A misericórdia de Deus se estende para sempre
935 | 22 de dezembro de 2025 | Lucas 1,46-56
O
Advento é o tempo mais apropriado para contemplar o mistério de Maria, a mãe de
Jesus, e aprender com ela. Ninguém pode nos ensinar mais e melhor como preparar
o Natal de Jesus do que Maria e seu amado companheiro, José de Nazaré. No
trecho do evangelho de hoje, Maria revela seu lado poético e profético, seu
olhar aguçado e doce, capaz de perceber claramente e trilhar prontamente os
caminhos e a vontade de Deus na história.
A
nós, discípulos e discípulas de Jesus no século XXI, não importa saber se as
palavras desse cântico brotaram dos lábios de Maria de Nazaré, ou “foram postos
nos lábios dela” pelo evangelista ou pela tradição cristã. O núcleo da nossa fé
é o rosto e a salvação de Deus manifestada a todos os povos mediante Jesus
Cristo, e este cântico expressa de forma resumida, bela e profunda aquilo que
Jesus fez e ensinou.
Como
herdeiros das melhores tradições do povo hebreu, tanto Maria como os primeiros
cristãos buscaram inspiração nas mais profundas mensagens do tesouro literário
que herdaram: os salmos e outros cânticos (como o cântico ou desabafo de Ana).
E neles está gravado de modo indelével a convicção de que Deus sempre age na
história assumindo o lado das pessoas e grupos mais frágeis, oprimidos e
sofridos. Nas palavras de Ana, “o Senhor ergue do pó o homem fraco e do lixo
ele retira o indigente, para fazê-lo assentar-se entre os nobres, num lugar de
muita honra e distinção”.
É
isso que Maria proclama solenemente na casa de Isabel, baseada na sua própria
experiência e na experiência do seu povo. Ela exulta de alegria porque Deus
olha os humilhados e conhece suas humilhações; porque sua misericórdia não é
coisa do passado, mas acompanha as gerações sem fim; porque ele mostra a força do
seu braço dispersando os soberbos de coração, derrubando do trono os poderosos
e elevando os humildes; e mostra sua compaixão enchendo de bens os famintos e
despedindo os ricos de mãos vazias.
É essa “conspiração” que vem do próprio Deus e
permeia a história que Maria nos convoca a ver, experimentar e celebrar no
Natal. Quem acredita do “bendito fruto” do seu ventre não pode tornar-se presa
das redes enganosas do comércio, pois ele faz de tudo para nos convencer que o
Natal é outra coisa. Que o Menino e Senhor dos povos e pedra angular da Igreja
venha salvar os homens e mulheres que, com mãos de artesão, o Criador moldou do
barro.
Sugestões para a
meditação
§ Deixe-se envolver
pela melodia e pela exultação deste hino que brota dos lábios de Maria na casa
de Isabel
§ Junte-se a ela
neste cântico corajoso e profético, que descreve como Deus age em favor do seu
povo sofrido
§ Faça coro com
Maria e Isabel nestes poucos dias que ainda temos para adentrar no verdadeiro
sentido do Natal
§ Depois de anos de pandemia e de palavras e ações criminosas de muitos governantes, qual deve ser o conteúdo do nosso canto?
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