sábado, 27 de dezembro de 2025

Festa da Família de Jesus

A família de Nazaré peregrina num mundo desigual

942 | 28 de dezembro de 2025 | Mateus 2,13-23

No evangelho escalado para iluminar a festa de hoje, encontramos uma família às voltas com ameaças, perseguições, deslocamento e discernimento. Depois do encontro com os pastores e da visita surpreendente e agradável dos magos, a realidade tensa do dia reaparece nos sonhos noturnos de José. O filho que Deus lhe confiou e Maria lhe deu corre perigo, e, mesmo no escuro incerto da noite, ele se levanta, acorda Maria e parte para um país no qual não era cidadão e que trazia memórias nada alentadoras.

As coisas não estão claras, e José precisa discernir o caminho da vida fixando a atenção nos acontecimentos, sem perder o horizonte da fé. É apenas esta que lhe atesta que Deus não é indiferente à sorte dos seus amados. Nos sonhos povoados por anjos e nas vozes que neles ressoam, ecoam os sonhos humanos de um homem apaixonado e crente: ele sonha com o melhor para o filho que Deus lhe deu e para amada companheira que ele colocou no seu caminho. Por isso, a seu modo, José se faz peregrino de esperança.

O Egito que acolhe esta família deslocada pelo fraco e violento Rei Herodes não se torna pátria. Em espírito e memória, a Sagrada Família faz a experiência de ser estrangeira e exilada, de ser chamada a peregrinar sem cansar e lutar sem desistir pela liberdade e pela vida. “Levanta-te, pega o menino e a mãe, e caminha” é a voz que ressoa constantemente e leva José adiante. E ele não pestaneja diante de cada novo aviso, por mais obscuro que seja.

Quando José percebe, iluminado pela fé, que é tempo de voltar, mostra-se lúcido, prudente e fiel: escolhe dirigir-se com Maria e Jesus a Nazaré e assumir como domicílio aquele território periférico e como seu aquele povo inquieto. Para a Sagrada Família, morar em Nazaré significou assimilar a esperança cultivada pelo “resto de Israel”, pelo “broto das raízes de Jessé”. E essa esperança messiânica não passava por Jerusalém e seus falsos pastores.

Para a Sagrada Família, morar em Nazaré significou manter-se ligada às raízes populares da esperança vinculada os pobres, assumir de modo resoluto o caminho que leva à periferia, àqueles que estão longe. E pediu que privilegiassem a encarnação no cotidiano que tece a vida normal de todas as pessoas. Jesus afunda raízes e absorve a seiva das esperanças do seu povo a partir da periferia social e religiosa. Eis aqui uma perspectiva que os missionários jamais devem abandonar!

 

Sugestões para a meditação

·     Releia o texto lentamente, detendo-se nos personagens, nos gestos, nas atitudes e nas palavras deles

·     Procure perceber como são as relações entre José, Maria, Jesus e o difícil contexto que partilham com as demais famílias judias

·     Quem importância e que lugar nossas comunidades asseguram para a acolhida e o acompanhamento das famílias de migrantes?

·     Em que precisamos fixar nossa atenção para discernir os caminhos de Deus, como o fez José, mediante os sonhos? 

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