sábado, 20 de dezembro de 2025

O sim de José

O “sim” silencioso de José é mais que eloquente

934 | 21 de dezembro de 2025 | Mateus 1,18-24

À margem dos grandes acontecimentos, na periferia dos lugares importantes, no anonimato suspeito de Nazaré, Maria e José escutam a Palavra de Deus na tenda da própria casa e na penumbra luminosa dos sonhos. Deus se revela apreciando a beleza daquela que seria sua desejada morada, da arca que abrigaria o sacramento da sua Aliança definitiva. “Alegre-se, cheia de graça! O senhor está com você!” E convida José a não ter medo, a acolher Maria e o mistério que carrega no ventre, a mostrar sua justiça e retidão descumprindo a lei que lhe dava a possibilidade de abandoná-la e denunciá-la.

Maria e José engajam-se de corpo e alma no desejo de Deus. Maria discute apenas o modo como isso poderá ser feito, pois sua preocupação não é construir um templo ou decorar uma bela árvore de natal. Ela aceita ser a morada de Deus e coloca-se a serviço dele. José não diz nada, não discute. Sua palavra é sua atitude. “Fez conforme o anjo do Senhor havia mandado e aceitou sua esposa”. Deus não esquece de ser misericordioso, e cumpre aquilo que promete! Em José ele encontra um colaborador ativo e fiel, que abre as portas para que Deus seja Emanuel, Deus conosco.

O poder de Deus se mostra em meios frágeis e pobres. Ele cumpre suas promessas através das pessoas que nele confiam e a ele se entregam. É isso que nos mostram José e Maria, a vida das comunidades dos primeiros discípulos, e milhões de homens e mulheres pelos séculos a fora. Deus faz sua parte e cumpre o que promete, mas espera que façamos a grande parte que nos toca. E não se trata de construir templos, palácios e presépios. Deus prefere morar em nós, mesmo que sejamos pouco mais que pobres estábulos.

A preparação do Natal é uma tarefa que nos envolve muito. Mas as luzes só têm sentido se forem expressão de um coração iluminado. Os presépios adquirem beleza na humana hospitalidade que acolhe. Os presentes significam algo na medida em que nos transformam em presença gratuita e solidária e nos fazem lembrar Aquele que é a Presença de Deus na carne humana. O Natal jamais pode restringir-se ao aconchego de quatro paredes, ao cálido clima doméstico, fechado ao mundo, indiferente aos outros. Nossos sonhos devem ir muito além!

 

Sugestões para a meditação

§   Observe também a acolhida generosa e o cumprimento atento de uma Palavra que complicaria sua vida e a de Jesus

§   José entende que seu lugar na história da salvação da humanidade não é de protagonista, mas de coadjuvante, de auxiliar

§   José discerniu a Palavra e o Querer de Deus através dos sonhos: onde e de que modo Deus me fala e me chama hoje?

§   Como nos sentimos quando temos que reconhecer que algo muito importante foi feito dispensando a nossa participação especial?

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