Deus sempre ouve as súplicas dos humilhados
932 | 19 de dezembro de 2025 | Lucas 1,5-25
Este
texto faz parte do chamado “Evangelho da Infância” de Jesus. A moldura geral é
a alegria que espanta todos os medos e convoca os pobres à esperança e à exultação.
E isso tem um motivo: em Jesus de Nazaré, as promessas de Deus chegam ao seu
pleno cumprimento, pois ele é o ponto de chegada, o ápice da história da
salvação. Num contexto de humilhação e expectativa, a Esperança envia seus
sinais, e João Batista é, em pessoa, um desses grandes sinais.
A cena
acontece na Judéia, no tempo do sanguinário rei Herodes. Zacarias e Isabel
pertencem a uma linhagem sacerdotal, são idosos e vivem a dor e o desamparo de
quem não pode contar com uma descendência para manter sua memória e protege-los
na velhice. Mas eles pertencem a um pequeno resto piedoso e fiel à herança profética
e à promessa dos seus profetas. Como Maria e José, eles fazem parte da fina
flor da humanidade que peregrina na esperança.
Os nomes dos
personagens são relevantes, e indicam o horizonte de sentido da cena: Zacarias
significa “Deus se lembrou”; Isabel significa “Deus prometeu” ou “morada de
Deus”; João significa “Deus mostra sua misericórdia”. Num contexto de
humilhação e de falta de horizontes, quando o povo se sentia como a terra seca
e rachada, sedenta de água, Deus manda sinais de que sua misericórdia não se
esgotou, de que ele está chegando para provocar uma reviravolta.
O foco da
cena é a revelação da identidade e da missão de João Batista, cujo nascimento é
anunciado a um pai sacerdote e incrédulo. O filho nascido da velhice agirá
movido pelo Espírito de Deus, reconduzirá o povo ao Deus libertador, caminhará
à frente e converterá as velhas gerações à novidade que está para emergir em
Jesus. Por isso, em que pese seu apelo contundente à mudança de perspectiva, a
vida e pregação de João abrirá as portas à alegria e ao júbilo, pois chegou ao
fim o tempo de espera.
A mudez de Zacarias não significa punição, e a
saída de Isabel da cena pública não significa medo, mas são o sinal de que algo
de importante aconteceu a Zacarias, assim como da humilde reverência de Isabel,
que se descobre “casa” ou “morada” de Deus. Sem palavras, tanto Isabel como
Zacarias nos dizem que algo novo e promissor está nascendo. Isso porque eles
aceitaram o convite do anjo e se dispuseram a continuar buscando saídas.
Sugestões para a
meditação
§ Releia
atentamente este trecho do Evangelho, prestando atenção a cada um dos
personagens, inclusive ao anjo mensageiro
§ Observe a surpresa
de Zacarias, e a dificuldade de acreditar que algo bom e novo poderia surgir de
um povo cansado e esgotado
§ Preste atenção
aos repetidos apelos a não ter medo, a se alegrar e exultar com aquilo que está
para acontecer
§ Você não acha que
nossa caminhada de fé, nossa catequese e nossa pregação carecem de alegria, e
são tristes e pesadas demais?
§ Como nos sentimos
quando temos que reconhecer que algo muito importante foi feito dispensando a
nossa participação especial?
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