domingo, 21 de dezembro de 2025

Canta, Maria!

A misericórdia de Deus se estende para sempre

935 | 22 de dezembro de 2025 | Lucas 1,46-56

O Advento é o tempo mais apropriado para contemplar o mistério de Maria, a mãe de Jesus, e aprender com ela. Ninguém pode nos ensinar mais e melhor como preparar o Natal de Jesus do que Maria e seu amado companheiro, José de Nazaré. No trecho do evangelho de hoje, Maria revela seu lado poético e profético, seu olhar aguçado e doce, capaz de perceber claramente e trilhar prontamente os caminhos e a vontade de Deus na história.

A nós, discípulos e discípulas de Jesus no século XXI, não importa saber se as palavras desse cântico brotaram dos lábios de Maria de Nazaré, ou “foram postos nos lábios dela” pelo evangelista ou pela tradição cristã. O núcleo da nossa fé é o rosto e a salvação de Deus manifestada a todos os povos mediante Jesus Cristo, e este cântico expressa de forma resumida, bela e profunda aquilo que Jesus fez e ensinou.

Como herdeiros das melhores tradições do povo hebreu, tanto Maria como os primeiros cristãos buscaram inspiração nas mais profundas mensagens do tesouro literário que herdaram: os salmos e outros cânticos (como o cântico ou desabafo de Ana). E neles está gravado de modo indelével a convicção de que Deus sempre age na história assumindo o lado das pessoas e grupos mais frágeis, oprimidos e sofridos. Nas palavras de Ana, “o Senhor ergue do pó o homem fraco e do lixo ele retira o indigente, para fazê-lo assentar-se entre os nobres, num lugar de muita honra e distinção”.

É isso que Maria proclama solenemente na casa de Isabel, baseada na sua própria experiência e na experiência do seu povo. Ela exulta de alegria porque Deus olha os humilhados e conhece suas humilhações; porque sua misericórdia não é coisa do passado, mas acompanha as gerações sem fim; porque ele mostra a força do seu braço dispersando os soberbos de coração, derrubando do trono os poderosos e elevando os humildes; e mostra sua compaixão enchendo de bens os famintos e despedindo os ricos de mãos vazias.

É essa “conspiração” que vem do próprio Deus e permeia a história que Maria nos convoca a ver, experimentar e celebrar no Natal. Quem acredita do “bendito fruto” do seu ventre não pode tornar-se presa das redes enganosas do comércio, pois ele faz de tudo para nos convencer que o Natal é outra coisa. Que o Menino e Senhor dos povos e pedra angular da Igreja venha salvar os homens e mulheres que, com mãos de artesão, o Criador moldou do barro.

 

Sugestões para a meditação

§  Deixe-se envolver pela melodia e pela exultação deste hino que brota dos lábios de Maria na casa de Isabel

§  Junte-se a ela neste cântico corajoso e profético, que descreve como Deus age em favor do seu povo sofrido

§  Faça coro com Maria e Isabel nestes poucos dias que ainda temos para adentrar no verdadeiro sentido do Natal

§  Depois de anos de pandemia e de palavras e ações criminosas de muitos governantes, qual deve ser o conteúdo do nosso canto?

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