A serena força que
vem do Espírito nos conduz
940 | 26 de dezembro
de 2025 | Mateus 10,17-22
A festa litúrgica
do martírio de Santo Estêvão, no contexto do Natal, sublinha um aspecto
importante do discipulado cristão: o testemunho da fé poderá ser feito, até
mesmo, com a entrega da própria vida, a exemplo de Jesus. Este dado serve para
prevenir atitudes ingênuas e românticas diante do presépio, das luzes
coloridas, dos coros angelicais e das montanhas de presentes.
Aliás, a contemplação realista do
Menino, deitado na manjedoura porque não encontra lugar, não deveria nos levar
ao pietismo. Jesus nasce em extrema pobreza, entre os pastores, vítimas do
desprezo dos habitantes da cidade, longe de sua cidade de origem e de seus
familiares próximos. No presépio que visualiza artisticamente essa ocorrência,
tudo fala de despojamento e dureza. E sua caminhada daquele que assim nasceu
vai se concluir com a morte de cruz.
Os discípulos de Jesus têm pela frente
igual caminho a ser trilhado. E Estêvão foi o primeiro a demonstrar
perseverança até o fim. Depois dele, ao longo dos séculos, até nossos dias, são
muitos os cristãos que testemunharam ser capazes de padecer o martírio por
fidelidade a Jesus. Sem a disposição de renunciar a si mesmo, o discipulado
cristão é inviável. Os medrosos e os acomodados são inaptos para seguir os passos
do Menino no qual Deus assume a condição humana humilhada. Os mártires de todos
os tempos são modelos consumados de pessoas que seguiram Jesus bem de perto.
O seguimento de Jesus implica
necessariamente em continuar sua missão, em ser sinal de contradição, em assumir
a relação às vezes conflitiva com a sociedade, sem fuga medrosa e sem aceitação
passiva das injustiças e dominações. Não raramente, os conflitos se manifestam até
nos círculos mais próximos: a família e os amigos. A missão como Jesus a viveu
não é uma atividade esporádica ou secundária, nem um simples passeio: é
profecia e confronto com a dominação, a ambição e o poder, onde quer que se
estabeleça.
No exercício da
missão, especialmente nos momentos de tensão, os discípulos devem confiar em Deus,
sem sucumbir e sem se acovardar. O Espírito do Pai, que atuou no diácono Estêvão
e o encheu de sabedoria e coragem, congrega, inspira e sustenta a família dos
discípulos. No Espírito de Jesus, encontrarão atitudes e estratégias adequadas
para as incompreensões e perseguições e repensar e ampliar a missão.
Sugestões para a
meditação
· Releia o texto
lentamente, sublinhando e detendo-se nas imagens que falam de missão e
perseguição
· Complete esta
leitura com o texto de Atos dos Apóstolos, capítulos 6,8-10 e 7,54-59 (1ª
leitura de hoje)
· O que o
testemunho e a coragem de Estêvão suscitam em você, no horizonte da encarnação
do filho de Deus que celebramos ontem?
· Recorde os
mártires cuja memória foi celebrada nos últimos dias: Chico Mendes (23/12/88);
João Canuto e filhos (18/12/85); Eloy Ferreira da Silva (15/12/84). O que você
sabe sobre eles? O que eles nos inspiram?
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