Jesus é a glória do humano e a luz das nações
943 | 29 de dezembro de 2025 | Lucas 2,22-35
O momento alto desta cena não é, como
muita gente enfatiza, o exemplo de cumprimento estrito das leis por Maria e
José, mas o encontro da família de Nazaré, à margem dos dirigentes do templo,
com Simeão e Ana, e aquilo que eles anunciam a todas as pessoas que encontram
por perto. Na cena “pintada” por Lucas, tudo chama a atenção para o significado
da vida do filho que Maria e José apresentam ao povo e ao templo.
Simeão toma o Menino nos braços e, com
seu olhar penetrante, é capaz de discernir a presença de Deus na fragilidade
humana. Segundo Simeão, a presença de Deus no filho de José e Maria traz
consigo uma salvação que desborda as fronteiras étnicas e religiosas, e se
destina a todos os povos e a todas as categorias humanas. Jesus é luz que
ilumina todos os povos. Ana também fala do Menino a todas as pessoas que viviam
de esperança. Como os pastores representam a acolhida de Jesus pelos excluídos,
Simeão e Ana expressam a acolhida do filho de Deus pelo resto piedoso e fiel.
No templo, Maria e José guardam um
silêncio profundo e atento, e observam a alegria consoladora de quem esperou
longamente pela visita do “Sol Nascente”. Poucas coisas estão claras para eles,
porém cresce a percepção de que o filho que lhes foi confiado é especial para
todos os povos. Essa consciência não chega a gerar entusiasmo, pois logo é
ofuscada pelas palavras misteriosas que Simeão diz sobre o menino e dirige a
Maria. Jesus vai incomodar, pois veio para desmascarar o colocar pedras no
caminho dos exploradores.
José e Maria percebem, pouco a pouco,
que precisam avançar e crescer no escuro da fé. Como Abraão, eles se lançam na
estrada sem saber onde chegarão. Ousam acreditar, e isso lhes é creditado como
justiça. Tomam consciência de que no chamado ao qual respondem estão inseridos
sofrimentos. Mesmo assim, abrem-se, pouco a pouco, à novidade que Deus
manifestava através do nascimento daquele inesperado filho. Eis o caminho dos discípulos
missionários.
O
breve cântico de Simeão é uma síntese do credo dos primeiros cristãos: Jesus é
Boa Notícia e caminho de libertação para todos os povos; ele é também o
paradigma da missionariedade da Igreja, permanentemente chamada sair do
estreito âmbito dos seus interesses e da cultura predominante para ser presença
consoladora e libertadora para todas as pessoas e povos. Ela recebe uma luz que
não pode possuir e deve fazer brilhar para todos os povos
Sugestões para a
meditação
§ Releia o texto
lentamente, detendo-se nos personagens, nos gestos, nas atitudes e nas palavras
deles
§ Procure perceber
como, nas palavras de Simeão e de Ana, transparece a vida e a missão do Jesus
adulto e dos cristãos
§ Você percebe nas
Igrejas e pessoas sinais da tentação de fazer de Jesus um “personagem”
exclusivo da sua Igreja ou seu grupo?
§ Com que palavras
e atitudes precisamos hoje apresentar Jesus às pessoas? Em que medida nossa
adesão a ele é consequente?
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