A vida de uma pessoa
está acima das leis
1250 | Tempo Comum |
30ª Semana | Sexta | Lucas 14,1-6
Fiel
à herança profética, Jesus não muda sua prática, seu anúncio e o rumo da sua
caminhada, mesmo diante da ameaça de Herodes. Segue intrépido, corajoso e generoso,
sem fazer nada para se proteger. Ele se situa na linha dos profetas, e é o Pai, e não Herodes ou seus asseclas,
quem vai dizer quando e como deve dar sua missão por terminada. Por
enquanto, ele é quem decide, e, como sempre, não toma decisões pensando em sua
própria segurança.
Dito e feito! Em
pleno sábado Jesus desrespeita – de novo! – a lei e, numa refeição na casa de
um dos chefes dos fariseus, cura um
homem doente sem que ele tenha sequer pedido. Ignorando o olhar vigilante
dos piedosos e ardilosos fariseus, Jesus os provoca a tomar uma posição. Essa é
a questão que atravessa a cena de hoje, cena que inaugura a seção das refeições
simbólicas de Jesus apresentadas pelo evangelista São Lucas (cf. Lc 14,1-24).
A pergunta de Jesus é direta: “A lei permite curar
em dia de sábado, ou não?” E os fariseus guardam silêncio. Para Jesus, o reino de Deus e a defesa da vida se
impõem, e não estão condicionados ao tempo e lugar. A lei inspirada por
Deus visa garantir o repouso e assegurar a liberdade e a dignidade dos seus
filhos e filhas de Deus. Se os piedosos judeus descumprem a lei para salvar um
animal, não há razão aceitável para se
opor à cura de uma pessoa necessitada num dia proibido pela lei.
Na verdade, Jesus não
nega a legitimidade das leis e dos ordenamentos religiosos ou civis, mas os coloca em uma nova perspectiva. Segundo
Jesus, o que fazemos sem problemas
quando estão em jogo nossos interesses (evitar o prejuízo com a morte de um
animal) devemos fazê-lo, mais ainda, em
benefício dos seres humanos que estão em dificuldades. Nada de fossilizar
ou reduzir a vontade de Deus a princípios e esquemas abstratos, afastando-os da
vida concreta!
Não
nos defendamos da interpelação de Jesus relegando-a ao passado. É
permitido ou não aprovar as uniões homoafetivas? É lícito ou não ocupar
latifúndios improdutivos? É possível compartilhar a eucaristia com cristãos de
outras Igrejas? É aceitável defender a admissão de mulheres ao ministério? É
possível “furar” o teto de gastos ou o “arcabouço fiscal” para atender a população
desempregada, doente e sem escola? E as perguntas podem continuar ainda por
muitas linhas...
Sugestões para a meditação
Acompanhe Jesus entrando na casa do chefe dos
fariseus, acompanhe seu olhar voltado ao homem doente
Perceba também o olhar vigilante e reprovador dos
fariseus reunidos em torno da mesa e a indignação de Jesus
Será que, de algum modo, não caímos na tentação de
“fossilizar” a vontade de Deus ou reduzi-la a abstratos esquemas e princípios
fios e impessoais?
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