terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Terminando mais um ano

A glória de Deus se manifesta no homem vivente

945 | 31 de dezembro de 2025 | João 1,1-18

Os conceitos que aparecem neste trecho do evangelho de João são vários: Palavra, Vida, Graça e Glória. No contexto original, não são palavras abstratas, têm conteúdo claro. E eles podem iluminar a experiência de travessia ou passagem que vivemos no último dia do ano. Jesus, o filho de Maria e de José, é Palavra no sentido de exteriorização da interioridade de Deus. A Palavra de Deus assume a carne humana como lugar no qual podemos encontrar, tocar e acolher o próprio mistério de Deus.

Jesus, que nasceu em Belém, viveu como carpinteiro em Nazaré, profetizou na Galileia dos gentios e foi morto pelo poder do templo é portador da Vida plena, do “bem viver” que todos os povos buscam sem descanso. Nele, a vida é revelada e doada como comunhão profunda com o mistério de Deus, comunhão solidária com todas os pobres e vítimas, e comunhão graciosa com todas as criaturas, comunhão generosa entre as gerações e povos.

Na pessoa de Jesus de Nazaré, vemos também a Graça de Deus. Deus não é um cobrador de dívidas, um policial ou um juiz, mas um irmão e hóspede no qual se mostram de modo inequívoco a gratuidade e a solidariedade. A lei e a cobrança vêm das velhas instituições, mas a Graça e a Verdade nós as recebemos por Jesus Cristo. Ele é a gratuidade de Deus em pessoa! Gratuidade gera gratuidade, e é isso que nos salva de uma vida medíocre, controlada, calculada. E é esse dinamismo que pode construir, tijolo a tijolo, um ano Novo.

A palavra Glória significa “peso”, importância, valor interior de uma pessoa, e isso se revela nas suas ações. Por isso, manifestar a glória de Deus não significa soltar fogos, cantá-lo em alto e bom tom ou louvá-lo juntando as mãos, mas testemunhar sua ação libertadora, prosseguir sua ação humanizadora, reconhecer sua santidade nos acontecimentos históricos.  As metáforas da luz e da glória são usadas para ilustrar o esplendor e a vitória final de Deus. 

A glória de Deus se manifesta de modo insuperável em Jesus crucificado, na sua radical fidelidade à humanidade. Na humanidade de Jesus feita dom aos pequenos vemos a glória de Deus. Ele não recebe essa glória ou peso por milagre ou presente dos céus, mas a cultiva na compaixão. Os discípulos de Jesus são glorificados na medida em que participam do dinamismo do seu amor ou paixão pelo mundo. Façamos valer esta verdade, e então teremos um ano novo, pois a glória de Deus é o ser humano vivo e liberto.

 

Sugestões para a meditação

§  Releia o texto lentamente, sublinhando e detendo-se nas imagens que João utiliza para falar de Jesus, nascido em Belém

§  Procure intuir como aquela cena da estrabaria, em meio a ovelhas e pastores, transparece nessas palavras usadas por João

§  Que palavras mais atuais e próximas de nossa experiência poderíamos buscar para apresentar Jesus às pessoas de hoje?

§  Detenha-se no versículo 14 (“A Palavra se fez carne e armou sua tenda entre nós”) e o contemple na cena do presépio

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