essencial. Não é o Messias, nem Elias regressado à vida, nem o Profeta esperado. É «a voz que clama no deserto». Não tem poder político, não tem título religioso. Não fala a partir do templo ou da sinagoga. A sua voz não nasce da estratégia política nem dos interesses religiosos. Vem do que escuta o ser humano quando se aprofunda no essencial.

O pressentimento do Batista pode ser resumido assim: «Há algo maior, mais digno e esperançoso do que aquilo que estamos vivendo. A nossa vida tem de mudar desde a raiz. Não basta frequentar a sinagoga sábado após sábado, de nada serve ler rotineiramente os textos sagrados, é inútil oferecer regularmente os sacrifícios prescritos pela Lei. Nenhuma religião dá vida. Devemos abrir-nos ao Mistério do Deus vivo.

Na sociedade da abundância e do progresso torna-se cada vez mais difícil ouvir uma voz que venha do deserto. O que se ouve é a publicidade do supérfluo, a divulgação do trivial, o palavreado de políticos prisioneiros da sua estratégia e até discursos religiosos interesseiros.

Alguém poderia pensar que já não é possível encontrar testemunhas que nos falem a partir do silêncio e da verdade de Deus. Mas não é assim. No meio do deserto da vida moderna podemos encontrar-nos com pessoas que irradiam sabedoria e dignidade, pois não vivem do supérfluo. Pessoas simples, carinhosamente humanas. Não pronunciam muitas palavras. É a sua vida que fala.

Eles nos convidam, como o Baptista, a deixar-nos «batizar», a mergulharmos numa vida diferente, a receber um novo nome, a «renascer» para não nos sentirmos produtos desta sociedade nem filhos do meio ambiente, mas sim filhos e filhas amados de Deus.

José Antonio Pagola

Tradução de Antonio Manuel Álvarez Perez

sexta-feira, 15 de dezembro de 2023

O Evangelho na vida de cada dia (198)

198 | Ano B | 2ª Semana do Advento | Sábado | Mateus 17,10-13

16/12/2023

Esta cena está literariamente localizada logo após a cena da transfiguração de Jesus diante dos discípulos no monte Tabor. Ao lado dele, apareceram o líder e legislador Moisés e o profeta Elias, modelo e inspiração da profecia. Por isso, ao descer da montanha, os discípulos interrogam Jesus acerca de Elias. Na liturgia do advento, a cena é proposta à reflexão pela íntima relação que Jesus estabelece entre Elias e João Batista, dois profetas que, cada um ao seu modo, foram uma voz forte.

Era ensino muito divulgado pelos escribas que Elias voltaria, e sua volta inauguraria os tempos messiânicos. Jesus não diverge do ensino dos escribas, mas o completa e concretiza: Elias já voltou na profecia de João Batista. Neste sentido, Jesus dá a entender que Elias pertence ao passado, é profecia corajosa, anúncio esperançoso, denúncia tenaz. Mas Elias não está no futuro. O futuro é o Messias, e esse futuro já raiou em Jesus de Nazaré.

O futuro prometido por Deus e esperado pelo povo começa com a vida e a missão de Jesus. Os tempos messiânicos são inaugurados por ele, e é preciso abrir os olhos e aguçar o entendimento, pois o reino de Deus não se manifesta em ações espetaculares e poderosas, como muitos ensinavam. O Reino de Deus não se deixa ver no cumprimento minucioso da lei mas na compaixão e na misericórdia incondicionais, à revelia da lei e até contra ela.

Mas Jesus dá um passo a mais e relaciona o seu destino ao destino do profeta João: suspeita, perseguição, violência, morte. João precede a Jesus também na rejeição! Este é o mistério da semente, o dinamismo escondido do Reino de Deus. Nesse dinamismo escondido, no tempo presente, a vontade de Deus está se realizando, e é preciso reconhece-la e celebrá-la.

Os escribas tinham razão ao dizer que as escrituras falam do retorno de Elias. Mas Jesus ensina que é preciso lê-las e interpretá-las corretamente. Elias volta em cada profeta ou profetiza. O Reino de Deus se realiza em cada gesto de partilha e acolhida solidária. O fim deste mundo está em curso, e um novo mundo está nascendo. E aqui não há lugar para ameaça ou medo.

 

Meditação:

§  Releia atentamente esta cena, lendo também, se possível, os versos anteriores, que narram a transfiguração (17,1-9)

§  Você pode dizer, como o evangelista diz dos discípulos, que você entendeu o que Jesus disse neste texto?

§  Você espera a irrupção do Reino de Deus (dos novos céus e da nova terra) como um fato grandioso, terrível e destruidor?

§  O que esta cena e estas palavras de Jesus têm a ver com a nossa caminhada de preparação para o Natal do Senhor?

quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

O Evangelho na vida de cada dia (197)

197 | Ano B | 2ª Semana do Advento | Sexta-feira | Mateus 11,16-19

15/12/2023

Assim que é informado de que João Batista estava com dificuldades de reconhecer seu messianismo, Jesus elogia a profecia de João, e, diante dos discípulos e discípulas, faz o “desabafo” transcrito nos versículos de hoje. Percebemos claramente o seu lamento diante de algumas pessoas que o escutam, mas não são consequentes, fecham os ouvidos e não se movem. É um chamamento aos seus discípulos e discípulas de todos os tempos.

Com esta parábola, Jesus pretende sacudir os fariseus e doutores da lei, fazê-los sair do fechamento doutrinal e movê-los numa outra direção, diversa daquela que esclerosou a cabeça deles. Esta é a doença que costuma atacar as pessoas que ocupam altos escalões das instituições religiosas: estão sempre prontas a esgrimir doutrinas para se defender e não mudar; criticam a todos, um por ser muito tolerante, e outro por ser duro demais.

Na vida de Jesus tudo começou com aquele hino que os pastores escutaram em Belém: “Glória a Deus no mais alto dos céus, e paz na terra aos homens por ele amados”? Aquele foi o primeiro som que ele escutou, o som da flauta que ritmou a dança da sua vida. E ele não permaneceu rígido nem imóvel. Aquele hino o levou para fora de si mesmo, e, desde então, ele nunca mais conseguiu viver senão “fora de si”, “alterado”, incapaz de outro ritmo senão esse de dar-se em excesso, de transpor as fronteiras e limites.

A Palavra que cantava a glória de Deus e a paz entre os homens, escutada naquela noite da boca dos anjos, apaixonou Jesus de tal modo, e o invadiu com tal profundidade, que o fez viver definitivamente “descentrado”, numa espécie de “êxtase”, porque seu centro e seu eixo foram sempre seu Pai e seus irmãos. O Reino de Deus sempre o levou para fora e além de si mesmo e sua pátria.

“Senhor, penso que estás cansado de gente que sempre diz te servir, mas assume ares de capitão; de gente que diz te conhecer, mas tem postura de professor; de gente que pretende te encontrar praticando regras; de gente que pensa te amar como sem nenhum empenho. No dia que desejavas algo diferente, inventaste São Francisco, e fizeste dele a tua imagem” (M. Debbrel).

 

Meditação:

§  Releia atentamente esta parábola contada por Jesus, assim como o texto mais amplo no qual está inserida (Lc 11,1-15)

§  Você acha que há também hoje pessoas “muito religiosas” que se guiam mais pelos próprios interesses que pela Evangelho?

§  Você consegue perceber grupos que criticam o Papa Francisco (e bispos e padres) por ser muito crítico ou muito passivo?

§  Você não se flagra, às vezes, discordando de Jesus, ou por ele ser muito exigente, ou por ele ser muito compassivo?

quarta-feira, 13 de dezembro de 2023

O Evangelho na vida de cada dia (196)

196 | Ano B | 2ª Semana do Advento | Quinta-feira | Mateus 11,11-15

14/12/2023

João Batista sempre gozou de admiração por parte dos cristãos, e isso desde os primórdios. Embora não tenha feito parte da comunidade dos discípulos de Jesus, ele ocupa um lugar proeminente na galeria das primeiras testemunhas. O tempo dele foi o tempo da profecia, não o tempo do discipulado. Ele chegou a conhecer Jesus, e conduziu a ele seus discípulos, mas a violência de Herodes o impediu de ver a novidade do Reino de Deus.

Nos dias que antecedem e preparam o Natal de Jesus, a liturgia recorre frequentemente à pregação e ao testemunho de João Batista. Como Maria e José, ou até mais que eles, João prepara o povo para acolher Jesus, não como menino, mas como Messias esperado. É impossível ouvi-lo e não entrar na estrada para conhecer Jesus e seu projeto, endireitar os caminhos e aplainar os torrões para que a justiça e a paz se abracem.

João é um sinal que aponta para o Reino que está próximo, como o dedo do pai que mostra a estrela-guia ao filhinho. Permanecer discípulo de João seria como olhar para o dedo e não perceber a estrela. João sabia que sua missão de precursor era transitória e breve, que sua pregação e seu lugar não eram definitivos. Ele sempre enfatizou que era menor que aquele que ele anunciava, e desejava diminuir para que o Messias aparecesse.

É nessa perspectiva que Jesus reconhece a imponência de João, sua coragem de falar sem medo: “Dentre os nascidos de mulher, nenhum é maior que ele!” Mas Jesus também sublinha a radical novidade do Reino que se inaugura e o valor supereminente dos/as discípulos/as que o seguem. “O menor no Reino dos céus é maior que ele”, ajuntou Jesus. É isso mesmo: João Batista é um mensageiro, um precursor, ele anuncia a chegada de Outro, do Maior.

É isso que preparamos no Advento e celebramos no Natal: reconhecer Jesus na pobreza como o Enviado do Pai para inaugurar novos céus e nova terra. Mas sem esquecer que hoje também o Reino de Deus é atacado violentamente; os poderosos e violentos querem se apropriar dele e esvaziá-lo. Também a isso precisamos ficar atentos. “Quem tem ouvidos, ouça!”, insiste Jesus.

 

Meditação:

§  São poucas as pessoas que conseguem pensar evangelicamente no advento sem visualizar a voz e o personagem de João Batista

§  Se Isabel e Zacarias, e Maria e José, são exemplos de espera ansiosa, João encarna o precursor que prepara

§  Abracemos também nós o caminho do seguimento de Jesus, pois é assim que estaremos à altura de João Batista

§  Você é capaz de diminuir para que outros/as cresçam, de viver com alegria a condição de quem prepara e não usufruiu?

terça-feira, 12 de dezembro de 2023

O Evangelho na vida de cada dia (195)

195 | Ano B | 2ª Semana do Advento | Quarta-feira | Mateus 11,28-30

13/12/2023

Num contexto de rejeição de sua pessoa e sua mensagem, Jesus eleva seu louvor ao Pai pelos discípulos/as que, entendem e acolhem o caminho do Reino de Deus. E sublinha que é resultado do querer de Deus que a elite do judaísmo nada consiga entender e que os segredos da sabedoria da vida sejam acessíveis aos pobres. Eles saíram do cansaço por causa da necessidade de cumprir um monte de leis que não lavavam a nada.

A alegria e o consolo de Jesus é ver que, para encontrar alívio dos fardos que carregamos, muitos/as seguimos seus passos. Sua palavra e suas ações abrem-nos as portas da liberdade e da humanização, e todos/as precisamos aprender dele e com ele a promover, em palavras e ações, o Reino de Deus, que suscita e inaugura práticas, estruturas, relações, prioridades e perspectivas alternativas. Nada pode ser colocado acima disso.

O jugo, ou o caminho de Jesus não é canga que amarra e domina, mas leveza que nos torna mais humanos. E ele nos convida a aprender do seu coração a mansidão e a bondade, pois nele não há espaço para a indiferença, para a vingança e para a violência. O coração de Jesus, ou o Reino que ele encarna e antecipa, é suave, bom e amável, é misericórdia e compaixão que afirma, reabilita e liberta os cansados e oprimidos.

O que nos cansa, e o que nos abate, hoje? Às vezes não demonstramos, mas a competição predatória de querer chegar em primeiro lugar, de dominar tudo, de ter e consumir tudo o que nos convencem que necessitamos, de tomar medrosa distância dos empobrecidos e diferentes, de bajular os poderosos e vencedores de plantão, de multiplicar orações e ritos sem fim... tudo isso nos cansa e nos deixa vazios/as, exaustos/as e prostrados/as.

O Natal de Jesus e seu Evangelho nos apontam outro caminho, mais realizador e mais humano, menos cansativo e menos pesado. Ele tem suas exigências, mas seus custos não são pagos sacrificando a vida. A felicidade não consiste em possuir tudo, mas em necessitar pouco! A salvação é alcançada quando alargamos nossa tenda para que nela caibam todos os humanos seres.

 

Meditação:

§  O evangelho de hoje nos orienta para uma atitude madura e adequada na preparação do Natal: aprender de Jesus

§  Você seria capaz de dar nome e descrever o que é que mais está cansando e pesando para você hoje?

§  Você consegue identificar os projetos e barreiras que pesam sobre as pessoas mais pobres e dificultam seu crescimento?

§  Como você, sua família e sua comunidade podem proceder para que as próprias festas natalinas não se tornem vazias e pesadas?

segunda-feira, 11 de dezembro de 2023

O Evangelho na vida de cada dia (194)

194 | Ano B | Festa de Nossa Senhora de Guadalupe | Lucas 1,39-47

12/12/2023

O texto de hoje é escolhido para iluminar a festa de Nossa Senhora de Guadalupe, padroeira da América Latina. Esta manifestação de Maria a um nativo mexicano insignificante no contexto da opressão colonial patrocinada pelos colonizadores espanhóis e católicos tem grande significado para os povos desse continente rico e sofrido.

O episódio evangélico que nos ilumina traduz de modo plástico a presença libertadora de Deus na história e a serena alegria que isso desperta na oração e no cântico dos pobres. Não se trata de um sonho utópico, mas de uma esperança segura, que se fundamenta na fidelidade de Deus revelada ao longo da história do povo de Israel e das comunidades cristãs.

Inicialmente, a cena é uma ampliação do episódio da anunciação e uma confirmação dos sinais indicados pelo anjo a Maria.  Isabel saúda e proclama a presença do Messias no seio de Maria, com a mesma surpresa e alegria com as quais Davi e o povo de Israel saúdam a presença fiel e libertadora de Deus na Arca da Aliança. Ela se pergunta pelas razões que movem Deus a fazer-se presente em sua humilde casa e na sofrida história do seu povo.

O próprio João Batista, ainda no ventre de Isabel, antecipa essa alegria messiânica, e, com a futura mãe, reconhece a presença de Deus no meio do povo. Maria é aclamada por Isabel como bem-aventurada, ou feliz, porque acreditou na verdade e na força fecunda da Palavra de Deus, e não unicamente por ser a mãe do messias esperado. A seu modo, Isabel desvenda o significado profundo da maternidade de Maria.

Na sequência, Maria toma a palavra e intervém com um cântico profético no qual celebra a intervenção de Deus no passado e assegura sua misericórdia no futuro. Ela, serva humilhada, representa todos os pobres agraciados por Deus que visualizam um mundo novo, que desfaz as estruturas que dominam e excluem. Em Maria, que se manifesta ao índio Diego com traços indígenas e grávida, o êxodo do povo de Deus se renova, e as bem-aventuranças são antecipadas. E os humildes, e pobres e excluídos são os privilegiados.

 

Meditação:

§  Reconstrua a cena, acompanhando Maria na sua caminhada de Nazaré à Judéia, inclusive no seu encontro com sua parenta Isabel

§  Deixe-se envolver pela alegria messiânica que ilumina e comove Maria, Isabel e João Batista

§  Repita, com Isabel, a saudação mística e profética com a qual recebe e celebra a visita de Deus ao seu povo

§  Reflita sobre o significa dessas palavras na cabeça e no coração dos índios explorados e caçados pelos colonizadores espanhóis

domingo, 10 de dezembro de 2023

O Evangelho na vida de cada dia (193)

193 | Ano B | 2ª Semana do Advento | Segunda-feira | Lucas 5,17-26

11/12/2023

Jesus havia subido na barca de Pedro e, de dentro da frustração de uma noite de trabalho inútil, pregara a boa notícia do Reino de Deus. Depois, pedira que Pedro tentasse lançar as redes mais uma vez, e ele atendeu à Palavra de Jesus. A cena terminou com uma pesca abundante e um chamado a deixar de pegar peixe para reunir gente em torno de Jesus e do Reino de Deus.

Acompanhado dos primeiros seguidores, Jesus agora se dedica à formação deles, atende às necessidades do povo e tem seu primeiro encontro com os fariseus e doutores da lei que atuavam na Galileia. Um grupo de pessoas faz o possível e o impossível para levar até Jesus um homem paralítico.  Eles mostram que a fé gera, além de perseverança, criatividade e insistência.

Jesus observa atentamente o esforço daquela gente e, diante do olhar estupefato dos homens que mandavam na religião e nos costumes, diz que tal empenho é sinal inequívoco de fé, e declara que aquele paralítico está perdoado, está em comunhão com Deus e não deve nada a ninguém. Jesus não fica apenas em belas palavras ou em promessas animadoras, mas atua em nome de Deus, defendendo a dignidade das pessoas.

A iniciativa de se dirigir ao paralítico é de Jesus, que age comovido pelo gesto inusitado daqueles que o carregavam. Os escribas e fariseus reagem, pois não admitem que Jesus possa agir em nome de Deus e perdoar pecados sem passar pelo templo, pelos ritos e sacrifícios, pois isso significaria subtrair-lhes o poder que ostentam. Mas Jesus não faz caso, e deixa claro que ele oferece uma salvação integral. Por isso, manda que o paralítico se levante.

Vendo isso, ao contrário do que fazem os líderes religiosos, o povo louva a Deus, pois reconhece em Jesus a ação salvadora de Deus. E o homem curado mostra que a cura foi integral: enfrenta os dirigentes judeus e louva a Deus, reconhecendo em Jesus a visita de Deus. Tornou-se um homem novo, capaz de caminhar e crer por si mesmo. É isso que celebraremos no Natal que se aproxima e preparamos no Advento. Que o Senhor nos faça nascer de novo!

 

Meditação:

§  O evangelho de hoje nos orienta para uma atitude adequada na preparação do Natal: fazer o bem, apenas, mas sempre

§  Nossa fé em Jesus precisa se concretizar em gestos e iniciativas que possibilitem às pessoas vulneráveis uma vida melhor

§  Reconstrua a cena e participe dela, observando o paralítico, as pessoas que o carregam, Jesus e os escribas e fariseus

§  Quem são as pessoas que levaram ou levam você ao encontro restaurador com Jesus de Nazaré?

§  Quais são as pessoas que você e sua família estão levando ao encontro de Jesus, para serem perdoadas e regeneradas?