quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

O primeiro mártir

A serena força que vem do Espírito nos conduz

940 | 26 de dezembro de 2025 | Mateus 10,17-22

A festa litúrgica do martírio de Santo Estêvão, no contexto do Natal, sublinha um aspecto importante do discipulado cristão: o testemunho da fé poderá ser feito, até mesmo, com a entrega da própria vida, a exemplo de Jesus. Este dado serve para prevenir atitudes ingênuas e românticas diante do presépio, das luzes coloridas, dos coros angelicais e das montanhas de presentes.

Aliás, a contemplação realista do Menino, deitado na manjedoura porque não encontra lugar, não deveria nos levar ao pietismo. Jesus nasce em extrema pobreza, entre os pastores, vítimas do desprezo dos habitantes da cidade, longe de sua cidade de origem e de seus familiares próximos. No presépio que visualiza artisticamente essa ocorrência, tudo fala de despojamento e dureza. E sua caminhada daquele que assim nasceu vai se concluir com a morte de cruz.

Os discípulos de Jesus têm pela frente igual caminho a ser trilhado. E Estêvão foi o primeiro a demonstrar perseverança até o fim. Depois dele, ao longo dos séculos, até nossos dias, são muitos os cristãos que testemunharam ser capazes de padecer o martírio por fidelidade a Jesus. Sem a disposição de renunciar a si mesmo, o discipulado cristão é inviável. Os medrosos e os acomodados são inaptos para seguir os passos do Menino no qual Deus assume a condição humana humilhada. Os mártires de todos os tempos são modelos consumados de pessoas que seguiram Jesus bem de perto.

O seguimento de Jesus implica necessariamente em continuar sua missão, em ser sinal de contradição, em assumir a relação às vezes conflitiva com a sociedade, sem fuga medrosa e sem aceitação passiva das injustiças e dominações. Não raramente, os conflitos se manifestam até nos círculos mais próximos: a família e os amigos. A missão como Jesus a viveu não é uma atividade esporádica ou secundária, nem um simples passeio: é profecia e confronto com a dominação, a ambição e o poder, onde quer que se estabeleça.

No exercício da missão, especialmente nos momentos de tensão, os discípulos devem confiar em Deus, sem sucumbir e sem se acovardar. O Espírito do Pai, que atuou no diácono Estêvão e o encheu de sabedoria e coragem, congrega, inspira e sustenta a família dos discípulos. No Espírito de Jesus, encontrarão atitudes e estratégias adequadas para as incompreensões e perseguições e repensar e ampliar a missão.

 

Sugestões para a meditação

·    Releia o texto lentamente, sublinhando e detendo-se nas imagens que falam de missão e perseguição

·    Complete esta leitura com o texto de Atos dos Apóstolos, capítulos 6,8-10 e 7,54-59 (1ª leitura de hoje)

·    O que o testemunho e a coragem de Estêvão suscitam em você, no horizonte da encarnação do filho de Deus que celebramos ontem?

·    Recorde os mártires cuja memória foi celebrada nos últimos dias: Chico Mendes (23/12/88); João Canuto e filhos (18/12/85); Eloy Ferreira da Silva (15/12/84). O que você sabe sobre eles? O que eles nos inspiram?

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