O belo desafio de seguir Jesus Cristo e imitar seu
estilo de vida
(http://jovemtrindade.blogspot.it/2012/02/profissao-temporaria.html) |
Em 1879, no dia 2 de fevereiro, o Pe. João Berthier, fundador dos
Missionários da Sagrada Família, celebrava sua consagração perpétua a Deus como
Missionário Salettino. Ele havia
feito os votos temporários na festa da natividade de Nossa Senhora (8 de
setembro), em 1862, apenas alguns dias antes da sua ordenação presbiteral
(20.09.1862). A data é significativa pois, no dia 2 de fevereiro, 40 dias depois
do nascimento de Jesus, a Igreja celebra a Apresentação
de Jesus no Templo, festa conhecida como Nossa Senhora da Luz, ou Candelária. Uma antiga tradição, que
perdura ainda hoje, propõe a Apresentação de Jesus como inspiração e paradigma
para a consagração dos religiosos e religiosas, razão pela qual, em muitos
países, a data de hoje é dedicada à vida consagrada.
Sem conseguir ir além do horizonte teológico e da linguagem do seu
tempo, Berthier escreveu, sobre a experiência (pessoal?) da consagração: “Que
lindo dia para a pessoa que foi admitida à profissão é aquele no qual pronuncia
o voto de praticar os conselhos do Evangelho e por eles se ligar a Nosso Senhor
através de uma bela e gloriosa cadeia! Sim, gloriosas correntes, pois não são
correntes de escravidão, mas cadeias que unem a esposa ao esposo escolhido; correntes
que ela não romperá por nada no mundo e que, longe de serem pesadas ao seu
coração, são sua maior consolação. Depois de esperar longamente e preparar-se
acuradamente para consagrar-se plenamente a Jesus, seu desejo se cumpre e ela diz
adeus a tudo para seguir Aquele que escolheu entre milhares de outros” (L’Etat
religieux, p. 143-144).
Se consideramos, como sublinha hoje a teologia e a espiritualidade da
vida consagrada, que as pessoas que se consagram a Deus prometem publicamente seguir e imitar Jesus Cristo na sua forma de
vida, a passagem do Evangelho proposta para esta festa (Lc 2,21-40) é muito
sugestiva. Como testemunho escrito após a vida, morte e ressurreição de Jesus,
é claro que, ao falar de Jesus, o texto pressupõe seus ensinamento e práticas,
que todos/as conhecemos mais ou menos em detalhes. Não se trata de uma
adivinhação, mas de uma memória agradecida, empenhativa e subversiva.
Aqui Jesus nos é apresentado como membro de uma família hebréia pobre, ordinária
e autêntica, que segue os costumes e leis religiosas do judaísmo. Mas vale a
pena prestar atenção àquilo que o velho Simeão, homem que se deixava mover e
guiar pelo Espirito, diz sobre o Menino Jesus, quando o acolhe nos próprios
braços: Jesus é salvação que beneficia todos os povos, luz que ilumina todas as
nações e religiões, glória povo de Israel, motivo de queda e edificação para
muitos israelitas, e sinal de contradição. O texto em questão termina dizendo
que, depois deste flash de reconhecimento
honroso no próprio centro do judaísmo por parte dos profetas Simeão e Ana,
Jesus volta com seus pais à desprezada e periférica Galiléia. E é exatamente lá
que ele cresce e adquire força e sabedoria.
O que isso significa para os homenes e mulheres que hoje se consagram
publicamente a Deus e desejam imitar o modo de vida de Jesus? Ouso responder de
modo breve, sem pretensão de ser exaustivo: a) a consagração a Deus não nos
transforma em ‘pessoas do templo’ e do sagrado, mas nos insere na vida concreta
dos irmãos e irmãs; b) o verdadeiro processo de formação humana e espiritual se
dá na periferia, no deserto e na fronteira; c) o seguimento de Jesus pede que
sejamos pessoas dispostas e capazes de dialogar e colaborar com outras
religiões, evitando toda forma de fundamentalismo; d) faz parte da nossa missão
fomentar alianças entre povos e religiões; e) como vida religiosa, não podemos
cair na ilusão de ser unanimidade, pois somos chamados/as a ser sinal de
contradição, voz profética que desinstala e propõe mudanças.
Itacir Brassiani msf
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