A glória de Deus se manifesta no homem vivente
945 | 31 de dezembro de 2025 | João 1,1-18
Os conceitos
que aparecem neste trecho do evangelho de João são vários: Palavra, Vida, Graça
e Glória. No contexto original, não são palavras abstratas, têm conteúdo claro.
E eles podem iluminar a experiência de travessia ou passagem que vivemos no
último dia do ano. Jesus, o filho de Maria e de José, é Palavra no sentido de
exteriorização da interioridade de Deus. A Palavra de Deus assume a carne
humana como lugar no qual podemos encontrar, tocar e acolher o próprio mistério
de Deus.
Jesus,
que nasceu em Belém, viveu como carpinteiro em Nazaré, profetizou na Galileia
dos gentios e foi morto pelo poder do templo é portador da Vida plena, do “bem
viver” que todos os povos buscam sem descanso. Nele, a vida é revelada e doada
como comunhão profunda com o mistério de Deus, comunhão solidária com todas os
pobres e vítimas, e comunhão graciosa com todas as criaturas, comunhão generosa
entre as gerações e povos.
Na pessoa
de Jesus de Nazaré, vemos também a Graça de Deus. Deus não é um
cobrador de dívidas, um policial ou um juiz, mas um irmão e hóspede no qual se
mostram de modo inequívoco a gratuidade e a solidariedade. A lei e a cobrança
vêm das velhas instituições, mas a Graça e a Verdade nós as recebemos por Jesus
Cristo. Ele é a gratuidade de Deus em pessoa! Gratuidade gera gratuidade, e é isso
que nos salva de uma vida medíocre, controlada, calculada. E é esse dinamismo que
pode construir, tijolo a tijolo, um ano Novo.
A palavra
Glória
significa “peso”, importância, valor interior de uma pessoa, e isso se revela
nas suas ações. Por isso, manifestar a glória de Deus não significa soltar
fogos, cantá-lo em alto e bom tom ou louvá-lo juntando as mãos, mas testemunhar
sua ação libertadora, prosseguir sua ação humanizadora, reconhecer sua
santidade nos acontecimentos históricos.
As metáforas da luz e da glória são usadas para ilustrar o esplendor e a
vitória final de Deus.
A glória de Deus se manifesta de modo insuperável em Jesus
crucificado, na sua radical fidelidade à humanidade. Na humanidade de Jesus feita
dom aos pequenos vemos a glória de Deus. Ele não recebe essa glória ou peso por
milagre ou presente dos céus, mas a cultiva na compaixão. Os discípulos de
Jesus são glorificados na medida em que participam do dinamismo do seu amor ou
paixão pelo mundo. Façamos valer esta verdade, e então teremos um ano novo,
pois a glória de Deus é o ser humano vivo e liberto.
Sugestões para a
meditação
§ Releia
o texto lentamente, sublinhando e detendo-se nas imagens que João utiliza para
falar de Jesus, nascido em Belém
§ Procure
intuir como aquela cena da estrabaria, em meio a ovelhas e pastores,
transparece nessas palavras usadas por João
§ Que
palavras mais atuais e próximas de nossa experiência poderíamos buscar para
apresentar Jesus às pessoas de hoje?
§ Detenha-se
no versículo 14 (“A Palavra se fez carne e armou sua tenda entre nós”) e o
contemple na cena do presépio
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