A família de Nazaré peregrina num mundo desigual
942 | 28 de dezembro de 2025 | Mateus 2,13-23
No evangelho
escalado para iluminar a festa de hoje, encontramos uma família às voltas com
ameaças, perseguições, deslocamento e discernimento. Depois do encontro com os
pastores e da visita surpreendente e agradável dos magos, a realidade tensa do
dia reaparece nos sonhos noturnos de José. O filho que Deus lhe confiou e Maria
lhe deu corre perigo, e, mesmo no escuro incerto da noite, ele se levanta,
acorda Maria e parte para um país no qual não era cidadão e que trazia memórias
nada alentadoras.
As coisas não estão claras, e José
precisa discernir o caminho da vida fixando a atenção nos acontecimentos, sem
perder o horizonte da fé. É apenas esta que lhe atesta que Deus não é
indiferente à sorte dos seus amados. Nos sonhos povoados por anjos e nas vozes
que neles ressoam, ecoam os sonhos humanos de um homem apaixonado e crente: ele
sonha com o melhor para o filho que Deus lhe deu e para amada companheira que ele
colocou no seu caminho. Por isso, a seu modo, José se faz peregrino de
esperança.
O Egito que acolhe esta família
deslocada pelo fraco e violento Rei Herodes não se torna pátria. Em espírito e
memória, a Sagrada Família faz a experiência de ser estrangeira e exilada, de
ser chamada a peregrinar sem cansar e lutar sem desistir pela liberdade e pela
vida. “Levanta-te, pega o menino e a mãe, e caminha” é a voz que ressoa
constantemente e leva José adiante. E ele não pestaneja diante de cada novo
aviso, por mais obscuro que seja.
Quando José percebe, iluminado pela
fé, que é tempo de voltar, mostra-se lúcido, prudente e fiel: escolhe
dirigir-se com Maria e Jesus a Nazaré e assumir como domicílio aquele território
periférico e como seu aquele povo inquieto. Para a Sagrada Família, morar em
Nazaré significou assimilar a esperança cultivada pelo “resto de Israel”, pelo
“broto das raízes de Jessé”. E essa esperança messiânica não passava por
Jerusalém e seus falsos pastores.
Para
a Sagrada Família, morar em Nazaré significou manter-se ligada às raízes populares
da esperança vinculada os pobres, assumir de modo resoluto o caminho que leva à
periferia, àqueles que estão longe. E pediu que privilegiassem a encarnação no
cotidiano que tece a vida normal de todas as pessoas. Jesus afunda raízes e
absorve a seiva das esperanças do seu povo a partir da periferia social e
religiosa. Eis aqui uma perspectiva que os missionários jamais devem abandonar!
Sugestões para a
meditação
· Releia o texto
lentamente, detendo-se nos personagens, nos gestos, nas atitudes e nas palavras
deles
· Procure perceber como
são as relações entre José, Maria, Jesus e o difícil contexto que partilham com
as demais famílias judias
· Quem importância
e que lugar nossas comunidades asseguram para a acolhida e o acompanhamento das
famílias de migrantes?
· Em que precisamos fixar nossa atenção para discernir os caminhos de Deus, como o fez José, mediante os sonhos?
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