sábado, 27 de dezembro de 2025

Famílias a caminho

SEGUIR JESUS COMO FAMÍLIA

Será possível tomar juntos a decisão de seguir Jesus em família? Não é fácil. É uma decisão que precisa ser preparada e amadurecida com calma, respeitando todos, pois trata-se de uma escolha pessoal de cada um. São os pais crentes os primeiros responsáveis por criar um ambiente apropriado.

Desde o início deve ficar claro que seguir Jesus não é copiar um modelo reproduzindo os traços de um Mestre do passado de forma passiva, infantil e sem criatividade alguma. É uma aventura muito mais apaixonante. Os evangelhos nunca falam de imitar Jesus, mas de segui-lo. Jesus não é um espelho, mas um caminho.

Jesus ressuscitado está vivo no meio de nós, no centro da família. Mais ainda, o seu Espírito está dentro de cada um de nós, sustentando, encorajando e inspirando as nossas vidas. Devemos escutar o seu chamado para segui-lo hoje de forma criativa, confiando sempre na sua força.

«Seguir Jesus» é uma metáfora tirada do costume que ele tinha de caminhar alguns passos à frente dos seus discípulos. Por isso nos lembra que o seguimento de Jesus exige «dar passos»: tomar uma primeira decisão, pôr-se a caminho, deixar-se guiar pelo Evangelho, levantar-se quando se cai, voltar a orientar-se quando nos perdemos...

Para impulsionar o seguimento de Jesus com realismo, creio que devemos recuperar a leitura do evangelho em família, primeiro entre os pais, depois, se possível, com os filhos.

Os evangelhos não são livros didáticos que expõem doutrina sobre Jesus. Não são catecismos. A primeira coisa que se aprende nos evangelhos é o estilo de vida de Jesus: a sua maneira de estar no mundo, a sua forma de tornar a vida mais humana, o seu modo de pensar, de sentir, de amar, de sofrer.

Os evangelhos foram escritos para suscitar novos discípulos e seguidores. São relatos que convidam à mudança, a seguir de perto Jesus, a identificar-se com a sua causa, a colaborar com ele abrindo caminhos para o reino de Deus. Por isso devem ser lidos, meditados e partilhados escutando o seu chamado a entrar num processo de mudança e conversão.

Não pensemos em algo muito complicado. Trata-se de ler os relatos com muita calma, detendo-nos na pessoa de Jesus; prestando atenção ao que ele diz e faz. Depois, todos juntos, podemos ajudar-nos a fazer algumas perguntas: que verdade nos ensina ou nos recorda Jesus com a sua atuação? A que nos chama? Como nos anima e encoraja com as suas palavras?

Uma família começa a seguir verdadeiramente Jesus quando começa a introduzir em casa a verdade do Evangelho. Não devemos ter medo de dar nome às coisas. Devemos atrever-nos a discernir o que há de verdade evangélica e o que há de antievangélico nos costumes da família, na convivência, nos gestos, na maneira de viver. Não para culpar uns aos outros, mas para nos animarmos a viver ao estilo de Jesus.

José Antônio Pagola

Tradução de Antônio Manuel Álvarez Perez

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